sexta-feira, 1 de junho de 2012

Borgonha - Visita à Bouchard Père et Fils

Salut, mes amis!
No dia seguinte ao “Dia DOC”, nosso passeio pela Côte d’Or (veja http://conservadonovinho.blogspot.com.br/2012/04/beaune-dia-2-parte-1.html e http://conservadonovinho.blogspot.com.br/2012/05/beaune-dia-2-o-dia-doc-parte-2.html), visitamos uma antiga fábrica de mostarda, a Moutarderie Fallot, os Hospices de Beaune e um grande négociant de vinhos estabelecido no centreville. Todas estas visitas são altamente recomendáveis para quem visitar Beaune.
Na moutarderie pudemos comprovar a imensa seriedade e o cuidado que os franceses tem com qualquer coisa quando o assunto é gastronomia. A mostarda produzida na região obedece uma legislação de AOC, e só pode ser preparada com vinagre ou suco de uva produzido na Borgonha. A visita é muito legal também para as crianças, que inclusive preparam um pouquinho da sua própria mostarda e, como todas as visitas por aqui, acaba em degustação.

Les enfants et mamans fazendo dua mostarda
Os Hospices de Beaune atualmente se transformaram num bem conservado museu, já que desde a década de oitenta as instalações hospitalares foram transferidas para um moderno hospital na periferia, tudo custeado pelo tradicional leilão de vinho que ocorre no mês de novembro. O hospital beneficente foi fundado em 1443 por Nicolas Rolin, chanceler do duque Filipe III - o Bom - da Borgonha e sua esposa, Guigone de Salins. A construção tem forte influência flamenca, uma vez que o ducado borgonhês àquela época se estendia até os Países Baixos. Os hospices possuem ainda hoje inúmeros vinhedos que foram doados pelos nobres proprietários ao longo dos séculos, que produzem valiosos e cobiçados vinhos, cujas receitas o mantem em atividade.

A construção com o inconfundível telhado em padrão flamenco

"O último julgamento" de Van der Weiden, a "jóia da coroa" entre as obras de arte dos hospices
Depois do almoço fomos à sede da Bouchard  Pére et Fils, grande firma “négociant” que desde 1985 pertence à família Henriot, de Champagne. Eu já havia marcado esta visita desde o Brasil e fomos muito bem atendidos por uma guia muito simpática e de nome incomum, segundo ela, Mme. Blandine.  Graças a Deus meu francês iniciante foi suficiente para acompanhar suas explicações e até para fazer algumas perguntas e tirar dúvidas - até me surpreendi, embora eu mesmo diga para a minha prof de francês que depois de umas taças de vinho eu falo francês que é uma beleza... Mme. Blandine me explicou muito bem a história do domaine, nos mostrou as caves e acompanhou uma ótima degustação ao final da visita. 

O "domaine": à esquerda, casa de veraneio de Monsieur Henriot, à direita, a sede da vinícola - tudo interligado por quilômetros de caves no subsolo
O portão das caves

A maison guarda vinhos até do século XIX - de 20 em 20 anos eles são abertos, provados, as garrafas são completadas com o mesmo vinho e re-arrolhadas
Experimentei sete vinhos dispostos em ordem de complexidade, começando por um Côte de Beaune Villages ’07 de cor rubi bem claro e brilhante, bem ligeiro e frutado, que já parecia ótimo para o consumo. Em seguida tomei um “Beaune du Château” premier cru ’07, que se mostrou com uma cor mais densa, sendo um vinho mais encorpado, com mais estrutura para guarda e que já demonstrava maior complexidade aromática, apresentando notas terrosas e animais.  Depois me foi apresentado um grand cru Le Corton ’07, de cor rubi-violácea profunda, maior estrutura tânica, com aromas terrosos, de couro e especiarias, um grande vinho para se desenvolver por muitos anos em garrafa ainda. Passamos então para o último tinto, um Nuits-St.Georges 1er cru “Clos des Argillières” ’03; por se tratar de um 2003, ano excepcional na Côte d’Or, em que o calor foi muito grande e as produções mínimas, é um vinho com muito tanino que ainda deve passar um bom tempo na garrafa para liberar a complexidade aromática de terra, couro e especiaria que ele insinua.

Vinhos para a degustação
Depois de uma aguinha e de uma boa conversa, afinal eu já estava negociando a compra de umas garrafinhas e “xavecando” uma caixa de madeira de brinde, degustamos os brancos, as jóias da Côte de Beaune. O primeiro foi um Pouilly-Fuissé ’09, de um brihante amarelo palha, muito fresco e com um marcante aroma mineral. Em seguida provei o Mersault 1er cru “Genevrières” ’08, onde já começam a aparecer os aromas de frutas secas e amanteigados. E por último, um Corton Charlemagne ’07, de um amarelo já dourado lindíssimo, com aromas de frutas secas, que na boca demonstra um retrogosto delicioso de mel, com um final longuíssimo – o melhor da degustação.

 

 

"Pechinchas"

Acabei comprando seis garrafas, entre elas um “Vigne de l’Enfant Jésus”, um Pommard  Rugiens (que Blandine me recomendou deitar por uns 10 anos para não cometer um “infanticídio”) e um Corton Charlemagne. O pessoal ficou boquiaberto quando eu disse o quanto aqueles vinhos custariam no Brasil. Enfim, ganhei não só a caixa como também um bonito tire-bouchon, que MMe. colocou na minha sacola com uma piscadela...

O mapinha também foi brinde - assim com o tire-bouchon que a sympa Mme. Blandine me presenteou
Bourgogne
Como sempre, tudo acaba em degustação - Grâce a Dieu!
Santé! À bientôt!

2 comentários:

  1. Santé!,meu caro Carlos. Este post é pra deixar qualquer um com aquela vontade doida de conhecer a região e provar estas delícias.
    TFA

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    Respostas
    1. Sem dúvidas, a viagem vale a pena. Belíssimas paisagens, ótimo vinho, excelente comida e muito boa gente!

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