quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Château de Villars Fontaine "Les Jiromées 2005" com lagosta

Salut les amis!
Havendo eu recebido o kit de vinhos do Château de Villars Fontaine, vindo pelo Emporio Mundo através do grupo de "Les Amis de Jean Claude", estava salivando só de pensar em abrir esta garrafa deste vinho que eu já havia degustado em um curso sobre vinhos da Bourgogne, sobre o qual já escrevi aqui.
E a oportunidade veio um dia desses, quando passei pelo mercadão e comprei umas lagostas lindinhas, que planejava cozinhar à moda do "Rufino's": no forno, sobre uma cama de batatas, regada com creme de leite e páprica. Tudo acompanhado com um risotinho ligeiramente temperado com chèvre e tomates-cereja. Depois tudo veio a se provar uma harmonização perfeita!

                 

Quanto ao vinho, a imagem de cima já diz muita coisa. De um dourado lindíssimo, aos olhos já encanta. O primeiro nariz demonstra aromas bem complexos, de frutas brancas - maçã, pera, pêssego - e cítricas, além da baunilha proveniente do velho e bom carvalho francês, elegantemente dosado (o vinho passa 18 meses em barricas novas). Em seguida os aromas se voltam mais para frutas tropicais ou cristalizadas, como abacaxi em calda, e minha mulher me atentou até para um laivo de pitanga! No final aparecem também as esperadas (para um grande bourgogne branco) notas de frutas secas e mel, e na boca o vinho é um deleite de tudo isso junto, com untuosidade e um perfeito equilíbrio entre fruta, acidez e madeira, deixando mais destacadas no retrogosto as notas de frutas maduras e a baunilha. Eu não sou de avaliar os vinhos numericamente, afinal não tenho nem técnica para isso, mas lá no meu livrinho anotei cinco estrelas para este "Les Jiromées" - ele merece!
Santé! Au revoir!

domingo, 27 de outubro de 2013

Boeuf bourguignon com Château des Villars Fontaine "Le Haut duVillage"1997

Salut les amis!
Mais uma experiência enogastronômica coroada de êxito para o meu livrinho de receitas! Para acompanhar um raríssimo vinho - um Château de Villars-Fontaine "le Haut du Village" safra 1997 produzido pelo método ancestral nas Hautes Côtes de Nuits - aceitei a sugestão do amigo Jean Claude Cara, que é o cicerone destes vinhos no Brasil, e decidi ir à cozinha fazer a também tradicional receita de bouef bourguignon. Junto aos kits de vinho propostos pelo amigo, que são importados pelo Emporio Mundo, ele sempre encaminha suas sugestões de receitas para harmonização. E eu não me canso de elogiar aqui ou em qualquer outro lugar este trabalho que eles vem fazendo, afinal um apaixonado por vinho francês como eu tem mais que agradecer mesmo o trabalho de garimpagem, importação e divulgação destas jóias que eles estão desenvolvendo aqui no Brasil.
Enfim, voltando a nosso assunto, a grosso modo o bouef é uma carne de panela cozida lentamente em vinho tinto - da Bourgogne, preferencialmente (mas como não tenho uma árvore de dinheiro apelei mesmo para um pinot noir chileno, já que foram quase 4 garrafas nesta preparação... rsrs) Para o prato precisamos de uma carne bem rija e com alguma gordura - na França eles utilizam um corte do dianteiro do boi, chamado paleron, mas aqui podemos utilizar o músculo mesmo. A carne deve marinar no vinho durante ao menos 12 horas junto com os temperos e depois disso passa horas no fogo brando, vai cenoura, champignon... Vocês não imaginam a delícia que é o perfume que exala da cozinha durante a preparação do prato...
Quanto ao vinho, ele é resultante de uma longa maceração de pinot noir de vinhas velhas das Hautes Côtes de Nuits (a região de encostas mais altas na porção norte da Côte d'Or, logo ao sul de Dijon, perto de Nuits-St.-Georges). Com uma bela cor rubi densa e muitas lágrimas densas e lentas, mesmo aos 16 anos ele não mostra visualmente sinais de evolução. Embora o tenha colocado para decantar bem antes da refeição, ainda mostrava um primeiro nariz fechado, e com mais algum tempo na taça começou abrir aromas de frutas vermelhas, sous bois, rosa, couro e especiarias. O Jean fala que eu tenho que abrir os vinhos de Villars Fontaine um dia antes, da próxima vez vou obedecer... Embora seja criado por muito tempo em barrica nova, os taninos bem integrados marcam boa presença e a madeira não deixa muitos vestígios. O longo tempo de élévage, neste caso (alguns vinhos deste château chegam a passar 48 meses no carvalho novo, sendo 200% de barrica nova, ou seja, 2 anos em barrica nova, depois trasfegado para outra barrica nova onde vai ficar por mais 2 anos). Encorpado, equilibrado, sem arestas. Final muito longo. Ainda tende a melhorar com mais alguns anos de garrafa, com o afinamento dos taninos e o reforço dos aromas terciários.



