segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Bordeaux (2) - Château Figeac

Devido às atribulações do nosso dia-a-dia, eu não planejei muito bem as visitas "enológicas" em Bordeaux. Encaminhei alguns e-mails a châteaux famosos, alguns responderam (muitos negativamente), outros nem responderam (talvez por causa do meu francês incipiente e quase ininteligível à época). Decidi confirmar uma visita ao Château Figeac, premier cru classé de Saint-Émilion, a 40km do centreville de Bordeaux, onde estávamos hospedados.

Pórtico de entrada do Château Figeac
Figeac é uma localidade existente desde os tempos galo-romanos, ou seja, séc. I ou II d.C. Desde essa época ali se plantava uva e se produzia o vinho. Está localizada a oeste do vilarejo medieval de Saint-Émilion, na divisa com o vilarejo de Pomerol. Tem uma topografia levemente inclinada, solo de areias aluviais trazidas por ribeirões contribuintes do Dordogne recoberto por seixos rolados, características estas divididas com os vizinhos Château Cheval Blanc e Château Pétrus (vai uma dica do nível de qualidade do vinho ali produzido). A diferença com seus vizinhos é que, ao contrário destes, ele tem em seu corte "pouca" merlot em relação às cabernets (35% cabernet sauvignon, 35% cabernet franc e 30% merlot).
Merlot de vinha velha - a uva "rainha" em Pomerol também é muito importante também em Saint-Émilion

Fachada do château vista da cour d'honneur (pátio do castelo)
Até o século XVIII, época da construção do château propriamente dito, o vinhedo "Figeac" possuía 200ha, mas no século seguinte ele passou a ser repartido por motivo de  herança, originando outras vinícolas, entre elas o Château La Tour du Pin Figeac, que nada tem a ver com o château original. Hoje o Château Figeac conta com 40ha de vinhedos, sendo mesmo assim a maior propriedade da appellation Saint-Émilion.
Marco do vinhedo do Château Figeac
Durante a 2.a Guerra Mundial, estes vinhedos foram "abandonados" e, atacada pela filoxera, a propriedade foi comprada a um preço acessível pela família Manoncourt, cujo herdeiro, Monsieur Thierry Manoncourt, foi o último chefão do château, agora comandado pelo seu genro, o conde d'Aramon e sua filha.
Deixados de lado pela classificação oficial dos vinhos do Médoc de 1855, representados pelo seu sindicato, os vinicultores de Saint-Émilion reinvidicaram e, em 1955, o INAO, instituto das appellations francês, oficializou uma classificação na qual o Château Figeac figura como Premier Grand Cru Classé "B". Apenas os châteaux Cheval Blanc e Ausone receberam a classificação "A". Há alguns anos M. Manoncourt solicitava a elevação do seu vinho à mais alta categoria, fato este que pode acontecer no próximo ano, ou assim que o INAO revisar a classificação. A imprensa francesa vê este fato evidenciado pela recente valorização vertiginosa dos vinhos do Château Figeac. Monsieur declarava mesmo que seu vinho não era um cru classé "A" porque o preço era mais baixo do que o Ausone e o Cheval Blanc, e só por isso...
M. Manoncourt, aliás, era um belo RP para a sua empresa. Na ocasião em que visitamos o château, ele fez questão de receber pessoalmente os visitantes. Éramos um grupo de 6 casais: 2 parisienses, 1 austríaco, 1 espanhol, 1 oriental e nós, brasileiros. Cumprimentou-nos naturalmente em francês, em alemão, em inglês e lamentou por "ainda" não saber falar português para nos dar as boas-vindas na nossa língua - muito ativo e simpático o nonagenário. Ele morreria calmamente no château, poucos dias depois da nossa visita, no final do verão de 2.010.
Voltando à visita, primeiramente conhecemos le cuvier, a área onde estão as prensas e as cuves de fermentação. As antigas prensas verticais ainda hoje utilizadas retiram o mosto das uvas com suavidade, e há pouco mais de 30 anos, M. Manoncourt foi um dos primeiros vinicultores de Bordeaux (ao lado dos châteaux Latour e Haut-Brion) a utilizar cubas de inox para a fermantação dos vinhos, em paralelo às grandes cuves abertas de carvalho, onde o vinho fermenta a 26oC, aproximadamente. Desde então o Figeac também passou a elevar seus vinhos em 100% de barriques novas de carvalho francês, durante um período de 18 a 20 meses.
Prensas verticais
Cuves de carvalho
Cuves de inox
Depois de uma visita à adega, onde acontecia uma trasfega sob um forte odor sulfuroso devido à adição do anidrido aos barris, saímos aos vinhedos, bem no fundo do château.
Trasfega e adição do anidrido sulfuroso (conservante)
Envelhecimento em barris novos de carvalho francês
Estoque na cave subterrânea

