domingo, 23 de junho de 2013

Château Haut Monplaisir Cahors 2010

Salut les amis!
Hoje provei este vinho proveniente de Cahors, sudoeste francês, elaborado com uvas malbec. Aliás, essa apelação exige que os tintos sejam varietais de malbec, com uma porcentagem mínima de 85% desta cepa.
O malbec francês é diferente daquele argentino que estamos acostumados a beber por aqui. O primeiro ataque no nariz também é o frutado, com predominância de groselha preta, um pouco de ameixa, violeta, mas em seguida vem aromas que fazem lembrar um pouco o cabernet franc: pimentão vermelho, especiarias e alcaçuz. Mas a principal diferença está na boca: não é assim um vinho tão fácil de beber como os hermanos fazem, e isso sinceramente me agrada. Já havia provado 2 ou 3 outros Cahors e a característica mais marcante em comum em todos eles é a acidez muito boa, que harmoniza perfeitamente com a estrutura de taninos menos maduros, mais rústicos e marcantes. A fruta também aparece bem, dando ótimo equilíbrio ao conjunto. Este aqui não aparenta élévage em carvalho.
Denso e estruturado, um pouco mais "duro" ou "rugoso" na boca, mas muito bem equilibrado - passível a um bom envelhecimento, quando deve mostrar uma complexidade ainda maior. Muito bom vinho, que harmonizou muito bem com um prato típico da região de sua procedência: o cassoulet. Me fez lembrar de boas refeições que fiz quando estive em Carcassonne, acompanhadas das boas apelações locais de vinhos tão densos e profundos quanto o Cahors, das quais já falei há algum tempo neste post: Languedoc-Roussillon, Sud de France: Uma Terra Apaixonante.
À la prochaine!

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Abaixo o preconceito! White Zinfandel Crane Lake 2011

Salut les amis!
Em matéria de vinhos, penso que devemos estar sempre abertos a novas experiências. Às vezes percebo que algum "enófilo" mais sério torce o nariz quando alguém fala que bebeu algum vinho mais simples gostosinho, mas eu nem ligo! Continuo aqui na boa bebendo uns moscatos e beaujolaisinhos, experimentando de tudo um pouco...
E eis que numa agradabilíssima noite de sábado fui jantar com minha mulher no Ville du Vin de Moema e acabei pedindo um vinho que me seduziu pela cor: um white zinfandel - que na verdade é um blush, como dizem os americanos - um rosé - mesmo sabendo da malfadada impressão que se tem sobre este tipo de vinho. Com o calor que estava fazendo e os pratos de frutos do mar que pedimos, este vinhozinho caiu muito bem! Visto a carapuça e reconheço: não me dei nem ao trabalho de fotografar o rótulo, mas depois pesquisando descobri que era um Crane Lake, safra 2011. Levinho, fresco, suave, com aromas de flores, de cerejas e ameixas, a minha mulher ficou encantada e eu também gostei. Às vezes é ótimo sair da mesmice, sem outras pretensões. E é um vinho que - pelas suas características de fruta e doçura - acompanhou bem da entrada à sobremesa.
Santé!

domingo, 16 de junho de 2013

Blanquette de Limoux Carte Ivoire brut Robert

Salut les amis!
Se há alguma substância lícita neste mundo capaz de tornar possível o teletransporte a uma outra época, um outro local - ah! só pode ser o vinho...
Digo isso porque esperava ansioso pelo segundo kit de vinhos Des Amis de Jean Claude, o grupo do qual já falei aqui, com o qual seríamos contemplados com uma blanquette de Limoux, vinho mousseux elaborado na região do Limousin, sudoeste francês, pertinho de Carcassonne, belíssima cidade medieval que tive o enorme prazer de conhecer e também relatei neste blog em "Souvenirs de Carcassonne" e "Languedoc-Roussillon, sud de France - uma terra apaixonante". Na ocasião em que lá estive, a gente se aliviava do calor e se deliciava no jardim do hotel ou em nossas andanças sempre com uma taça geladinha deste refrescante vinho regional.
A blanquette é elaborada tradicionalmente com a cepa local mauzac, mas hoje em dia também se adicionam ao corte cepas "internacionais" como o chardonnay ou o chenin blanc e cabe ressaltar que este vinho deve ser feito pelo método tradicional, com a segunda fermentação na garrafa, o que não necessariamente ocorre com o crémant de Limoux. Reza a lenda que foi o primeiro espumante da França, muito antes de Dom Pérignon cometer o "acidente" de produzir o champagne.
Este exemplar é produzido pela sociedade agrícola Robert, um corte de 90% mauzac e 10% chenin que resulta em um vinho com as características desta apelação: fresco, leve e frutado, principalmente com notas cítricas mas que também desprende aromas provenientes da fermentação e alguma fruta branca. De uma cor palha muito clara com reflexos verdeais, perlage fugaz sem a formação da coroa na superfície e borbulhas médias. É um vinho sem grande complexidade, despretensioso mas gostoso, vivaz, ótimo para aperitivo e para acompanhar um bom papo.
Como há alguns dias fez um calorzinho outonal gostoso aqui em SP, sorvemos com sofreguidão umas boas taças deste espumante, em estado contemplativo relembrando da nossa belíssima viagem e das blanquettes que lá tomamos...
Santé!