Uma ótima pedida para quem gosta de um verdadeiro vinho, artesanal, saudável, no qual o amor do vinhateiro pelo que faz transparece na grande qualidade resultante.
Vocês podem conhecer melhor a história deste lendo estre outro post.
Santé! Au revoir! 

sábado, 26 de outubro de 2013

Conheça o Château des Villars-Fontaine - um porto seguro da tradição na Bourgogne

Salut, les amis!
Este château é mesmo algo de muito especial na Bourgogne. Conheci sua história através do amigo Jean Claude Cara, do Éléphant Rouge. É propriedade de M. Bernard Hudelot, um verdadeiro estudioso e purista na arte de fazer vinho. Na região este senhor é um guardião da tradição dos vinhos de longue garde, como dizem por lá, que são os vinhos de grande extração, longa maturação, que precisam de muito tempo em barril e garrafa para serem arredondados, mas que preservam todas as boas propriedades relacionadas à saúde humana no consumo do vinho. M. Hudelot já desenvolveu e publicou muitos estudos sobre o assunto vinho & saúde, e para manter seu château produzindo vinhos dentro desta antiga e saudável tradição, elaborou um processo de divisão dos seus vinhedos em sociedades agrícolas, através das quais os amantes de vinho podem comprar cotas e tornarem-se "vignerons du couer", ou seja, "vinhateiros do coração". Desta maneira o château vende seus vinhos en primeur para os associados e não precisa recorrer aos financiamentos e à pressão dos bancos, como a maioria dos produtores locais, visto que o tempo de retorno para o investimento em vins de garde é mais longo.
É uma história magnífica que você pode conhecer um pouco mais assistindo ao vídeo abaixo (se o seu dispositivo não abre janelas em flash, clique neste link).

                                        

Com certeza estarei presente nesta visita que M. Hudelot fará ao Brasil ainda em 2.013, e assim que possível vou visitar o Château de Vilars Fontaine, afinal já estou com saudades daquele pedaço de paraíso na terra que é a Bourgogne.
E em breve postarei aqui no blog algumas impressões sobre os ótimos vinhos de Villars-Fontaine que já tive o prazer de provar.
Santé! Au revoir!

sábado, 19 de outubro de 2013

Viagem ao Chile

Salut les amis!
Fizemos - eu, minha mulher e as crianças - um belo passeio pelo Chile. Por causa dos nossos filhos, um deles com menos de um ano, ficamos apenas pelas cercanias de Santiago, mas essa restrição não impediu de conhecermos ótimos lugares na capital e no Vale do Maipo. Foi uma viagem curta, aproveitando o feriado prolongado aqui de São Paulo, mas foi fascinante.
Ficamos hospedados na Providencia - na verdade a "cidade" de Santiago é formada de diversas comunas, que são tipo mega-bairros, com administração independente. Escolhemos o simpático Hotel Le Rêve, localizado na Orrego Luco, uma travessa da Av. Providencia, importante centro comercial da capital, próximo de ótimos restaurantes, das grandes lojas de departamento e do Costanera Center (um novo e imenso centro comercial que comporta além de um shopping center o mais alto edifício da América Latina, com cerca de 300 metros de altura). O local da hospedagem foi mesmo uma escolha felicíssima.

Nosso primeiro almoço foi no restaurante Baco, localizado em outra travessa da Av. Providencia. Com inúmeras opções de vinho em taça e ótima variedade de pratos, o rancho foi excelente. Para começo de conversa, pedimos um Casa Lapostolle Cuvée Alexandre chardonnay 2007 e um Orzada carignan da Odfjell 2010. De entrada, terrine de foie gras, acompanhado dos ótimos pãezinhos que os restaurantes chilenos quase sempre preparam na casa e levam à mesa ainda quentinhos e crocantes. O chardonnay é do tipo pesadão, criado em barrica, super dourado e encorpado com aromas doces de frutas tropicais em compota e mel, na boca é gordo e lembra muito abacaxi em calda - gosto de Epocler! Achei desiquilibrado, mas há quem goste deste estilo. Por outro lado, o carignan da Odfjell é bem fresco e suculento, com um misto de frutas vermelhas e negras frescas, muito gostoso.