Reserva especial de safras antigas - em primeiro plano: 1898!
Essa magnum era xodó do M. Manoncourt: a 50.a safra da sua família, grande safra1995
Entre o vinhedo de merlot do Château Figeac e a igrejinha de Pomerol, vinhedos do Pétrus

As instalações aí são do Cheval Blanc, e as vinhas, de merlot, ao norte do Château Figeac
Depois da visita, voltamos ao château para uma pequena degustação das safras 2000 e 2001, da qual acabei comprando 2 garrafas por 80 euro cada. Para se ter uma idéia da valorização, uma garrafa da safra 2010 en primeur está saindo atualmente por 200 euro na cave Legrand Filles & Fils, em Paris. Uma das garrafas eu já abri este ano, no meu aniversário, em maio passado - ah! que beleza de aniversário! O vinho é mesmo imenso, e a outra garrafa vai ser guardada para outra grande ocasião, daqui algum tempo.
O rótulo austero do Château Figeac

O "carimbo" impresso a fogo nas caixas de madeira
É um vinho potente, como todo bom bordeaux deve ser. Cor púrpura/ vermelha intensa, com halo de reflexos também púrpura. Aroma de frutas negras, amoras, especiarias e cedro, com aquela "fumacinha" que o carvalho bem tostado proporciona, mas tudo num equilíbrio muito grande. Taninos já bem arredondados. Final longuíssimo. Lembro que o 2000 estava mais duro, e creio que o 2001 já está na hora certa de beber - a garrafa que abri desceu redonda, enquanto que eu guardaria o 2000 por mais uns bons anos, se tivesse algum por aqui...
Depois da visita, fomos dar uma voltinha por Saint-Émilion, mas já estava tarde, chovia, escurecia e nem descemos do carro. É uma cidadela bem bonitinha, e se deus quiser um dia a gente a conhece melhor.
Clos ao longo da estradinha D243 (Route de Saint-Émilion)
Chegando ao village de Saint-Émilion: châteaux pra todo lado!

Ruínas medievais
Vou procurar mais algo interessnate sobre Bordeaux em algumas publicações que eu trouxe de lá, tem fotos lindíssimas... depois eu posto!
Santé! Au revoir!


domingo, 23 de outubro de 2011

Bordeaux

Salut, mes amis!
Minha segunda viagem a uma região vinícola famosa foi no verão do ano passado.
Passamos uns dias em Madri, tomamos um TGV até Barcelona, onde alugamos um carro para ir à França. Depois de ficar uns dias em Carcassone, uma cidadela medieval verdadeiramente fantástica, fomos para Bordeaux, onde nos hospedamos por três dias.
Dizem que seu nome vem da expressão "au bord de l'eau" (na beira d'água). É mesmo uma cidade encantadora, principalmente para os amantes de vinhos. A estrada de Toulouse a Bordeaux já fora um bom presságio: ela atravessa um verdadeiro mar de vinhas, esporadicamente entrecortado por pequenos bosques e lindas plantações de girassol. O clima é ligeiramente temperado devido à proximidade do Atlântico, a umidade permanentemente entrando no continente pelo estuário do Gironde, rio formado pela união de la Dordogne com la Garonne, que acontece bem próxima à cidade (os rios são "femininos" em francês - cheios de curvas e mistérios...). O Garonne sozinho já é um rio bastante caudaloso na altura de Bordeaux e evidencia bastante esta sensação de umidade. A temperatura, mesmo no verão não estava muito alta (em torno de 22oC), mas o tempo parecia muito abafado.

Plantações de girassol ao longo da A6
Vista da Pont de Pierre sobre la Garonne, a partir do Quai du Marechal Lyautey
Bordeaux é a capital da região da Aquitaine (Aquitânia - nome que a região recebeu durante a ocupação romana no séc. I) e do département de Gironde, e tem cerca de 250.000 habitantes. Junto com Arcachon e Libourne, forma a sexta região metropolitana francesa, com cerca de um milhão de habitantes. É a maior região vinícola em termos econômicos no mundo.
A região pertenceu à coroa inglesa do séc. XII ao séc. XV, devido ao casamento da duquesa Eleonor de Aquitânia com o Rei Henrique II. Já nessa época a produção de vinhos ali era importante e o comércio com os ingleses difundiu o claret (que é como os ingleses chamam o bordeaux tinto até hoje) pelo mundo conhecido até então. Durante algum tempo a Aquitânia gozou certa independência, mas no séc. XVII o rei-sol Luís XIV a anexou à coroa francesa. O século seguinte foi a era dourada de Bordeaux - seu prefeito, o barão Haussmann, empreendeu uma extensa reurbanização da cidade que, com mais de 5.000 edifícios, pontes e outras obras públicas construídos nesta época (muitos dos quais ainda remanescentes) a tornou uma cidade-modelo, inclusive para a capital Paris.

