sábado, 21 de julho de 2012

Virei fã do Ciro Lilla - Encontro Mistral 2012

Salut, mes amis!


O título deste post pode soar estranho, mas o fato é que eu estive no último dia 17 de julho no Encontro Mistral, um evento promovido por esta distinta importadora da qual eu sou reles consumidor há algum tempo. Na verdade, portanto, eu já era "fã" do trabalho da Mistral, sempre muito atenciosos, pontuais nas entregas, com seus ótimos catálogos e outras publicações sempre recheados de informações e entrevistas com os grandes nomes do vinho que muito conhecimento me agregaram desse fantástico mundo.
Eu também já lera o livro do Ciro Lilla (Introdução ao Mundo do Vinho) e acompanho com interesse suas declarações a blogs e revistas especializadas - sabe muito!
Então, neste Encontro Mistral, só pude presenciar na prática aquilo que já suspeitava. O amante do vinho (é assim que eu me considero, apesar de ser apenas um iniciante neste mundo) tratado com o máximo de respeito, simpatia e profissionalismo. Tanto evento mixuruca por aí, nos quais o pessoal envolvido não demonstra ter uma mínima parcela de conhecimento - em comparação a essas pessoas com quem tive contato no encontro - mas que trata o visitante com o maior rei na barriga, cheios de empáfia e arrogância. Além de testemunhar alguns fatos pitorescos: em que outro lugar presenciaria um encontro de Luis Pato com o arquiteto Rui Ohtake, além do próprio Luis Pato, esperando o carro do manobrista ao final da feira, sob chuva e com uma garrafa debaixo do braço: "este vou levar para jantar".
Já tinha visto uma entrevista do Ciro Lilla ao Didu Russo (http://www.youtube.com/watch?v=QCdhfAwMpCk), e matérias em outros veículos também, sobre a rixa do Paul Jaboulet Ainé com o Chapoutier (é a única importadora do mundo que trabalha com as duas marcas), e não é que eles conseguem colocar as duas empresas no mesmo salão? 
Ainda por cima foi muito bom para praticar o meu francês... Os produtores presentes foram muito simpáticos e aturaram com paciência este humilde estudante da língua. Visitei os stands dos produtores dos quais já conhecia alguma coisa, para puxar conversa, e aí ficou muito mais fácil. Outra coisa que gostei da feira é que todos foram lá para realmente mostrar seus vinhos - todos eles, inclusive tops de linha, sem distinção entre os visitantes. Só lamento não ter conseguido aproveitar mais do encontro, pois só consegui visitá-lo em uma noite. Deixei de experimentar muita coisa boa. Na próxima vez eu me programo para me hospedar no Hyatt durante os três dias... :):):) Lamento também o fato de ter deixado de tomar notas, amador que sou me deslumbrei e não quis "perder tempo" anotando, e agora me faltam algumas informações enquanto escrevo este post...
Parei primeiro no stand da Parigot, dos amigos Grégory e Carolina, gente finíssima a quem tive o prazer de conhecer numa Expovinis e que visitei na Borgonha no ano passado (a Carol é guia turística e tem uma agência que elabora roteiros enoturísticos personalizados, vale a pena conhecer. Já falei do tour que fiz com a Vidaboa Viagens aqui: http://www.conservadonovinho.blogspot.com.br/search?updated-min=2011-01-01T00:00:00-02:00&updated-max=2012-01-01T00:00:00-02:00&max-results=13,  http://www.conservadonovinho.blogspot.com.br/2012_01_01_archive.html e http://www.conservadonovinho.blogspot.com.br/2012/04/beaune-dia-2-parte-1.html). Degustar seus ótimos crémants de Bourgogne é sempre uma ótima experiência, ainda mais colocando a conversa em dia... Experimentei o blanc de blancs, espumante de uma fineza ímpar, de ótima relação qualidade/preço se compararmos com vinhos do mesmo nível de outras regiões e fiquei de retornar para me despedir ao final da feira.
No stand de Paul Jaboulet Ainé, atento às expicações de Mr. Tom sobre os terroirs e as cepas utilizadas em cada apelação, degustei o Châteauneuf-du-Pape "Domaine de Tere Ferme" '09, o Crozes-Hermitage "Les Jalets" '08, o Côte-Rôtie "Domaine des Pierrelles" '09, o Hermitage "La Petite Chapelle" '05 (second vin da casa)e o mítico Hermitage "La Chapelle", este da safra '05 (o '61 é considerado por muitos críticos um dos maiores vinhos da história). Nem precisa falar que todos estes vinhos ainda estão na flor da sua infância, devendo envelhecer muito bem durante longos anos, para só então demonstrar todo seu esplendor. Encerrei com um Muscat de Beaumes de Venise "Le Chant des Griolles" '10 e nem a acidez e o perfume marcante de uva deste vinho conseguiram deletar as impressões deixadas por tão elegantes e complexos tintos. 



