sábado, 30 de março de 2013

Masi Passo Doble Corvina-Malbec 2006 - argentino com alma italiana

Salut, mes amis!
Dia desses dessarolhei esta garrafa - corte de 65% malbec, 5% merlot e 30% corvina - sem grandes esperanças, afinal a malbec não é das minhas favoritas, mas me surpreendi pelo equilíbrio do vinho. Possui uma cor rubi muito densa e brilhante, com reflexos púrpura, lágrimas densas e coloridas. Aromas de frutas vermelhas, vegetais, muita especiaria e uma pontinha de tabaco. Na boca confirmou as frutas bem maduras, pimentão vermelho, azeitona, pimenta, cravo... o que eu mais gostei deste corte é que a corvina deu uma "quebrada" na fruta exuberante da malbec, aportando acidez e um pouco daquele "amarguinho" característico dos vinhos do Vêneto - os valpolicella e bardolino. Detalhe é que a corvina é passificada antes de ser prensada (conforme a tradição dos amarone) e adicionada ao corte de malbec e merlot, provocando então uma segunda fermentação. Acho que isso é fundamental para a boa integração dos aromas que este vinho apresenta. Vinho muito redondo, com taninos finíssimos (já se foram 7 anos na garrafa...).
Ótima relação preço/qualidade, atualmente vale 55 moedas na Mistral (safra 2009).
Santé!

Bordeaux Réserve Spéciale Rouge 2006 Barons de Rothschild

Salut les amis!
O vinhozinho em questão estava esquecido há algum tempo aqui no fundo da adega, e como o jantarzinho pedia um cabernetzinho para acompanhar, fui procurar e pumba! dei de cara com este malandro.
Corte de merlot e cabernet sauvignon. Tem uma cor rubi medianamente profunda, bordas tendendo ao granada, já denotando certa evolução, com lágrimas densas e transparentes. Aromas de frutas negras, pontinhas de tabaco, couro e mentolado. Na boca tem um bom corpo, boa acidez, taninos bem afinados e boa fruta - redondo! 
Atualmente vale 73 paus na Mistral, a safra 2010. Bom preço.
Santé!

quinta-feira, 28 de março de 2013

Vouvray 2010 Guy Saget

Salut, les amis!
Vou escrever um pouco sobre um bom vinho de Guy Saget, grande négociant que comercializa quase todas appelations da região do médio Loire. Este vouvray, feito com a casta chenin blanc tem uma bonita cor amarela dourada que enche a taça com lágrimas lentas, demonstrando a untuosidade do líquido. Aromas florais e de frutas brancas (pera, pêssego), sem grande complexidade. Na boca demonstra um certo dulçor, mas a boa acidez o torna leve, não enjoativo. Uma boa opção de branco para acompanhar do prato à sobremesa. 
3 estrelas. Custa R$70 na Mistral.
Santé!

quarta-feira, 27 de março de 2013

Rheingau Hochheimer Riesling Trocken 2007 Domdechant Werner

Salut les amis!
Tardezinha abafada de domingo, aquela preguicinha, visitas em casa... nada melhor do que compartilhar um vinhozinho branco bem fresquinho enquanto rola o papo.
E o escolhido foi o bonito aí do título que, como todo alemão, tem um nome tão esquisito para nós latinos que dá preguiça até de dar um ctrl+c ctrl+v. 
É produzido na região do Rheingau com 85% das uvas provenientes de vinhedos grand cru de Hochheim, cidade próxima à Wiesbaden e Mainz, às margens do Reno.
Possui um belo robe amarelo claro dourado e poucas e rápidas lágrimas. Aromas de frutas brancas e cítricas, abacaxi em calda, mineral e químico (querosene) o que é esperado nesta casta, mas um pouco surpreendente pois dizem que só aparece nos vinhos de mais idade. Eu, particularmente, gosto, embora tenha quem diga que é um defeito de vinificação. Na boca tem uma "pontinha de agulha" e uma alta acidez em um ótimo equilíbrio com os 12,5% de álcool. Embora "trocken" queira dizer "seco", não é tão seco assim, posto que é comum os alemães deixarem um pouquinho de açúcar residual nos brancos. O "halbtrocken" deste mesmo produtor é bem mais doce.
Pode ser bebido assim como o foi, bestamente, como aperitivo para acompanhar a conversa, como também deve acompanhar um bom prato de peixe mais bem elaborado.
4 estrelas. Atualmente custa R$109,25 na Mistral.
Santé!