A Alessandra pediu um prato de camarões e continuou no chardonnay, enquanto eu fui no bouef bourguignon e pedi um Ventisquero Pangea 2008 para acompanhar. Escolha muito feliz, pois o prato veio apimentadinho (depois percebi que é normal por ali o uso de umas pimentas bem saborosas) e harmonizou perfeitamente com este vinho proveniente de Apalta que entrega tudo o que a cepa tem de bom. Púrpura, denso, frutado e especiado, com gostosas notas de chocolate e pimenta. Madeira e álcool muito bem integrados, redondo e gastronômico. Um almoço de muito boas-vindas ao Chile!
Nesse primeiro dia, ainda passeamos pelo Costanera Center, e após uma volta ao hotel para recarregar as baterias jantamos no Le Flaubert, um simpático bistrozinho perto do hotel.  Comi ceviche de camarões com um chardonnay Santa Ema (não podiam faltar os nomes de santa...). Simplesinho, baratinho e gostosinho. Fresco, com aromas de frutas cítricas e tropicais e ótima acidez, caiu muito bem com o ceviche e com o arroz de lula e saint-jacques que comi depois. A Alessandra mandou um ótimo coq au vin e de sobremesa um crepe suzette. O único problema do restaurante é que era pequenininho demais para uma família barulhenta como a nossa, com um bebê de dez meses num carrinho... mas justamente por ter poucos clientes a comida vem muito rápido, então com crianças, isso é um grande ponto positivo!
No dia seguinte fizemos um city tour pela capital, conhecendo locais como Paris-Londres (a vila com grandes casarões de influencia europeia), o Joquey Club, o centro histórico, a Plaza de Armas, a catedral, o palácio presidencial de La Moneda e o mercado municipal, que é um arremedo em comparação com o mercadão de São Paulo. De interessante ali os mais variados tipos de frutos-do-mar e os restaurantes desta especialidade com as gigantescas centollas expostas nas vitrines, junto com camisas de clubes de futebol. Por último conhecemos o Cerro Santa Lucía, um morro no meio da capital, antigo forte espanhol e que hoje é uma bela área verde. Nos chamou atenção, aliás, o belo paisagismo e a arborização da cidade, que tem a finalidade de combater um pouco a baixa umidade e a concentração da poluição causadas pela proximidade da Cordilheira.




Almoçamos no Giratorio, um restaurante giratório mesmo com uma bela vista panorâmica da cidade de Santiago, com os Andes, o Cerro São Cristóbal  e a comuna da Providencia emoldurando a paisagem. A comida também era muito boa, mas de novo senti a dificuldade pedir um bom branco para acompanhar um polvo grelhado. Estes restaurantes mais tradicionais sempre tem ótimos tintos na carta, mas não brancos... Acabei pedindo um San Pedro Castillo di Molina chardonnay (com nome de santo homem eu ainda não conhecia nenhum), que acabou se mostrando muito leve para o prato, que também continha pimentões, azeite e o tradicional mix de pimentas.


À noite fomos ao Parque Arauco, um mega-shopping center muito bem instalado, com um mix enorme de lojas, inclusive de grifes sofisticadas e restaurantes em uma bela área aberta, tipo boulevard. Jantamos em um restaurante de rede, novamente bons pratos puxadinhos nas pimentas.



No dia seguinte, acordamos bem cedo para fazer um tour por algumas vinícolas no Vale do Maipo (leia aqui no blog sobre nossas visitas à De Martino, Concha y Toro e Almaviva) e à noite fizemos nossa última refeição no Chile, em um ótimo bistrô chamado Del Cocinero, cujo proprietário e chef, muito simpático por sinal, é um ex-executivo que trabalhou durante muito tempo no Rio de Janeiro, por isso fala um português muito bom. A filhota comeu uma omelete de camarões deliciosa, minha mulher foi num prato de vieiras à la crème e eu mandei um ceviche de salmão com alcachofras e depois um ótimo spaghetti com frutos-do-mar, tudo acompanhado por um simples mas gostoso chardonnay Santa Ema, bem fresco e frutado.




No dia seguinte voltamos para o Brasil com a melhor impressão possível deste país de lindas paisagens e povo simpático e civilizado. 
No caminho para o aeroporto cruzamos com a comitiva presidencial, o motorista do taxi nos alertou: um Honda Civic escoltado por dois batedores em motocicletas. "Aqui não é como no Brasil", disse ele. "Os políticos aqui existem para servir ao Chile e seu povo, e não a si próprios, como ocorre no seu país. Estamos acompanhando pelos jornais o que está acontecendo lá, tomara que dê resultado para vocês" - disse sobre as manifestações de junho, apontando um jornal no bolso lateral da porta do carro: uma edição do Financial Times. Em inglês.
Meditemos.
Santé!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Château Labadie Gombaud Médoc 2010

Salut les amis!
Surpreendente é o mínimo que se pode falar desse grand vin de Bordeaux importado pelo Emporio Mundo através do grupo de Les Amis de Jean Claude.
Corte de merlot, cabernet sauvignon e cabernet franc, ao servi-lo na taça já pensei num chiste a fazer com os amigos Didier e Jean Claude: "vocês agora importam vinho do Novo Mundo?" - zombaria eu.
Só que não!!!
A cor densa e o primeiro nariz frutado, adocicado, enganam demais, porque depois da primeira volta do líquido na boca os aromas explodem (fruta negra madura, geleia, ameixa seca, depois especiarias), os taninos - finos - se apresentam, a acidez implora por um novo gole e o final, com um toque especiado, apimentado, faz um delicioso e elegante contraponto com a doçura da fruta e dos 14% de álcool. 
É produzido em Bégadan, comuna do baixo Médoc, próxima ao estuário do Gironde - região que recebe maior influência atlântica e que produz vinhos um pouco mais rústicos, segundo Hugh Johnson em seu Atlas Mundial, que nas apelações mais ao sul, de onde saem os Crus Classés da margem esquerda.
Vendido no site da importadora a R$100, eu considero uma boa relação preço/prazer.
E ao contrário dos vinhos alcoólicos e concentrados principalmente encontrados deste lado do Atlântico, é fácil enxugar uma garrafa deste Labadie Gombaud - e depois escrever uma resenha sobre ele bem alegre!!!