No stand do Chapoutier, provei o Châteauneuf-du-Pape "La Bernardine" '08, o Crozes-Hermitage "Les Meysonniers" '09 e o Hermitage "Monier de la Sizeranne" '07, que segundo M. Pierre-Adrien explicou, num híbrido de francês/inglês/espanhol, os rótulos em braille da Chapoutier são uma homenagem ao certo senhor "de la Sizeranne", criador do código, cuja família era proprietária de vinhedos em Tain e que hoje pertencem à Chapoutier.


Chegando ao stand de Guy Saget, não tive vergonha em confessar para a Mme. Marie-Claire Saget que pouco conhecia do Loire, exceção aos rosés. Mas quanta simpatia e satisfação ela demonstrou em me mostrar e me deliciar com seus vinhos e suas sugestões de harmonização! Experimentei o Vouvray '10, o Muscadet de Sèvre et Maine '10 (bom com ostras), o sauvignon "La Petite Perrière" '10, o Pouilly-Fumé '11 e o Sancerre Sélection Première '09 (estes vão bem com queijo de chèvre), todos brancos muito frescos e aromáticos, estes dois últimos de maior complexidade; provei também os rosés "La Petite Perrière" '10, de pinot noir (este fui eu que disse que deve cair super-bem com uma bela paella), e o Rosé d'Anjou '10, mais "docinho" (esse é bom pra minha patroa...). Para encerrar, o tinto Chinon '08, cabernet franc macio e gostoso. Enchanté, Mme. Saget!



Em Mas de Daumas Gassac a também muito simpática Victorine Babé me apresentou as versões branca e tinta do principal vinho da casa, os "grands crus do Languedoc", pois já conhecia a ótima relação preço/qualidade do Figaro e o vigor e a fruta do Pont de Gassac, assim como seu ótimo frisante rosé. Enquanto eu provava, ela desfiava as inúmeras cepas presentes na assemblage de cada vinho - no mas eles plantam mais de 40 uvas em 45 hectares! Só fiquei muito triste em saber que estive tão perto de Daumas Gassac em 2010 e não fui lá fazer uma visita às terras do lendário M. Guibert. Fica pra próxima, o Languedoc é um lugar muito rico para o qual planejo retornar.


Depois visitei Pascal Jolivet, que me apresentou também com muita simpatia seus vinhos depois que me declarei fã da sua linha Attitude, de vinhos souples, como dizem os franceses, e que não faltam em casa. Degustei seus Sancerres e Pouilly-Fumés sob suas explicações sobre o terroir, que transmite notável aroma mineral aos seus vinhos.
Opa! Deu uma folga no stand da Drouhin, e fui lá experimentar o Clos des Mouches blanc e os ótimos tintos de denominação village que estavam expostos: um suculento Pommard, um Chambolle-Musigny e um elegante Vosne-Romanée.


Saindo dos franceses fui ao stand da Symington - o Altano é um ótimo vinho de entrada, com preço muito bom - onde tive a oportunidade de degustar grandíssimos vinhos portugueses, como o Post-Scriptum e o Chryseia, além do Pombal do Vesuvio e Quinta do Vesuvio. Quanto aos portos, declinei, pois já sou fã de Graham's. Confesso que não tenho o costume de beber vinhos "de mesa" portugueses, mas vou me esforçar mais...
Quando cheguei no stand de Alión, já estava o maior clima de fim de feira, então fui na Chivite para conhecer os tops.


Ali do lado parei no stand de Biondi Santi. Dio mio! A esta altura, já me faltavam - e ainda me faltam palavras...


Na Amayna, cujo pinot noir eu reputo como um dos melhores sul-americanos que eu já tomei, experimentei os bons brancos de sauvignon (inclusive um barricado, bem estruturado e surpreendente) e chardonnay. O que eu achei mais surpreendente, contudo, foi uma declaração da Sra. Maria Paz: ela me mostrava fotos da sua linda bodega no iPad, toda orgulhosa, mas quando perguntei se eles recebiam visitas, ela disparou: "nosso negócio é fazer vinho, não turismo". Ótimo! Foco no negócio. Gracias.
Ainda nos brancos, paradinha no stand de Domdechant Werner, cujos riesling kabinett trocken e halbtrocken eu já conhecia - são todos vinhos muito bons e não demasiadamente caros, e de lambuja lá estavam também os vinhos de Bürklin-Wolf, o grand cru Jesuitengarten é super-aromático, maravilhoso!