terça-feira, 26 de março de 2013

De Martino Viejas Tinajas Cinsault 2011

Salut, les amis!
A semana passada foi profícua em matéria de vinhos e o primeiro desarrolhado foi este cinsault chileno da De Martino do qual já tinha lido muita coisa interessante (recebeu 92 pontos no Descorchados 2012). A primeira curiosidade é que o vinho é produzido de maneira ancestral - fermentado, macerado e criado em velhas ânforas de barro gigantes. A seguinte é que é feito com velhas vinhas de cinsault que andavam meio "esquecidas", no vale do Itata. Resulta num vinho com uma densidade interessante, licorosa, aveludada, com um sabor agridoce e um residuozinho do gosto das ânforas, tipo a água que a gente filtrava antigamente naqueles filtros de barro... tem uma cor rubi clara, com reflexos mais escuros no centro da taça e roseados nas bordas, produzindo na taça muitas lágrimas densas, lentas e levemente coloridas.  Possui aromas de framboesa, groselha vermelha, geleia de morango e uma pontinha terrosa. Com tempo na taça, essa característica terrosa se acentua. Com taninos bem fininhos e o grande frutado, lembra os vinhos de maceração carbônica (eu nunca havia provado um cinsault tão "dócil"), mas tem uma estrutura, boa acidez... está ótimo e macio para beber agora, mas acho que vou guardar umas garrafas para verificar como envelhece.
3 estrelas. Comprei online na Bacco's por R$89,80.
Santé! Au revoir!

domingo, 17 de março de 2013

Dica de Leitura: Vinho sem Segredos - Patricio Tapia

Salut, mes amis.
De um tempo para cá estou tentando me aprimorar um pouco na apreciação de vinhos. Há uns dez anos, passei a consumir esta bebida com mais frequência, e depois que tive a oportunidade de viajar e conhecer algumas regiões vinícolas o hobby ficou mais sério, se transformando em paixão mesmo.
No inicio era difícil achar literatura, havia poucas revistas, poucas importadoras, quase não havia blogueiros, só mesmo as figuras carimbadas que estão por aí até hoje... A gente lia o que havia disponível, sem saber fazer juízo de valor.
Como eu, deve haver muitas outras pessoas neta mesma situação, visto que o comércio e o consumo de vinho per capita vem aumentando constantemente, ainda que seja muito pequeno no país. Hoje, com a disponibilidade de literatura, quem quer - e não tem preguiça - consegue melhorar seus conhecimentos. Mas então percebe que muita coisa que ouviu até então era tremenda bobagem. A corrida pelo mercado que cresce trouxe muita gente sem o devido preparo, o que amedronta o novo consumidor ao invés de educá-lo. Títulos pomposos, blogueiros que escrevem errado e lojistas que mal sabem os nomes das regiões vinícolas (e que multiplicam mitos como "os franceses são complicados" ou "é quase impossível achar um bom custo/benefício na França, tentando empurrar aquela safra antiga de outra região que enche seu estoque) pululam por aí. Outro dia vi na rede social de uma grande importadora "Bordeaux" escrito errado. Por Tutatis! Logo essa que é uma das mais famosas regiões do mundo! Não sou profissional da área, mas já que me propus a escrever este blog, procuro ao menos escrever direito. Talvez escape algum erro de ortografia, ou talvez meu estilo de escrita seja um pouco inadequado. Mas eu procuro me esforçar para escrever o mais corretamente possível. Pesquiso, e sempre procuro citar as fontes bibliográficas. Se tenho dúvidas na ortografia, procuro um dicionário. Minha esposa acaba de me dar umas dicas para aprimorar a estrutura do blog que, assim que tiver tempo para superar minhas dificuldades com a informática vou colocar em prática. E por aí vamos.
Como exemplo, nesta semana aconteceu em São Paulo uma degustação vertical de Almaviva, e a principal repercussão que eu vi nas redes sociais foi na página do Luiz Horta no Facebook, na qual ele disse que não iria comparecer por ser obrigatório o uso de black-tie - em um evento às 17 horas em pleno verão paulistano. Como ele, outros enófilos seus amigos também decidiram não ir ao evento por acharem uma brejeirice sem tamanho e os comentários convergiram para a conclusão: "depois falam em descomplicar o vinho...".
Por isso fico feliz quando vejo algo objetivo e instrutivo, divulgado em linguagem acessível e cativante. Foi o que aconteceu ao ler "Vinho sem Segredos" de Patricio Tapia, um livro que estava esquecido na estante e que foi reencontrado ao procurar alguma literatura para a patroa, que também quer se aprofundar nos assuntos de Baco. Um livro básico, mas que não deixa de conter informações úteis mesmo aos já iniciados, escrito numa linguagem fácil, gostoso de ler. Super-recomendo. Como resultado incontinenti comprei o último Guia Descorchados, do mesmo autor, já que pretendo conhecer um pouco mais do Chile. Só ao folheá-lo na livraria já percebi que será outra leitura prazerosa - embora seja em formato de guia, as resenhas dos vinhos são muito bem escritas em linguagem simples e entremeadas por muitas informações das regiões e das vinícolas. O próprio autor se auto satiriza dizendo que, embora não seja "fã" da linguagem "poética" para descrever os vinhos, às vezes não aguenta e sucumbe à tentação das figuras de linguagem. Ainda bem que existem Patricios Tapias no mundo do vinho...