Santé! À la prochaine!

domingo, 6 de outubro de 2013

Domaine Rotier L'Âme Gaillac 2009

Salut les amis!
Há bastante tempo não escrevia aqui, já estava sentindo a falta!
E o que me inspirou desta vez foi mais um belo vinho francês trazido pelo Emporio Mundo através do clube dos Amis de Jean Claude. Sempre espero ansioso a chegada destes kits, porque sempre vem uma pérola depois da outra. E para um jantarzinho gostoso de sábado à noite eu escolhi este tinto quente e suculento, afinal já havia conhecido outro vinho deste Domaine (leia) e sabia que o L'Âme é seu principal produto, la tête de cuvée.
Ele é elaborado com as aqui obscuras cepas braucol e duras, tradicionais no sudoeste francês, um território ainda pouco conhecido dos brasileiros, embora produza jóias vinícolas às margens do Garonne, a montante de Bordeaux (Jurançon, Madiran e Cahors, por exemplo, são outras apelações do sudoeste, próximas a Gaillac). A AOC Gaillac localiza-se na histórica região de Albi, no Tarn, afluente do Rio Garonne, que por sua vez forma o Gironde na região de Bordeaux. Consultando o Atlas Mundial do Vinho e o Guide de Cépages de Oz Clarke, descobri que a braucol (que também pode ser chamada de fer servadou) e a duras são notáveis pela intensidade e aromas especiados, sendo a braucol um pouco mais rústica.
O vinho é de uma cor púrpura impenetrável, com bordas puxando para o rubi rosado demonstrando sua juventude, que depois se confirmou; forma lágrimas densas e lentas na taça, que fazem intuir a presença dos 14,5% de álcool. Abrem-se aromas de frutas vermelhas e negras, talvez destacando um pouco mais o aroma da groselha, e logo em seguida vem um golpe de pimenta negra, um pouco de cravo, tomilho ou outras ervas, o que o rende muito "elegante" no nariz. O uso de madeira é muito comedido, só se faz perceber por uma pontinha de tostado, esfumaçado. Na boca o equilíbrio é surpreendente, embora o álcool faça dele um vinho muito caloroso, a fruta e acidez marcante o fazem com uma textura aveludada, densa mas redonda. Com final prolongado e retrogosto especiado, eu adorei este vinho! 
E ainda por cima vem com um " brinde" no belo rótulo: uma poesia de Charles Baudelaire.


L'Ame du Vin

Un soir, l'âme du vin chantait dans les bouteilles:
«Homme, vers toi je pousse, ô cher déshérité,
Sous ma prison de verre et mes cires vermeilles,
Un chant plein de lumière et de fraternité!

Je sais combien il faut, sur la colline en flamme,
De peine, de sueur et de soleil cuisant
Pour engendrer ma vie et pour me donner l'âme;
Mais je ne serai point ingrat ni malfaisant,

Car j'éprouve une joie immense quand je tombe
Dans le gosier d'un homme usé par ses travaux,
Et sa chaude poitrine est une douce tombe
Où je me plais bien mieux que dans mes froids caveaux.

Entends-tu retentir les refrains des dimanches
Et l'espoir qui gazouille en mon sein palpitant?
Les coudes sur la table et retroussant tes manches,
Tu me glorifieras et tu seras content;

J'allumerai les yeux de ta femme ravie;
À ton fils je rendrai sa force et ses couleurs
Et serai pour ce frêle athlète de la vie
L'huile qui raffermit les muscles des lutteurs.

En toi je tomberai, végétale ambroisie,
Grain précieux jeté par l'éternel Semeur,
Pour que de notre amour naisse la poésie
Qui jaillira vers Dieu comme une rare fleur!»

— Charles Baudelaire

Santé!

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Visita à Almaviva

Salut les amis!
Concluindo nosso dia de visitas à vinícolas no Vale do Maipo, às 16 horas tínhamos horário marcado na Viña Almaviva, com a recomendação expressa de que não atrasássemos nem nos adiantássemos em nada deste horário. Isto posto desta maneira, somado à toda a aura de glamour que cerca esta vinícola (outro dia realizaram uma degustação em São Paulo - árias de Mozart e black tie em plenas cinco da tarde!), que é joint venture das aristocráticas Concha y Toro e a francesa Barons Phillipe de Rothschild, dava até um friozinho na barriga...
A vinícola se encontra na localidade de Pirque, bem próxima à Santiago, no interior de um tipo de condomínio industrial - só que de vinícolas - com seus respectivos vinhedos. Ao entrar pelo portão principal, antes de chegar à Almaviva, passamos por galpões de Chadwick, por exemplo. 
Mas assim que chegamos fomos descontraidamente recebidos pela Adelaide, uma jovem guia muito simpática (aliás, acho difícil alguém se manter antipático depois de um dia inteiro acompanhando visitas e degustações do Almaviva...). Todo o tempo, entre a visita a uma ou outra instalação, ela ficou brincando com meus filhos, e minha menina fez até questão de tirar uma foto com ela. Pelo visto, muito pouca gente procura esta vinícola, então eles tem tempo e disposição para atender muito bem - e individualmente - seus visitantes.




