sábado, 19 de novembro de 2011

Às margens do Romanée-Conti eu sentei e chupei uva!

Salut, mes amis!
A cada vez que eu conto essa história, cada vez mais ela me parece aquelas histórias de realismo fantástico, tal a sensação de que vivi um sonho.
Mas é verdade, em agosto deste ano eu tive a imensa felicidade de conhecer um pouco da Borgonha.
Durante um dia da nossa estadia em Beaune, o "coração" da região vinícola borgonhesa, fizemos um tour com uma guia, brasileira, que vive ali há oito anos. Este dia é realmente fantástico para um amateur de vinhos.
Como no dia anterior, quando viemos de Dijon para Beaune, já tínhamos passado pelos villages mais ao norte da Côte de Nuits, decidimos iniciar nossa jornada pela colina de Aloxe-Corton. Ali a Carol, a guia, nos explicou o motivo peculiar da colina conter o único vinhedo Grand Cru de vinho branco da Côte de Nuits. O imperador Carlos Magno, ao "conquistar" a Borgonha, procurou o melhor terroir para fornecer vinhos à sua corte, encontrando aquela colina sem igual, onde a neve era derretida primeiramente pelos incipientes raios de sol no inicio da primavera. Como nesta colina só se cultivava pinot noir, ele ordenou que se arrancassem umas vinhas e ali se plantasse chardonnay para a produção de vinho branco, pois o tinto lhe manchava a vasta barba branca.
Depois visitamos o Château du Clos Vougeot e, em seguida, fomos conhecer Vosne-Romanée, o vilarejo detentor dos mais conhecidos vinhedos da Borgonha, a maior quantidade de Grands Crus por hectare. Passamos pelas modestas (!) instalações do DRC - Domaine de la Romanée Conti (talvez o produtor mais prestigiado do mundo) - e de seu proprietário, Monsieur de Villaine. Fomos conhecer os vinhedos, localizados às margens de uma antiga estrada romana, "la Romanée": o "clos", ou vinhedo murado de la Romanée- Conti, contemporâneo à presença dos romanos na região; os vinhedos de Romanée Saint-Vivant, bem nos fundos das casas do vilarejo, la Tâche, la Grande Rue...
Atravessando a rua à frente de la Romanée-Conti, de Romanée Saint-Vivant pudemos roubar uns bagos do pé, e foi o lugar em que primeiro eu experimentei uma uva vinífera, sendo surpreendido pela doçura extrema da pinot noir; em fins de agosto e com o tempo quente deste ano, as uvas já se encontravam perto do estado ótimo de maturação, inclusive alguns produtores já faziam a colheita. Sua casca é negra e o bago é bem branquinho, o que justifica a cor delicada e a dificuldade de se obter esta cor nos pinots noirs.
Foi mesmo uma jornada inesquecível e tenho muitas outras histórias pra contar, mas fica pros próximos posts...
Au revoir! Santé!
O vinhedo de la Romanée-Conti
Attravessamos a rua e chupamos uva do pé no vinhedo de Romanée Saint-Vivant - a apreensão estampada no rosto da patroa!
A colina de Aloxe-Corton

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Le Beaujolais Nouveau est arrivé!

Como em todos os anos, na 3.a quinta-feira de novembro o mundo todo recebe e pára para provar o Beaujolais Nouveau, o primeiro vinho francês da safra do ano corrente expedido para consumo. Pelo segundo ano consecutivo, a região da Borgonha e a sub-região de Beaujolais tiveram uma excelente safra. O vinho do ano passado estava realmente bom, considerando que é um vinho leve, frutado e descompromissado, para ser bebido relaxado mesmo, até um pouco resfriado. Acompanha como poucos uma tábua de frios no bar...
O meu já chegou! R$75,90 na Mistral
Santé!