domingo, 10 de março de 2013

Feira de Vinhos do Empório do Bacalhau

Salut les amis!
No último dia 7 de março estivemos eu, a patroa e as crianças no Clube Atlético Aramaçan, em Santo André, para uma feira de vinhos promovida pela tradicional casa Empório do Bacalhau. Além dos diversos stands de importadores e distribuidores, o simpático Francisco proprietário do empório providenciou também uma farta mesa de queijos e frios para a delícia dos degustadores presentes. Além da degustação, poderia se comprar o vinho ali mesmo, a preços promocionais bem bacanas.
Os comerciantes optaram por levar à feira produtos de uma faixa média de preços, afinal o público do ABC ainda não está acostumado a gastar alto com vinhos e este deve ser o foco do empório. Então se encontravam ali boas opções de relação preço/qualidade.
Comecei pelo stand da Tahaa, onde o onipresente Rodrigo me conduziu primeiramente a um fragrante rosé de Provence, um Côteaux Varois Château de l'Escarelle 2011, fresco, floral e com aromas de morango, seco e de uma bela cor salmão. Era um dos vinhos mais caros da feira, a 86 moedas. Seguimos pelo Côtes du Rhône Cave de Rasteau Grand Cuvée 2010, macio e frutado, R$55, e concluímos no Rioja Ontañon Crianza 2009, muito bom vinho a R$73, ótima opção para iniciantes em Rioja, ainda bem frutado e com madeira discreta. O Sobro 2010, português multi-varietal macio e frutado, muito doce para mim, agradou em cheio a patroa, 52 moedas.



 

Seguindo para o stand da B-Cubo provei o Bodegas Bretón Loriñon Crianza 2008, outro Rioja frutado, com nuance de chocolate e madeira discreta, ótima opção a R$56. Outro bom vinho desta importadora era o Dardanelos de Díaz Bayo, púrpura, aromas de compota de frutas e violeta, maciozinho... R$51.


Das grandes nacionais, a Miolo é a que me parece tomar o melhor rumo. "Importou" uma leva de jovens profissionais europeus sedentos de procurar novos climats e produzir vinhos autênticos mas com cara - e qualidade - de Velho Mundo (até onde o terroir brasileiro permite...), o que vem acontecendo vide os excelentes resultados obtidos com as joint ventures com o empresário Randon (RAR), Galvão Bueno (Bueno Estate)... fui atendido por um jovem sommelier italiano, que me indicou o pinot griggio, que me surpreendeu por ser bem aromático e o merlot Terroir 2009, frutado, com bom corpo e boa acidez... comprei alguns para guardar e verificar o amadurecimento.
Passei no stand da Ravin já no final da feira, a tempo ainda de degustar o Viña Maipo gran Devoción carmenère/syrah, de que eu já tinha ouvido falar bastante. Grande vinho, aromas de frutas vermelhas em compota, chocolate, tabaco e especiarias, encorpado e bem equilibrado, sem excesso de madeira.


Fora isso, alguma outra coisinha aqui e ali, uns pinot noir chilenos baratos e facinhos para o dia-a-dia (Viña Tarapacá Terroir El Rosal 2011, Viña Chocalán reserva 2011, a uns R$30 cada), mas este tipo de feira também é útil para conhecermos e nos precavermos contra as bombas que circulam por aí. Experimentamos um primitivo di Puglia com gosto de Tang que deixou nossa língua tingida de violeta e que até estragou o estômago da patroa...

Contudo, o resultado da feira até que foi surpreendente, visto que os vendedores estavam contentes com a movimentção durante as três noites e ao final havia uma grande fila para retirar as compras feitas ali na hora.
Tomara que esta cultura perdure e se multiplique aqui pelo ABC!
À bientôt!