A visita começou no vinhedo, onde a Adelaide nos explicou que a irrigação ali é subterrânea, a mangueria micro-perfurada corre paralelamente às vinhas em uma profundidade de 80 centímetros. Entrando na vinícola, começamos pela parte superior do belo galpão, construído totalmente em madeira, onde as uvas são recebidas através de uma empilhadeira, em pequenas caixas plásticas, e daí pra frente só seguem pela ação da gravidade até o vinho ser engarrafado. Nesta espécie de mezanino é feita a rigorosa seleção dos bagos, com dupla triagem e seleção dos bagos por soprador de ar. O desengace é feito mecanicamente e a prensagem, logicamente, de cada cepa separadamente. 




Então cada mosto é encaminhado para sua respectiva cuba de inox, onde fica um bom período (umas três semanas) em maceração, com remuage feita com bomba hidráulica. O vinho fermentado é então prontamente transferido para as barricas de carvalho francês novo, onde ele se estabiliza por um período antes de ser cortado com outras cepas. A parte sólida do mosto é prensada, dando origem ao Epu, segundo vinho da casa, que é cortado com caldos que não foram selecionados para fazer parte da assemblage do Almaviva. O corte do Almaviva geralmente tem tendência a obedecer um estilo bordalês, com maior quantidade de cabernet sauvignon (ao menos 60%), cabernet franc e merlot, mas também carmenère e petit verdot e até syrah quando preciso. Depois do corte os vinhos voltam para as barricas até completarem dois anos, sendo então engarrafados e deitados por mais um ano antes da comercialização. Um detalhe interessante é que quando a carmenère não atinge ali no Maipo um grau de maturação que eles acham necessário para "amaciar" a assemblage, eles compram uvas provenientes de Peumo, um terroir que geralmente fornece a melhor carmenère do Chile, em todos os anos.
Descemos então para conhecer as cubas de inox, todas equipadas com um tecnológico sistema de resfriamento, os chais onde são armazenadas as barricas e a linha de engarrafamento do vinho, da qual segue abaixo um pequeno vídeo:


Se imaginarmos cada garrafa a uns 200 dólares...



Depois de conhecermos toda a belíssima vinícola, cujas linhas arquitetônicas tem a intenção de integrar o moderno à paisagem da Cordilheira dos Andes e às tradições dos índios mapuches, ancestrais habitantes do Valle Central, fomos à degustação do Almaviva, safra 2008. 


Eu já havia provado em casa a safra 2009, então achei que o 2008 parece ser mais doce na boca, com taninos mais redondos e predominância dos aromas doces de frutas confitadas e chocolate. É um grande vinho, com grande expressão aromática, grande corpo e concentração, embora eu tenha achado o 2009 melhor, com mais característica da cabernet sauvignon, mais austeridade e menos doçura na boca.


Ao término da degustação um fato curioso me chamou a atenção: em um laboratório ali perto algumas jovens trabalhavam entre provetas e balões de ensaio quando um outro jovem , certamente enólogo da casa, entrou e começou a provar alguns vinhos que estavam dentro de uma caixa sobre o balcão.


 Depois que ele saiu eu me aproximei do visor de vidro e constatei que a caixa continha, além de diversas safras do Almaviva, Clos Apalta, Montes M, Don Melchor, Carmim de Peumo, Altaïr, Don Maximiano, Seña... só "iconos", como les dizem. E não pude deixar de sair de lá com uma pontinha de uma doce inveja, deste pessoal que trabalha num lugar tão lindo e ainda por cima tem a obrigação de ficar provando estas coisas!




Santé, les amis!



quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Visita à Concha y Toro

Salut les amis!
Nesta última viagem ao Chile fizemos uma visita à maior vinícola chilena, a Concha y Toro. Atualmente uma S.A., esta tradicional empresa, fundada no séc. XIX por Don Melchor de Concha y Toro, possui apenas um descendente seu em seu quadro societário, com apenas 4% das ações, que lhe rendem uns meros 12 milhões de dólares ao ano.


