domingo, 7 de outubro de 2012

Primitivo di Manduria Luccarelli

Salut!
Nesta semana eu abri um Primitivo di Manduria, o Ampelo safra 2010, do produtor Luccarelli, localizado lá no salto da bota do mapa da Itália.
Eu já havia provado o Pazzia 2008, o "irmão rico" de primitivo do mesmo produtor, no primeiro encontro de uma confraria ainda sem nome que pretendemos fundar aqui em Santo André. Este é um ótimo vinho, denso, complexo, estruturado, carnudo - como seria de se esperar de uma uva como a primitivo (chamada de zinfandel pelos californianos), conhecida pela excelente maturação em climas quentes, que resulta em muita cor, açúcar e álcool. Possui aromas de geléias de frutas e ameixas secas, fumo com chocolate e café. Bem quente, mas com taninos e acidez bem equilibrados, traz uma sensação de doçura na boca mas sem enjoar. Na ocasião acompanhou um nhoque de abóbora com ragu de cordeiro muitíssimo bem.
Então, porque não encarar o irmão mais modesto? Por praticamente a metade do preço, o Ampelo demonstrou uma menor complexidade, o que me faz deduzir ao menos que ele passa menos tempo em barrica que o Pazzia. Mas os aromas estavam todos lá, não com a mesma intensidade, mas posso dizer que este é uma boa pedida para acompanhar algum prato mais substancioso da culinária italiana. Desta vez, encarou com gabardia um rigatoni com ragu de ossobuco. Redondo, carnudo, é uma ótima opção para quem gosta deste estilo de vinhos (principalmente encontrado no novo mundo), mas que já enjoou das versões mais açucaradas e sem acidez dos carmenères mais corriqueiros.
Manterei sempre uns primitivo Luccarelli na minha adega, ainda mais eu, que adoro uma comidinha italiana.
À la votre, mes amis!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Alemão inusitado

Salut, mes amis!
O bonito aí de baixo foi um presente de um amigo - um grande amigo, acrescento, pois se lembrou de me comprar um presente mesmo estando em lua-de-mel na Europa. Trata-se de um Domina trocken 2010 Volkacher Kirchberg do produtor Andreas Braun, da região de Franken, ou Francônia, no norte da Baviera.
Pesquisando arduamente no Google e gastando o meu alemão no Tradukka ;) descobri que a domina é uma uva tinta proveniente do cruzamento de pinot noir com uma cepa chamada blauer portugieser desenvolvida no instituto Geilweilerhof e que apresenta maior resistência que a pinot resultando em vinhos muito escuros, talvez pelo parentesco português, uma vez que sabemos que os vinhedos alemães não recebem tantas horas de sol para produzir uvas muito maduras. Tal instituto agrícola é alvo de alguma controvérsia na Alemanha, pois vem desenvolvendo cepas de carga geneticamente modificada, mas com o nobre objetivo de diminuir e até mesmo eliminar o uso de fungicidas na vinha. Quanto a esta outra casta de suposta origem portuguesa, o máximo que consegui encontrar é que ela deve ter chegado à Alemanha através da Áustria, vinda do Porto no século XVIII. Tanto quanto a casta, também achei inusitado o formato da garrafa (as garrafas tradicionais de 75cl deste produtor possuem a mesma forma).
O fato é que agora fiquei curioso e ansioso para degustar tintos alemães, um território até então inexplorado por mim. Aceito sugestões dos amigos tedescos.
À bientôt, mes amis!