domingo, 19 de agosto de 2012

Ossobuco, Brancaia Tre e Frescobaldi Pater

Salut, mes amis!
Esse meu blog já está fazendo novas vítimas... A postagem sobre o ossobuco que preparei há algum tempo fez sucesso entre a família, logo eu fui gentilmente solicitado a preparar este prato para o almoço do Dia dos Pais, na casa da sogra (para garantir, como sempre, o sogro foi pra churrasqueira). Mas não fiz feio e todo mundo - pai, mãe, sogro, sogra, cunhadas, irmãs e cunhados, além das crianças e da patroa, é lógico, adoraram o prato (ou fingiram muito bem). Desta vez, a sogra preparou uma polenta no fogão a lenha para acompanhar, e na verdade todos se esbaldaram mesmo...
Para acompanhar tão substancioso prato levei dois italianos -  é claro. Um Brancaia Tre 2006 e um Frescobaldi Pater 2009. Uma das regras básicas da harmonização de vinho e comida é tentar os vinhos da mesma região de origem do prato em questão.
O Brancaia é um IGT toscano, uma vez que, além da tradicional sangiovese, também leva cabernet sauvignon (10%) e merlot (10%) no corte. Possui uma bela cor rubi profunda, com lágrimas densas e abundantes, embora 13,5% de graduacao alcoólica. Notei aromas de frutas vermelhas, tabaco e chocolate, e na boca o álcool se destacou demais sobre os taninos já bem amaciados. Esse desequilíbrio me decepcionou um pouco, por se tratar de uma vinícola de grande reputação (enquanto o top da Brancaia, o "Il Blu" custa R$340,00, este deve estar custando uns R$80,00).
O outro vinho, o Pater '09, na mesma faixa de preço, de um lindo rubi brilhante, demonstrou maior frescor, aromas frutados de morango, amora e aquele aromazinho típico terroso dos toscanos. Mostrou taninos mais raçudos mas muito bem integrados com o álcool (13%) e a acidez. Este é produzido com 100% sangiovese e mostra mais tradição que o vinho anterior, exceção feita à embalagem moderna com screw-cap. Cabe aqui a lembrança que os Frscobaldi produzem vinho na Toscana há uns 700 anos "apenas"...
Na harmonização com o prato, eu diria que o Pater aguentou melhor o tranco. Sua maior rusticidade e acidez fizeram melhor contraponto à gordura do prato.. Não que o Brancaia tenha feito feio, mas como uma boa harmonização é aquela em que 1 + 1 = 3, ou seja, tanto o vinho quanto a comida devem ganhar com o casamento, então o Frescobaldi cresceu mais com a comida, enquanto o outro "amoleceu"; talvez se estivesse mais jovem, com taninos mais marcados, este se sairia melhor.
O preferido do dia
Au revoir, mes amis. Santé!

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