A vinícola possui cerca de 7800 hectares de vinhas por todo o Chile, e sua sede se encontra em Pirque, a uns 25km do centro de Santiago. Essa cidadezinha às margens do Rio Maipo, no chamado Vale Central, tem esse nome por causa das pircas, tradicionais mutretas de pedra feitas com as pedras roladas do rio, barro e telhas coloniais, e que ainda hoje separam muitas propriedades na região, tais como os clos franceses. 
Vindos da De Martino e a caminho da Almaviva, no meio do camino de volta à Santiago, fizemos esta visita à Concha y Toro, talvez a menos surpreendente visita entre estas três vinícolas. Digo isto posto o tamanho da empresa e sua preparação para receber tantos visitantes, esperávamos mesmo algo mais padrão turístico, ainda mais porque as visitas mais elaboradas, com acompanhamento dos enólogos e degustações mais elaboradas, não estavam disponíveis nesta data - a empresa retornava de um longo período de greve.

Como chegamos quase na hora do Almoço, aproveitamos o belo wine bar da vinícola, onde começamos pedindo uma bela porção de queijos variados. Lá eles servem todos os bons vinhos da casa, em dois tamanhos de taça. Comecei então pedindo uma taça do Amelia chardonnay, enquanto que a Alessandra pediu uma taça do Epu - o segundo vinho da Almaviva, que é uma joint venture da Concha y Toro com a francesa Baron Philippe de Rothschild. 

O Amelia, feito com uvas provenientes do vale de Cachapoal, safra 2011, elevado por 11 meses em barricas francesas de primeiro uso, se mostrou um vinho surpreendente, pois no nariz parecia um daqueles chardonnay bem ricos e amadeirados, com aromas doces de frutas tropicais e baunilha, mas na boca demonstrou uma acidez muito boa e um frutado cítrico bastante fresco. O Epu, também 2011, feito com carmenère do Vale do Maipo mesmo, se mostrou um vinho muito denso e maduro, com aromas de frutas negras e chocolate, muito concentrado e doce na boca, com taninos muito redondos e um final bem prolongado.
Tanto este vinho como o Carmím de Peumo que pedi depois combinaram muito bem com o prato que comemos: um corte alto de filé acompanhado por batatas e chips de algum tubérculo local, misto de mandioquinha e cenoura. 

O Carmím é o carmenère top da Concha y Toro, elaborado com uvas vindas da região de Peumo, tida como a melhor região chilena para o cultivo desta cepa, onde ela obtém a melhor maturação, e onde todas as grandes vinícolas procuram buscar parte das uvas para elaboração de seus rótulos "íconos", como costumam dizer por lá. No caso da safra em questão, 2008, este vinho foi cortado com um pouquinho das cabernets sauvignon e franc, o que certamente quebrou um pouco a doçura da carmenère deixando o conjunto mais elegante. O vinho demonstrou uma complexidade aromática muito grande, de frutas negras, ameixa seca, violeta, tabaco e chocolate amargo, além de especiarias doces. Um grande corpo, com taninos presentes mas bem finos. São todos vinhos com um alto grau de qualidade, mas me parecem produtos friamente projetados e elaborados para serem blockbusters e receberem grandes notas dos críticos especializados - na garrafa não parece ter parte do gosto e da alma de um vinhateiro, mas sim um projeto de um designer.
Depois desse belo almoço fizemos o tour pela vinícola acompanhados de um guia que iniciou nos mostrando a imensa casa de veraneio de Don Melchor, ao redor da qual foi plantado um enorme jardim em estilo vitoriano projetado por arquitetos franceses importados pelo aristocrata, então milionário do ramo da mineração.



Prosseguimos indo conhecer os vinhedos, inclusive uma área "berçário" onde é feita a enxertia para multiplicação das vinhas. Em seguida visitamos os chais das barricas de carvalho, nas quais são elevadas as linhas de vinho superiores da vinícola.



E por último descemos à cave onde é elevado o Don Melchor, "ícono" da Concha y Toro, elaborado quase que totalmente com cabernet sauvignon ali do Maipo mesmo. Nesta cave, no escuro, há uma apresentação audiovisual da lenda do casillero del diablo, um espacinho reservado da adega onde o patrão guardava os melhores vinhos, reservados para consumo da sua família, ocasião em que ele teve que espalhar boatos que um demônio cuidava dessa adega para se preservar de empregados gatunos que subtraíam algumas garrafas. Essa lenda deu origem à linha de vinhos mais exportada pela empresa, talvez a mais difundida marca vinícola em todo o mundo.




Degustamos uns vinhos simples da casa, um sauvignon blanc e um cabernet sauvignon, e levamos as taças como regalo. Em seguida fizemos ótimas compras na boa loja da vinícola, que tem toda a linha de produtos a bons preços, além de muitos souvenirs e gadgets para amantes do vinho.
Em suma, ainda que não nos tivesse surpreendido, por se tratar de uma visita standardizada e em série, considero que valeu muito a pena termos visitado esta vinícola, por se tratar de um lugar muito bonito, cujos wine bar e loja são ótimos e - como disse um amigo - ir ao Chile e não conhecer o capetinha do casillero é como ir à Roma e não ver o Papa (!!!).
Santé! Au revoir! 




quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Côtes du Rhône blanc Domaine Roche-Audran

