domingo, 26 de maio de 2013

Fvlvia Pinot Noir 2011 na Enoteca Saint Vinsaint

Salut les amis!
Recentemente estivemos, eu e a patroa, na Enoteca Saint Vinsaint para comemorarmos uma bela data: nosso aniversário de 11 anos de casamento! Que beleza! E como enófilos andreenses que somos, a cada saidinha dessas convém deixar a prole na casa da sogrinha e reservar restaurante e hotel em SP, visto que a onda do bafômetro pegou mesmo.
Eu já havia visitado este simpático bistrô no ano passado, em um curso sobre vinhos da Borgonha, e tinha gostado muito do ambiente, principalmente tendo conhecimento do respeito que os proprietários - o casal Lis Cereja (chef) e Ramatis Russo (sommelier) tem com o vinho e com os amantes desta bebida.
De entrada pedimos uma taça de espumante Pizzato brut, como todos os vinhos desta casa, bem acima da média dos vinhos nacionais. E pedimos como entrada uma terrine de foie gras com figos e vinho do Porto, que estava uma delícia!
Eu já estou naquele ponto em que escolho primeiro o vinho e depois um prato para acompanhá-lo bem, então eu vi na carta um tinto que estava curioso para provar devido às controvérsias em torno dele que eu vira aqui na blogosfera: o Fvlvia pinot noir do atelier Tormentas, do vinhateiro-fotógrafo Marco Daniele, que faz vinhos "de autor" na Serra Gaúcha. A controvérsia reside no fato de o autor deste vinho, entre outros de seu portfolio, utilizar técnicas naturais de manuseio da vinha e vinificação, o que realmente ainda não caiu no gosto da maioria do público consumidor brasileiro, que tem o paladar mais acostumado a vinhos fáceis de beber vindos dos dois lados dos Andes...
O vinho tem uma bela cor rubi clara na taça, com as bordas rosadas e com muitas lágrimas lentas e transparentes. Como de se esperar de um vinho desta natureza, o nariz a princípio é um pouco fechado, com aromas terrosos, de sous-bois e um animal forte, tipo couro cru - cheiro de estábulo mesmo! e acho que isso é o que causa tanta estranheza a princípio. Ao girar o vinho na taça, o líquido mostra uma densidade especial, quase licorosa, e com o tempo e a aeração começa a desprender os aromas de fruta e florais. O próprio contra-rótulo adverte que em algumas garrafas pode ocorrer uma pequena refermentação, e orienta para quando isso acontecer, colocar o vinho no decanter e agitar vigorosamente para liberar o CO2 formado - junto com o fato de o vinho de o vinho não ser filtrado e possuir algum depósito, creio que também são fatores de estranheza para muitos. Depois vão aparecendo os aromas de morango, cereja, alguma especiaria doce e eu achei até algum cacau. Na boca é muito macio (é criado 100% em barricas, mas sinceramente a madeira é quase nula, só teve papel mesmo neste amaciamento), tem uma boa acidez e o fundo de copo é frutado, quase doce, prolongado. Na minha modesta opinião, é um ótimo vinho. Cheio de sutilezas, é muito mais elegante que alguns bons pinot noir do Novo Mundo que já provei. Me faz lembrar da Borgonha...
E como não podia deixar de ser, o prato escolhido para escoltar o belo vinho foi o tradicional risoto de bouef bourguignon da Enoteca, cozido em fogo lento durante oito horas em... pinot noir!
Enfim, nosso jantar de comemoração foi um verdadeiro sucesso, e com certeza voltarei a tomar este vinho e visitar a simpatissíssima Enoteca Saint Vinsaint para degustar novos pratos deliciosos e joias como este Fvlvia.
Santé!


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