Vista da Place de la Bourse a partir do Miroir d'Eau - um belíssimo espelho d'água onde os girondins vão se refrescar
Monument aux girondins, na Esplanade des Quinconces
A produção vinícola nos arredores de Bordeaux floresceu de fato no séc. XII, após o casamento da duquesa com Henry Plantagenet. No Séc. XIV, metade do vinho ali produzido ia para a Grã-Bretanha; até então, os vinhedos ficavam na região de Haut Pays, ao leste da atual appellation Bordeaux - até o séc. XVI grande parte do Médoc (exceto châteaux já de prestígio, como Margaux e Lafite) era formada de terrenos pantanosos. No séc. XVII, engenheiros holandeses instalaram diques de drenagem e organizaram o plantio de vinhas em todo o Médoc, viabilizando a região como a conhecemos atualmente.
No século seguinte, comerciantes estrangeiros (britânicos, holandeses, alemães e dinamarqueses) dominavam o comércio de vinhos em Bordeaux. Se no resto da França a viticultora desenvolveu-se sob a batina de monges pacientes, em Bordeaux as vinhas cresceram pelo investimento de comerciantes hábeis e ávidos pela exportação do seu produto.
Em 1855, por ocasião da Exposição Universal em Paris, a Câmera de Comério de Bordeaux organizou uma classificação, válida até hoje, que contemplou os vinhos dos grandes châteaux da margem esquerda do Gironde (Médoc, Graves, Pauillac, Pessac-Léognan...). Esta classificação lista as propriedades em 5 níveis - do premier ao cinquième - grand crus. A única alteração desta classificação desde então foi a promoção do Château Lafite-Rotschild de deuxième para premier grand cru classé, em 1973. Já os vinhos doces de Sauternes e Barsac, também na margem esquerda, foram classificados em Cru Supérieur (o Château d'Yquem somente), Premiers Crus e Deuxièmes Crus. Atualmente, apelidaram-se as boas propriedades que não figuram na "classificação" como crus burgeois. Depois desta classificação, apenas em 1955 surgiu uma classificação na margem direita, em Saint-Émilion. Outras appellations, como Pomerol, não hierarquizaram seus vinhedos.
Mapa das appellations bordalesas
Ao longo do tempo Bordeaux produziu muitos mitos. Muitos deles aclamados, como Émile Peynaud, professor da Universidade de Bordeaux, considerado o "pai" da enologia moderna; outros, contestados, como o enólogo Michel Roland, o "pai" dos flying winemakers, enólogos que prestam consultoria em inúmeras vinícolas ao redor do mundo, obtendo resultados muitas vezes controversos. Em Mondovino, filme-documentário do diretor-somellier Jonhatan Nossiter, Roland chega a ser ridicularizado por sempre propor a mesma solução aos vinicultores, visando sempre obter o mesmo resultado que - seria mera coincidência? - certamente agradará ao seu amigo Robert Parker, que não raro concede notas altíssimas em vinhos por ele elaborados na WIne Advocate (Roland é enólogo-consultor também no Brasil, atuando na Miolo).
Infelizmente, devido às atribulações e correrias normais da vida, e tendo em vista o pouco tempo que ficaríamos em Bordeaux, eu não me preocupei muito em organizar um roteiro para visitar a cidade e os arredores. Conhecemos os pontos turísticos do centreville, fizemos algumas compras (entre elas algumas garrafas do segundo vinho de châteaux premiers crus por meros 60 euros) e passeamos um pouco de carro quando saímos para visitar um grande château de Saint-Émilion, mas aí já é assunto para outro post.
Santé! Au revoir!