Salut les amis!
Hoje resolvi provar o risoto de abóbora e gorgonzola que a Alessandra inventou com este vinho, que o Didier do Emporio Mundo encaminhou junto com os vinhos do Château des Villars Fontaine do kit do grupo dos Les Amis do Jean Claude Cara. Da ultima vez que ela fez este risoto, harmonizamos com um jurançon doce, posto que ela acrescentou um pouco de mel à receita e na ocasião o casamento foi divino. Para acompanhar este vinho seco, resolvi então fazer umas adaptações, retirando o mel e substituindo parte do gorgonzola por chèvre, o que se mostrou providencial.
O vinho, corte de grenache blanc com viognier, tem uma cor amarela clara muito límpida e brilhante com lágrimas densas. Nariz de frutas brancas, pêssego, marmelo, lichia, muito floral e herbáceo, um fundinho lácteo; e eu, que não conhecia muito bem brancos do Rhône, lembrei um pouco dos torrontés argentinos, o que me fez esperar algum peso, muita fruta e doçura na boca. Pelo contrário, na boca tem corpo médio e ótima acidez e se foi criado em barrica só se percebe por esta característica láctea, que lembra iogurte; o herbáceo se abre em erva-doce e algo mais verde, tipo capim limão (!?). Enfim, é um vinho muito aromático, bem equilibrado e de final persistente, um belo vinho.
Belo trabalho que o pessoal do Emporio Mundo lá de Florianópolis tem feito, sorte a eles e que continuem trazendo estes achados pro Brasil!


Santé!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Visita à De Martino

Salut les amis!
Em minha recente visita à Santiago demos uma volta pelo Vale do Maipo a fim de conhecermos três vinícolas e a primeira escolhida foi a De Martino, localizada a uns 50km a sudoeste da capital. Marcamos esta visita logo pela manhã, às nove horas, pois no caminho de volta, durante o dia, ainda passaríamos por Concha y Toro e Almaviva. Posso dizer que a visita a esta vinícola de origem italiana foi a mais surpreendente das três.
Há 75 anos no Chile sob a direção de uma mesma família de origem italiana (já é a quarta geração que começa a comandar a vinícola), recentemente a De Martino deu uma reviravolta na sua vitivinicultura e, a partir de 2004, sob a batuta de Marcelo Retamal e sua equipe de enólogos, adotou uma condução mais natural do vinhedo que, aliadas à outras práticas na cantina, buscam resultar em vinhos mais puros e representativos do terroir. Tal trabalho teve o auxílio imprescindível de Pedro Parra, o "Dr. Terroir", geólogo consultor que há tempos escava poços no Chile estudando a composição do solo para melhor adaptação das cepas ao terreno.
Calicata no vinhedo de Santa Inês
Chegando à propriedade de Santa Inês, sede da vinícola, na localidade de Isla de Maipo, fomos atendidos por Maria Jesús, que primeiramente nos conduziu a um vinhedo de sangiovese. Ali ela nos demonstrou a calicata, um poço escavado através do qual o Dr. Parra estuda a composição do sub-solo. Neste caso, um solo aluvional bastante profundo, com grandes seixos rolados, do tamanho de uma grande pedra-de-mão (nós, pedreiros, chamávamos outrora de pedra-de-mão aquela utilizada nas antigas paredes de cantaria, quando o companheiro segurava a pedra bruta a ser assentada com uma das mãos e a trolha com argamassa na outra). Isso se deve ao fato de uma grande parte do vale do Maipo ter sido antigamente leito do rio, que corria em meandros pela região rolando as rochas vulcânicas provenientes da Cordilheira dos Andes. Como este solo praticamente não retém água, é necessária a irrigação por gotejamento, duas vezes por semana, durante dez horas cada vez. A mangueira de irrigação é amarrada nas estacas sob o arame inferior de condução das vinhas, que são podadas em lira. 
Vinha de sangiovese conduzida em lira
A guia explicou ainda que no Chile os vinhedos são plantados nas direções norte-sul ou leste-oeste, de acordo com outras características do terroir como inclinação e exposição ao vento e que este vinhedo particularmente foi originalmente plantado, há uns dez anos atrás, em uma direção errada (norte-sul). Depois fiquei sabendo que a intenção da vinícola era colher a sangiovese sobremadura para fazer um vinho doce tipo vin santo mas os bagos não atingem o grau de maturação adequado para isso neste vinhedo. A De Martino atualmente trabalha para converter seus vinhedos em orgânicos, e o primeiro passo foi utilizar apenas adubo proveniente de compostagem de matéria orgânica (o material mais escuro no pé das vinhas na foto acima). O vinhedo é bonito, entremeado com plantação de flores, que tem o intuito de antecipar a ocorrência de doenças como o míldio, que afeta antes as flores que as vinhas, possibilitando assim um tratamento natural, reduzindo ou até eliminando o uso de defensivos químicos.
Em seguida fomos conhecer o processo de produção do vinho, com destaque para a minuciosa seleção dos bagos, que passa por duas esteiras de triagem e seleção dos bagos maiores com utilização de um soprador de ar. Bagos pequenos, que resultam em mais açúcar, cor e tanino ao vinho, são descartados (!) e seguem junto com os engaços para a compostagem. Segundo Maria Jesús, a política da empresa é deixar de fazer vinhos "Pamela Anderson" - exuberantes mas artificiais - para elaborar vinhos tipo "Natalie Portman", de beleza e elegância intrínsecas e naturais.
Esteiras de triagem 

