sexta-feira, 31 de maio de 2013

Almaviva 2009

Salut les amis!
Dia desses tivemos o prazer de receber em casa um casal de grandes amigos enófilos para degustarmos uma das garrafas de Almaviva que meu amigo Marcelo (este é abstêmio...) trouxera de sua recente viagem ao Chile. Corte de 73% cabernet sauvignon de Puente Alto, 22% carmenère de Peumo, 4% de cabernet franc e 1% de merlot, envelhecido por 18 meses em barricas francesas.
Como era de se esperar foi uma noite memorável, pois realmente o vinho atende às expectativas criadas em torno dele. O coloquei no decanter mas, ansiosos que estávamos, já despejamos um pouco na taça para tomarmos a primeira impressão.
De uma belíssima e profunda cor rubi com meio púrpura, com halo ainda transparente e lágrimas densas, espessas e lentas, bem coloridas. Nariz muito complexo de frutas negras - até um pouquinho doces como uma geleia de amora - cedro, um pouco de cacau, pimenta negra e algum outro aroma especiado, que identifiquei como uma mostarda escura (!?) e cravo.
Na boca é encorpado, denso mas muito aveludado, com taninos presentes e redondos e madeira muito bem integrada. Na primeira taça o álcool (14,5%) se mostrou um pouquinho, mas depois de decantado o vinho se mostrou quase sublime, com a explosão das frutas, embora muito equilibradas com a acidez ótima. O final é muito longo, deixando no palato uma textura gostosa, licorosa. Dizem que o ano de 2009 foi profícuo no Chile, as uvas atingindo uma ótima maturação. Grande vinho já para beber agora, imagino daqui a algum tempo...
Como já disse em posts anteriores, talvez eu não seja grande fã dos vinhos do Novo Mundo pelo fato de os vinhos mais correntes serem muito desequilibrados, com uma concentração muito grande em detrimento da elegância. Bebendo estes vinhos mais top creio que reverei conceitos. Este é um caso em que se percebe claramente a influência européia, através da Barons de Rotschield, na joint venture com a Concha y Toro para a elaboração deste ícone chileno elaborado no Vale do Maipo.
Santé!


domingo, 26 de maio de 2013

Fvlvia Pinot Noir 2011 na Enoteca Saint Vinsaint

Salut les amis!
Recentemente estivemos, eu e a patroa, na Enoteca Saint Vinsaint para comemorarmos uma bela data: nosso aniversário de 11 anos de casamento! Que beleza! E como enófilos andreenses que somos, a cada saidinha dessas convém deixar a prole na casa da sogrinha e reservar restaurante e hotel em SP, visto que a onda do bafômetro pegou mesmo.
Eu já havia visitado este simpático bistrô no ano passado, em um curso sobre vinhos da Borgonha, e tinha gostado muito do ambiente, principalmente tendo conhecimento do respeito que os proprietários - o casal Lis Cereja (chef) e Ramatis Russo (sommelier) tem com o vinho e com os amantes desta bebida.
De entrada pedimos uma taça de espumante Pizzato brut, como todos os vinhos desta casa, bem acima da média dos vinhos nacionais. E pedimos como entrada uma terrine de foie gras com figos e vinho do Porto, que estava uma delícia!
Eu já estou naquele ponto em que escolho primeiro o vinho e depois um prato para acompanhá-lo bem, então eu vi na carta um tinto que estava curioso para provar devido às controvérsias em torno dele que eu vira aqui na blogosfera: o Fvlvia pinot noir do atelier Tormentas, do vinhateiro-fotógrafo Marco Daniele, que faz vinhos "de autor" na Serra Gaúcha. A controvérsia reside no fato de o autor deste vinho, entre outros de seu portfolio, utilizar técnicas naturais de manuseio da vinha e vinificação, o que realmente ainda não caiu no gosto da maioria do público consumidor brasileiro, que tem o paladar mais acostumado a vinhos fáceis de beber vindos dos dois lados dos Andes...
O vinho tem uma bela cor rubi clara na taça, com as bordas rosadas e com muitas lágrimas lentas e transparentes. Como de se esperar de um vinho desta natureza, o nariz a princípio é um pouco fechado, com aromas terrosos, de sous-bois e um animal forte, tipo couro cru - cheiro de estábulo mesmo! e acho que isso é o que causa tanta estranheza a princípio. Ao girar o vinho na taça, o líquido mostra uma densidade especial, quase licorosa, e com o tempo e a aeração começa a desprender os aromas de fruta e florais. O próprio contra-rótulo adverte que em algumas garrafas pode ocorrer uma pequena refermentação, e orienta para quando isso acontecer, colocar o vinho no decanter e agitar vigorosamente para liberar o CO2 formado - junto com o fato de o vinho de o vinho não ser filtrado e possuir algum depósito, creio que também são fatores de estranheza para muitos. Depois vão aparecendo os aromas de morango, cereja, alguma especiaria doce e eu achei até algum cacau. Na boca é muito macio (é criado 100% em barricas, mas sinceramente a madeira é quase nula, só teve papel mesmo neste amaciamento), tem uma boa acidez e o fundo de copo é frutado, quase doce, prolongado. Na minha modesta opinião, é um ótimo vinho. Cheio de sutilezas, é muito mais elegante que alguns bons pinot noir do Novo Mundo que já provei. Me faz lembrar da Borgonha...
E como não podia deixar de ser, o prato escolhido para escoltar o belo vinho foi o tradicional risoto de bouef bourguignon da Enoteca, cozido em fogo lento durante oito horas em... pinot noir!
Enfim, nosso jantar de comemoração foi um verdadeiro sucesso, e com certeza voltarei a tomar este vinho e visitar a simpatissíssima Enoteca Saint Vinsaint para degustar novos pratos deliciosos e joias como este Fvlvia.
Santé!