domingo, 16 de outubro de 2011

Parallèle 45

Salut, mes amis!
Há algum tempo, eu comprei uma caixa do Côtes du Rhône Paralèle 45 safra 07 de Paul Jaboulet Ainé.
Não sou de comprar vinho em caixa, mas desta vez este estava a um preço bom mesmo, e resolvi comprar para fazer uma daquelas experiências que a gente lê em livros de enologia para iniciantes, de comprar uma caixa e verificar a evolução do vinho ao longo do tempo.
A primeira garrafa que abri tão logo chegou a caixa mostrou a rusticidade proveniente da grenache, da cinsault e da syrah plenamente amadurecidas pelo sol do sul da França. O alto teor alcóolico (14%) também mascarava um pouco a riqueza de aromas do vinho.
Esqueci a caixa na adega e após uns meses abri mais umas 2 ou 3 garrafas, tentando novas harmonizações, mas sempre com a mesma impressão.
Pois bem, ontem fomos jantar em um bistrozinho em SP e, como pediríamos pratos com carne, achei na carta o Parallèle 45 a um preço "razoável" - embora eu nunca ache "razoável" o preço que os restaurantes cobram pelo vinho.
O vinho apresenta uma bela e profunda cor púrpura, com reflexos rubis na borda que já mostra um halozinho aquoso, o que demonstra que está num momento ótimo para beber. Está desprendendo mais facilmente os intensos aromas de frutas vermelhas e, com algum tempo na taça, solta um pouco de chocolate, talvez fumo com chocolate; por último, já na boca, dá uma pontadinha de pimenta. Os taninos já estão bem domados e até a patroa, que se arrepia toda quando a bochecha dela seca, achou o vinho gostoso.
Bom, ontem o provamos com filé grelhado e filé au poivre vert, mas agora já dá para cravar que ele também vai bem com um risoto mais substancioso, massas com molho de carne, pizzas e queijos mais fortes.
A R$38 a garrafa, é uma ótima relação custo-benefício - 'bora comprar outra caixa de safra mais recente para guardar!
Fica a dica!
Santé! Au revoir!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Confusões E-não-lógicas

Salut, mes amis!
Um dos motivos pelo qual comecei a escrever este blog foi tentar entrar em contato com gente que, como eu, gosta de beber e falar de vinhos, mas acha difícil encontrar alguém que fala a mesma língua. Com esse boom que aconteceu com o vinho ultimamente, apareceu um monte de "entendidos" que na verdade não sabem xurumelas, apenas aprenderam um bocado de jargões e saem por aí enganando os outros.
Outro dia entrei num blog aí, de um "consultor" de vinhos. 
Quero acreditar que o texto está simplesmente mal escrito, porque o sujeito fez uma confusão de Domaine de la Romanée-Conti com appellation Vosne-Romanée, com o vinhedo de Le Montrachet... Disse que o vinhedo de Romanée-Conti "é o segundo menor vinhedo da appellation Vosne-Romanée Grand Cru depois do Le Montrachet com 0,67 hectare de um especial chardonnay..." e que ambos são propriedade do Domaine de la Romanée-Conti... Affff!
Concordo que a Borgonha, com seus inúmeros vilarejos, denominações, vinhedos, parcelas, produtores e negociantes é bem complicada, mas alguém que tem a pachorra de falar sobre a Borgonha deveria ao menos pesquisar um pouquinho antes de sair por aí falando besteira

Mapa do vignoble bourguignon
Explico: qualquer um que tiver em mãos um mapa da região vinícola da Borgonha reconhecerá logo a Côte d'Or, uma "tripa" de terreno de mais ou menos 60km de comprimento, que se estende mais ou menos na direção norte-sul, ao sul de Dijon, atravessando a cidade de Beaune. É chamada de "côte" porque é uma encosta, uma escarpa do planalto central francês. A porção da Côte d'Or ao norte de Beaune é chamada de Côte de Nuits, devido à ampla predominância da pinot noir; o restante da côte, onde se encontra a grande maioria dos vinhedos de chardonnay, é chamado de Côte de Beaune. Nesta faixa de terreno situam-se inúmeros vilarejos: Gevrey-Chambertin, Chambolle-Musigny, Vougeot, Nuits-St.-Georges, e entre eles o vilarejo de Vosne-Romanée. Cada vilarejo (também chamados de comunes) pode constituir uma appellation communale, que é a segunda appellation na hierarquia dos vinhos da Borgonha. Pela ordem, vai um parêntese: são quatro as "categorias" de vinho na região, da mais simples para as mais específicas: os borgonha genéricos (appellation bourgogne - aqui entram os crémants, os aligotés e os vinhos produzidos nas haute côtes - as encostas mais altas), as appellations communales, os premier cru e os grand cru.
  