Prensa hidráulica
Das mesas e triagem em diante os bagos são conduzidos por uma tubulação resfriada por uma solução refrigerante (glicol), a fim de se evitar a oxidação e manter o frescor da uva. Depois de prensados, os bagos maceram em cubas de inox e algumas linhas de vinhos descansam depois em carvalho. Barricas bordalesas usadas ainda são muito utilizadas com o intuito de amaciar o vinho pela microoxigenação - os enólogos não desejam uma interferência notável da madeira nas características organolépticas do vinho. Tanto que ultimamente compraram uma boa quantidade de foudres, enormes barris austríacos de carvalho alemão com 5000 litros de capacidade, com a intenção de diminuir a superfície de contato do vinho com o barril.
Foudres
Vista geral do chai de barricas
Visitamos depois o chai onde são guardadas as tinajas - grandes ânforas de barro que a De Martino comprou nos rincões do Chile, onde também descobriu vinhas velhas de cinsault, no Vale do Itata, com as quais produziram um vinho pelo método ancestral. Os cachos são lançados dentro da ânfora, que é lacrada com filme plástico, e lá dentro sofrem a maceração carbônica disparada pelo peso próprio dos bagos. Depois os sólidos são separados do mosto em fermentação, que volta para maturar nas tinajas, agora lacradas com barro. Eu já havia provado este vinho no Brasil, mas nesta visita tivemos a oportunidade de degustar um "Viejas Tinajas" Edición Especial, safra 2012, corte de cinsault com carignan provenientes do vale do Maule, e na ultima safra também vinificaram um branco de moscato. São mesmo vinhos surpreendentes - embora este tipo de maceração proporcione vinhos frutados e muitas vezes leves (caso de muitos beaujolais, por exemplo), neste caso o vinho tem um corpo muito bom e uma textura licorosa na boca, mesclando muito bem a fruta com o gostinho terroso proporcionado pelas tinajas.
Vinho em fermentação nas tinajas
Na degustação após a visita à produção degustamos também um ótimo chardonnay da linha Legado,  um gran reserva do Vale del Limarí, safra 2011, que demonstra o frescor deste vale, que embora seja mais ao norte do Valle Central é mais frio, pois se encontra onde a cordilheira da Costa perde altitude e permite que o vento frio vindo do oceano, resfriado pela corrente de Humboldt, crie um terroir mais fresco onde as uvas tem maior dificuldade de atingir uma sobrematuração, mantendo bastante acidez. Este vale também foi área oceânica num passado distante, então o solo, além dos aluviões, também é composto por muita matéria calcária proveniente de fósseis marinhos. Isso confere ao vinho um caráter mineral muito intenso, gosto de giz, aliado a aromas de frutas cítricas e tropicais, terminando em um pouquinho de mel. Uma delícia. 
Provamos também um inusitado corte de cerca de 60% malbec, 30% carmenère e o restante de diversas uvas, de um single vineyard chamado Las Cruces, no Vale do Cachapoal. Digo inusitado porque esta porcentagem é aproximada, visto que o vinhedo foi plantado com várias cepas juntas, aleatoriamente, então a colheita e a vinificação é feita toda junta e misturada. Vinho de grandes nuances aromáticas, e boa estrutura. Todos estes vinhos tem uma ótima relação qualidade/preço, e estão disponíveis para venda no Brasil (são importados pela Decanter).
E para terminar a visita, pudemos faz nossa própria assemblage, utilizando três vinhos da linha 347 Vineyards - um syrah, um carmenère e um cabernet sauvignon. Até que o meu corte ficou gostosinho, um blend de syrah com cabernet sauvignon com uma pitada de carmenère para dar uma "adoçada" no conjunto. Engarrafamos, arrolhamos, colocamos a cápsula e a etiqueta e voilà! Criamos cada um de nós uma garrafa do "Mio", que trouxemos para casa, junto com mais algumas garrafas e souvenirs da simpática lojinha da vinícola, entre esses uma miniatura de tinaja.
A Alessandra fazendo sua assemblage

Colocando a rolha utilizando uma ferramenta antiga
Digo que esta visita foi a mais surpreendente que fiz à vinícolas chilenas pois esperava algo antigo, tradicional, mas logo que chegamos vimos instalações modernas, galpões novos, novíssimas cubas de inox e foudres de carvalho, com uma produção de 16 milhões de garrafas/ano, mais de 90% voltadas à exportação, além de que pudemos constatar uma mentalidade inovadora, com o propósito de chacoalhar o cenário vinícola chileno em busca de identidades locais, e não apenas em busca de blockbusters, como fazem outras tantas vinícolas chilenas.
Au revoir! Santé!