sexta-feira, 14 de junho de 2013

Château Le Pape l'Excellence 2008

Salut les amis!
Experimentei mais um vinho por indicação do grupo "Les Amis de Jean Claude", este bonito aí de cima. 
Elaborado pelo Château Le Pape, um petit château de 6ha na região de Pessac-Léognan, vizinho do cru classé Haut Bailly, que recentemente adquiriu seus vinhedos. Está mais para o sul, mais para Léognan, do que para Pessac, pertinho de Bordeaux, onde fica seu quase homônimo e mais célebre Château Pape Clement. Produção média de 18.000 garrafas/ano, envelhecido 50% em barricas novas, corte de aproximadamente 70% merlot e 30% cabernet sauvignon.
De uma cor rubi bem profunda ainda sem denotar sinais de evolução, com muitas lágrimas rápidas e coloridas. Nariz a princípio frutado, de frutas do bosque frescas e ameixa, abre mais  para fruta negra, cassis, amora, um tracinho vegetal, especiaria doce, canela, e baunilha. Na boca confirma a fruta, tem taninos na medida, boa acidez, corpo médio, é redondo e elegante, deixa um final prolongado.
Quando se fala da margem esquerda de Bordeaux, se espera algo mais austero, mas esse não é o caso - a presença da merlot deixa o palato bem aveludado, fazendo deste um vinho franco, que já é ótimo para beber agora mas acho que ainda tem tudo para envelhecer bem.
Sendo um vinho que clama por comida, harmonizou perfeitamente com costeletas de cordeiro e cogumelos salteados.
Santé!

domingo, 9 de junho de 2013

Ribera del Duero Milcampos Viñas Viejas Tempranillo 2009

Salut les amis!
Eu já havia provado este vinho em outra oportunidade, em um encontro de confraria no qual ele foi provado ao lado de um Rioja reserva 2004 e de um Montsant garnacha/merlot. Na ocasião ele se saiu mal, os confrades acharam ele muito frutado e enjoativo em relação aos demais.
Mas com o intenso falatório em torno deste vinho e as altíssimas notas que tem recebido de Mr. Parker (entre 92 e 94, dependendo a safra), resolvi lhe dar outra chance, talvez no movimento da última ocasião, na qual estávamos regados por muito vinho e comida espanhola, alguma impressão tenha sido anuviada...
É um vinho de cor densa com reflexos púrpura e bordas transparentes, com aromas de frutas negras adocicadas e especiarias doces tipo cravo e canela, madeira de cedro. Na boca é muito frutado, não sendo muito encorpado, mas tem alguma acidez e taninos bem redondos. Realmente é um bom vinho, fácil de beber, e a 55 paus, que é o valor a que vem sendo vendido pela Grand Cru, é uma ótima relação preço/qualidade.
Mas convenhamos, não merece 94 pontos. Mesmo conhecendo o gosto de Mr. RP pelos vinhos bombadinhos.
Santé!



domingo, 2 de junho de 2013

Altair Sideral 2008

Salut, les amis!
E com a proximidade da minha viagem ao Chile, resolvi abrir umas garrafas de reputados chilenos que tenho aqui em casa - afinal preciso experimentar pois terei a oportunidade de comprar alguma coisa bem mais em conta quando lá estiver. A última contemplada foi esta garrafa do Sideral, segundo vinho da Viña Altair, localizada no Vale do Alto Cachapoal, onde possui 72ha de cabernet sauvignon, carmenère, syrah, cabernet franc e petit verdot, e produz estes vinhos que podemos dizer "por cima" de cortes  bordaleses.
O Sideral 2008 é um corte 78% CS, 13% carmenère, 5% syrah e 4% cabernet franc criado em barricas francesas, 20% novas.
Possui uma cor rubi muito profunda, com reflexos púrpura, numerosas e espessas lágrimas lentas e coloridas. Primeiro nariz de geleia de frutas do bosque (cassis, amora), vai abrindo para ameixa, cravo, um pouco de especiaria doce e caixa de charuto (me deu vontade de fumar um charuto, mesmo eu que não fumo...). Somadas estas impressões com os 14,7% de álcool, espera-se um tranco na boca, mas surpreendentemente o vinho não é tão bombadão assim - tem uma boa doçura, mas bem equilibrada com a presença de taninos bem apontados e boa acidez. De textura aveludada, desce redondo e tem final prolongado. A princípio um pouco fechado, convém decantar por pelo menos meia hora antes de beber.
Muito bom vinho, me deixou com comichão de provar o Altair quando estiver por lá.
Santé!