Passeando pela N74 - Vougeot
Pois bem, Vosne-Romanée é um vilarejo situado a aproximadamente 20km ao sul de Dijon, onde se planta exclusivamente pinot noir. O vilarejo dá nome à appelation comunale Vosne-Romanée, possui diversos vinhedos premier cru (Les Chaumes e Les Suchots, por exemplo) e alguns vinhedos grand cru (além do vinhedo de la Romanée-Conti, la Romanée, Romanée Saint-Vivant, La Tâche, La Grand Rue, Richebourg, Echezeaux e Grands Echezeaux, na divisa com Vougeot). O único vinhedo de branco da Côte de Nuits encontra-se mais ao norte, em Vougeot - é o vinhedo de les Clos de la Perrière, monopole (vinhedo de um único dono) do Domaine Bertagna, que eu tive o prazer de conhecer (e bebericar uns bons premier e grand crus).

Alguns vignobles de Vosne-Romanée

Pórtico de entrada do vinhedo de Les Clos de la Perrière, em Vougeot
O outro vinhedo de branco mais próximo é o grand cru Corton-Charlemagne, na colina de Aloxe-Corton, 14km ao sul de Vosne-Romanée.

Vinhedos de chardonnay (mais acima) e pinot noir no sopé da colina de Aloxe-Corton
Bem, voltando ao assunto, o Domaine de la Romanée-Conti é uma empresa vinícola (a mais valorizada das empresas borgonhesas), com sede no vilarejo de Vosne-Romanée, que possui alguns vinhedos na Côte d'Or, entre eles o la Romanée-Conti, que é um monopole seu. Em outros vinhedos, o DRC reparte a produção com outras empresas, como no caso de Echezeaux e Le Montrachet, por exemplo.


Modestas instalações do Domaine de la Romanée-Conti em Vosne-Romanée

O mítico vinhedo de la Romanée-Conti
Para encerrar, o vinhedo de Le Montrachet, situado entre os vilarejos de Puligny-Montrachet e Chassagne-Montrachet (ambos vilarejos se apropriaram do nome do principal grand cru vizinho como "golpe de marketing" para seus vinhos) está situado a uns 30km da sede do domaine de la Romanée-Conti. Este vinhedo também não é exclusividade do DRC, que o divide com a Bouchard Pére&Fils e Joseph Drouhin, entre outras empresas.
Santé! Au revoir!

sábado, 1 de outubro de 2011

Jantar da sexta

Bonsoir, mes amis!
Hoje eu estava conversando com uma colega no trabalho sobre o Bardolino, um restaurante joinha no centro de Ubatuba onde já provei óóóóótemos pratos com frutos do mar. Lembrei que tinha alguma coisa no congelador (vá lá, frutos do mar frescos são muuuito melhores, mas quem não tem cão caça com gato) e fiquei com vontade de cozinhar. Lembrei também que tinha uns vinhos brancos para acompanhar, afinal, o tempo quente de hoje e o prato pediam algo mais refrescante.
Passei no mercado e comprei umas coisinhas que faltavam para preparar um risotto.
Cheguei em casa, escolhi um Virtude chardonnay da Salton e o coloquei na geladeira, descongelei um punhado de camarão sete barbas, tirei a casca, um punhado de lula, cortei em anéis, 3 ou 4 tentáculos de polvo, cortei em cubos. Alguns camarões rosa grandes salgados e passados na manteiga para decorar o prato depois.
Coloquei meia cebola e 3 dentes de alho para refogar no azeite, depois acrescentei na panela uma xícara de arroz arbóreo para fritar; enquanto isso, refogava em manteiga os camarões, depois a lula e o polvo em uma frigideira à parte, com sal, pimenta-do-reino e herbes-de-provence.
Acrescentei uma taça grande de vinho branco no arroz, deixei reduzir e depois acresceentei caldo de legumes em fogo médio para cozinhar. Quando o arroz já estava al dente, mas ainda com um pouco de caldo, misturei os frutos do mar refogados, um pouco de salsa, queijo parmesão ralado e uma colher de manteiga.


Ficou uma delícia!
E combinou perfeitamente com o Salton Chardonnay, que é um vinho, no mínimo, intrigante, se falando de um branco nacional. O primeiro nariz mostra fruta cítrica, maçã verde, e a gente espera na boca um vinho mais ácido e "crocante". Mas depois vem o aroma do carvalho, trazendo também amêndoa, avelã... o final é surpreendente. Realmente é muito bom este vinho. agora preciso descobrir outros pratos para acompanhá-lo bem. E depois de tudo isso ainda consegui escrever esse post...
Ah! E como sobremesa preparei ua créme brulée. Mas isso já é assunto para outra ocasião.
Santé! Au revoir!