Passadinha na Viña Montes para tentar conhecer os Outer Limits, mas outra vez o clima de fim de feira...
Aproveitei o clima para me despedir dos amigos da Parigot e encerrar a noite com chave de ouro - literal e metaforicamente falando - com uma tacinha do seu Cuvée l'Or, brincando com o Greg que ele já conhece o Brasil melhor do que eu, inclusive á visitou a minha cidade, Santo André - "la meilleure ville du monde!". Brinquei também com a Carol, pedindo que ela me prepare "o" roteiro enoturístico pela França, afinal ela vai ter bastante tempo para isso, pois só vou viajar de novo quando o herdeiro sair das fraldas...



Saí do Hyatt extremamente satisfeito, infeliz apenas pela consciência de que tinha deixado muita coisa boa trás, devido à simples falta de tempo. O conhecimento adquirido através dos produtores, a troca de idéias com sommeliers e restaurateurs visitantes... Enfim, tudo valeu a pena e a seriedade e profissionalismo da Mistral garantiram o retorno de cada centavo "gasto" no convite para este encontro, já que um simples consumidor dificilmente teria oportunidade de desfrutar de tanta coisa boa em outro lugar. Não sem desembolsar muitíssimo dinheiro!
À bientôt, mes amis!
Santé!

domingo, 15 de julho de 2012

Champagne Lamblot Brut Rosé

Salut, mes amis!



E nada melhor para brindar do que um ótimo champagne, não é mesmo?
Desta vez brindamos o aniversário da patroa, fomos almoçar com a família em um restaurante bem gostoso aqui de Santo André, o Fonte Leone - que tem um buffet super-bem servido aos finais de semana - e eles nos agraciaram com a rolha por se tratar de uma ocasião especial. Levamos então 2 garrafas deste belíssimo champagne, já prevendo que a escolha era auspiciosa...
Deixamos o brinde para depois do almoço, afinal eu achava mesmo que este champagne acompanharia muito bem o buffet de sobremesas, composto por manjar branco, panna cotta com calda de frutas vermelhas, merengue com morangos e frutas frescas. Acertei em cheio.
Para começar, este champagne é lindo. Convenhamos, nos espumantes o aspecto visual é fundamental - pelo menos eu acho isso. Um lindo robe rosé brilhante com reflexos alaranjados - saumon, diriam alguns. Uma mousse abundante, cremosa e persistente formada pela efervescência que continua a subir pela cheminée das finíssimas bolhas que dançam desde o fundo da taça... um bom vinho é mesmo uma poesia!!!
No nariz, morangos e muita delicadeza daqueles aromas de fermentação que só os bons espumantes demonstram com fineza. Na boca é muito redondo, embora demonstre mais corpo do que eu supunha, talvez pelo fato de ter em seu assemblage a adição de pinot meunier vinificada em tinto com mais pinot meunier e pinot noir vinificadas em blanc de noirs; o final é muito longo.
Minha segunda tentativa com os vinhos desta importadora,
Mais uma vez, obrigado ao pessoal da Hedoniste que garimpou essas pérolas na Champagne - para a nossa alegria. Vos desejo sucesso para que continuem trazendo coisas boas para a gente...
Santé! À bientôt!

sábado, 7 de julho de 2012

Sancerre Raimbault Pinot Noir '08

Santé, mes amis!
Há alguns dias me perguntaram sobre este Sancerre da Cave Jado, pois já havia postado no blog e no FB sobre outros vinhos da loja. Como fazia tempo que eu o havia provado (de outra safra, inclusive) e tinha umas garrafa deste 2008 na adega, resolvi abri-lo para confirmar se minhas lembranças estavam corretas.
O vinho, elaborado com pinot noir do village de Verdigny, AOC Sancerre, apresenta uma cor mais profunda que a dos pinot noir mais leves e a graduação alcoólica de 13% sugerem que a cepa atinge uma boa maturação neste village do Loire. Consultando o site do produtor, "Roger e Didier Raimbault", descobre-se que o mosto macera até 15 dias para uma maior extração de cor e tanino, então é prensado e vai para as cubas fazer a malolática. Dadas estas características, o produtor sugere que o vinho pode ficar deitado até 6 anos.
No nariz não demonstra muita complexidade, com aromas de frutas vermelhas e um toquezinho de couro. Se a cor fazia intuir uma maior estrutura - e se o quesito de escolha fosse esse -  esta não se iguala aos bons pinot noir chilenos, com os quais concorre no quesito preço (custa R$96,00 na Cave Jado). Eu diria que tem uma boa acidez, que casada com a "sutileza" da pinot noir e a maciez dos taninos faz do vinho um bom coringa para acompanhar a comida. Eu havia servido este vinho numa noite de queijos e vinhos aqui em casa, e ele foi muito bem com diversos queijos com os quais  o provamos, desde os mais suaves (gouda, emmenthal e gruyère, por exemplo) até os mais curados. Os queijos de massa branca e moles, como o de cabra, brie e camembert vão melhor com o seu "irmão" Sancerre blanc, de sauvignon - um vinho bastante fresco e aromático.