domingo, 6 de outubro de 2013

Domaine Rotier L'Âme Gaillac 2009

Salut les amis!
Há bastante tempo não escrevia aqui, já estava sentindo a falta!
E o que me inspirou desta vez foi mais um belo vinho francês trazido pelo Emporio Mundo através do clube dos Amis de Jean Claude. Sempre espero ansioso a chegada destes kits, porque sempre vem uma pérola depois da outra. E para um jantarzinho gostoso de sábado à noite eu escolhi este tinto quente e suculento, afinal já havia conhecido outro vinho deste Domaine (leia) e sabia que o L'Âme é seu principal produto, la tête de cuvée.
Ele é elaborado com as aqui obscuras cepas braucol e duras, tradicionais no sudoeste francês, um território ainda pouco conhecido dos brasileiros, embora produza jóias vinícolas às margens do Garonne, a montante de Bordeaux (Jurançon, Madiran e Cahors, por exemplo, são outras apelações do sudoeste, próximas a Gaillac). A AOC Gaillac localiza-se na histórica região de Albi, no Tarn, afluente do Rio Garonne, que por sua vez forma o Gironde na região de Bordeaux. Consultando o Atlas Mundial do Vinho e o Guide de Cépages de Oz Clarke, descobri que a braucol (que também pode ser chamada de fer servadou) e a duras são notáveis pela intensidade e aromas especiados, sendo a braucol um pouco mais rústica.
O vinho é de uma cor púrpura impenetrável, com bordas puxando para o rubi rosado demonstrando sua juventude, que depois se confirmou; forma lágrimas densas e lentas na taça, que fazem intuir a presença dos 14,5% de álcool. Abrem-se aromas de frutas vermelhas e negras, talvez destacando um pouco mais o aroma da groselha, e logo em seguida vem um golpe de pimenta negra, um pouco de cravo, tomilho ou outras ervas, o que o rende muito "elegante" no nariz. O uso de madeira é muito comedido, só se faz perceber por uma pontinha de tostado, esfumaçado. Na boca o equilíbrio é surpreendente, embora o álcool faça dele um vinho muito caloroso, a fruta e acidez marcante o fazem com uma textura aveludada, densa mas redonda. Com final prolongado e retrogosto especiado, eu adorei este vinho! 
E ainda por cima vem com um " brinde" no belo rótulo: uma poesia de Charles Baudelaire.


L'Ame du Vin

Un soir, l'âme du vin chantait dans les bouteilles:
«Homme, vers toi je pousse, ô cher déshérité,
Sous ma prison de verre et mes cires vermeilles,
Un chant plein de lumière et de fraternité!

Je sais combien il faut, sur la colline en flamme,
De peine, de sueur et de soleil cuisant
Pour engendrer ma vie et pour me donner l'âme;
Mais je ne serai point ingrat ni malfaisant,

Car j'éprouve une joie immense quand je tombe
Dans le gosier d'un homme usé par ses travaux,
Et sa chaude poitrine est une douce tombe
Où je me plais bien mieux que dans mes froids caveaux.

Entends-tu retentir les refrains des dimanches
Et l'espoir qui gazouille en mon sein palpitant?
Les coudes sur la table et retroussant tes manches,
Tu me glorifieras et tu seras content;

J'allumerai les yeux de ta femme ravie;
À ton fils je rendrai sa force et ses couleurs
Et serai pour ce frêle athlète de la vie
L'huile qui raffermit les muscles des lutteurs.

En toi je tomberai, végétale ambroisie,
Grain précieux jeté par l'éternel Semeur,
Pour que de notre amour naisse la poésie
Qui jaillira vers Dieu comme une rare fleur!»

— Charles Baudelaire

Santé!

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