quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Visita à Concha y Toro

Salut les amis!
Nesta última viagem ao Chile fizemos uma visita à maior vinícola chilena, a Concha y Toro. Atualmente uma S.A., esta tradicional empresa, fundada no séc. XIX por Don Melchor de Concha y Toro, possui apenas um descendente seu em seu quadro societário, com apenas 4% das ações, que lhe rendem uns meros 12 milhões de dólares ao ano.


A vinícola possui cerca de 7800 hectares de vinhas por todo o Chile, e sua sede se encontra em Pirque, a uns 25km do centro de Santiago. Essa cidadezinha às margens do Rio Maipo, no chamado Vale Central, tem esse nome por causa das pircas, tradicionais mutretas de pedra feitas com as pedras roladas do rio, barro e telhas coloniais, e que ainda hoje separam muitas propriedades na região, tais como os clos franceses. 
Vindos da De Martino e a caminho da Almaviva, no meio do camino de volta à Santiago, fizemos esta visita à Concha y Toro, talvez a menos surpreendente visita entre estas três vinícolas. Digo isto posto o tamanho da empresa e sua preparação para receber tantos visitantes, esperávamos mesmo algo mais padrão turístico, ainda mais porque as visitas mais elaboradas, com acompanhamento dos enólogos e degustações mais elaboradas, não estavam disponíveis nesta data - a empresa retornava de um longo período de greve.

Como chegamos quase na hora do Almoço, aproveitamos o belo wine bar da vinícola, onde começamos pedindo uma bela porção de queijos variados. Lá eles servem todos os bons vinhos da casa, em dois tamanhos de taça. Comecei então pedindo uma taça do Amelia chardonnay, enquanto que a Alessandra pediu uma taça do Epu - o segundo vinho da Almaviva, que é uma joint venture da Concha y Toro com a francesa Baron Philippe de Rothschild. 

O Amelia, feito com uvas provenientes do vale de Cachapoal, safra 2011, elevado por 11 meses em barricas francesas de primeiro uso, se mostrou um vinho surpreendente, pois no nariz parecia um daqueles chardonnay bem ricos e amadeirados, com aromas doces de frutas tropicais e baunilha, mas na boca demonstrou uma acidez muito boa e um frutado cítrico bastante fresco. O Epu, também 2011, feito com carmenère do Vale do Maipo mesmo, se mostrou um vinho muito denso e maduro, com aromas de frutas negras e chocolate, muito concentrado e doce na boca, com taninos muito redondos e um final bem prolongado.
Tanto este vinho como o Carmím de Peumo que pedi depois combinaram muito bem com o prato que comemos: um corte alto de filé acompanhado por batatas e chips de algum tubérculo local, misto de mandioquinha e cenoura. 

O Carmím é o carmenère top da Concha y Toro, elaborado com uvas vindas da região de Peumo, tida como a melhor região chilena para o cultivo desta cepa, onde ela obtém a melhor maturação, e onde todas as grandes vinícolas procuram buscar parte das uvas para elaboração de seus rótulos "íconos", como costumam dizer por lá. No caso da safra em questão, 2008, este vinho foi cortado com um pouquinho das cabernets sauvignon e franc, o que certamente quebrou um pouco a doçura da carmenère deixando o conjunto mais elegante. O vinho demonstrou uma complexidade aromática muito grande, de frutas negras, ameixa seca, violeta, tabaco e chocolate amargo, além de especiarias doces. Um grande corpo, com taninos presentes mas bem finos. São todos vinhos com um alto grau de qualidade, mas me parecem produtos friamente projetados e elaborados para serem blockbusters e receberem grandes notas dos críticos especializados - na garrafa não parece ter parte do gosto e da alma de um vinhateiro, mas sim um projeto de um designer.
Depois desse belo almoço fizemos o tour pela vinícola acompanhados de um guia que iniciou nos mostrando a imensa casa de veraneio de Don Melchor, ao redor da qual foi plantado um enorme jardim em estilo vitoriano projetado por arquitetos franceses importados pelo aristocrata, então milionário do ramo da mineração.



Prosseguimos indo conhecer os vinhedos, inclusive uma área "berçário" onde é feita a enxertia para multiplicação das vinhas. Em seguida visitamos os chais das barricas de carvalho, nas quais são elevadas as linhas de vinho superiores da vinícola.



E por último descemos à cave onde é elevado o Don Melchor, "ícono" da Concha y Toro, elaborado quase que totalmente com cabernet sauvignon ali do Maipo mesmo. Nesta cave, no escuro, há uma apresentação audiovisual da lenda do casillero del diablo, um espacinho reservado da adega onde o patrão guardava os melhores vinhos, reservados para consumo da sua família, ocasião em que ele teve que espalhar boatos que um demônio cuidava dessa adega para se preservar de empregados gatunos que subtraíam algumas garrafas. Essa lenda deu origem à linha de vinhos mais exportada pela empresa, talvez a mais difundida marca vinícola em todo o mundo.




Degustamos uns vinhos simples da casa, um sauvignon blanc e um cabernet sauvignon, e levamos as taças como regalo. Em seguida fizemos ótimas compras na boa loja da vinícola, que tem toda a linha de produtos a bons preços, além de muitos souvenirs e gadgets para amantes do vinho.
Em suma, ainda que não nos tivesse surpreendido, por se tratar de uma visita standardizada e em série, considero que valeu muito a pena termos visitado esta vinícola, por se tratar de um lugar muito bonito, cujos wine bar e loja são ótimos e - como disse um amigo - ir ao Chile e não conhecer o capetinha do casillero é como ir à Roma e não ver o Papa (!!!).
Santé! Au revoir! 




5 comentários:

  1. Muito legal seu relato, Carlos!
    De fato, é visita obrigatória.
    Pra mim, o mais legal da CyT é a grande oferta de vinhos por taça e a preços pagáveis. Quando fui, provei o Epu, o Terrunyo S. Blanc e um Don Melchor de safra antiga (talvez 2000). Valeu muito a pena.
    Abs,
    Vitor
    loucoporvinhos.blogspot.com.br

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    1. Obrigado, Vitor!
      Certamente vale a pena, eu tive a oportunidade de ficar um dia inteiro e visitar três vinícolas, mas para quem só tem tempo de conhecer uma - foi o caso da tia da minha mulher - o melhor é ir somente à CyT, um passeio muito agradável e bem pertinho de Santiago.
      Abraços,
      Carlos

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  2. Carlos, concordo com você, não há motivo para abdicar da visita à CyT. Bons vinhos e um belo lugar.
    Dali, vale a pena dar uma esticadinha e passar também na Almaviva, que não é muito longe.

    Abraço.
    Felipe.
    http://bebadovinho.blogspot.com.br

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    1. Felipe, a visita à Almaviva é assunto para o próximo post! rsrs Também estive na De Martino, você viu? http://conservadonovinho.blogspot.com.br/2013/08/visita-de-martino.html
      Abraços,

      Carlos

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    2. Vi sim. Acabei de ler o post da Almaviva rs.

      Abraço.

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