quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Visita à Almaviva

Salut les amis!
Concluindo nosso dia de visitas à vinícolas no Vale do Maipo, às 16 horas tínhamos horário marcado na Viña Almaviva, com a recomendação expressa de que não atrasássemos nem nos adiantássemos em nada deste horário. Isto posto desta maneira, somado à toda a aura de glamour que cerca esta vinícola (outro dia realizaram uma degustação em São Paulo - árias de Mozart e black tie em plenas cinco da tarde!), que é joint venture das aristocráticas Concha y Toro e a francesa Barons Phillipe de Rothschild, dava até um friozinho na barriga...
A vinícola se encontra na localidade de Pirque, bem próxima à Santiago, no interior de um tipo de condomínio industrial - só que de vinícolas - com seus respectivos vinhedos. Ao entrar pelo portão principal, antes de chegar à Almaviva, passamos por galpões de Chadwick, por exemplo. 
Mas assim que chegamos fomos descontraidamente recebidos pela Adelaide, uma jovem guia muito simpática (aliás, acho difícil alguém se manter antipático depois de um dia inteiro acompanhando visitas e degustações do Almaviva...). Todo o tempo, entre a visita a uma ou outra instalação, ela ficou brincando com meus filhos, e minha menina fez até questão de tirar uma foto com ela. Pelo visto, muito pouca gente procura esta vinícola, então eles tem tempo e disposição para atender muito bem - e individualmente - seus visitantes.




A visita começou no vinhedo, onde a Adelaide nos explicou que a irrigação ali é subterrânea, a mangueria micro-perfurada corre paralelamente às vinhas em uma profundidade de 80 centímetros. Entrando na vinícola, começamos pela parte superior do belo galpão, construído totalmente em madeira, onde as uvas são recebidas através de uma empilhadeira, em pequenas caixas plásticas, e daí pra frente só seguem pela ação da gravidade até o vinho ser engarrafado. Nesta espécie de mezanino é feita a rigorosa seleção dos bagos, com dupla triagem e seleção dos bagos por soprador de ar. O desengace é feito mecanicamente e a prensagem, logicamente, de cada cepa separadamente. 




Então cada mosto é encaminhado para sua respectiva cuba de inox, onde fica um bom período (umas três semanas) em maceração, com remuage feita com bomba hidráulica. O vinho fermentado é então prontamente transferido para as barricas de carvalho francês novo, onde ele se estabiliza por um período antes de ser cortado com outras cepas. A parte sólida do mosto é prensada, dando origem ao Epu, segundo vinho da casa, que é cortado com caldos que não foram selecionados para fazer parte da assemblage do Almaviva. O corte do Almaviva geralmente tem tendência a obedecer um estilo bordalês, com maior quantidade de cabernet sauvignon (ao menos 60%), cabernet franc e merlot, mas também carmenère e petit verdot e até syrah quando preciso. Depois do corte os vinhos voltam para as barricas até completarem dois anos, sendo então engarrafados e deitados por mais um ano antes da comercialização. Um detalhe interessante é que quando a carmenère não atinge ali no Maipo um grau de maturação que eles acham necessário para "amaciar" a assemblage, eles compram uvas provenientes de Peumo, um terroir que geralmente fornece a melhor carmenère do Chile, em todos os anos.
Descemos então para conhecer as cubas de inox, todas equipadas com um tecnológico sistema de resfriamento, os chais onde são armazenadas as barricas e a linha de engarrafamento do vinho, da qual segue abaixo um pequeno vídeo:


Se imaginarmos cada garrafa a uns 200 dólares...



Depois de conhecermos toda a belíssima vinícola, cujas linhas arquitetônicas tem a intenção de integrar o moderno à paisagem da Cordilheira dos Andes e às tradições dos índios mapuches, ancestrais habitantes do Valle Central, fomos à degustação do Almaviva, safra 2008. 


Eu já havia provado em casa a safra 2009, então achei que o 2008 parece ser mais doce na boca, com taninos mais redondos e predominância dos aromas doces de frutas confitadas e chocolate. É um grande vinho, com grande expressão aromática, grande corpo e concentração, embora eu tenha achado o 2009 melhor, com mais característica da cabernet sauvignon, mais austeridade e menos doçura na boca.


Ao término da degustação um fato curioso me chamou a atenção: em um laboratório ali perto algumas jovens trabalhavam entre provetas e balões de ensaio quando um outro jovem , certamente enólogo da casa, entrou e começou a provar alguns vinhos que estavam dentro de uma caixa sobre o balcão.


 Depois que ele saiu eu me aproximei do visor de vidro e constatei que a caixa continha, além de diversas safras do Almaviva, Clos Apalta, Montes M, Don Melchor, Carmim de Peumo, Altaïr, Don Maximiano, Seña... só "iconos", como les dizem. E não pude deixar de sair de lá com uma pontinha de uma doce inveja, deste pessoal que trabalha num lugar tão lindo e ainda por cima tem a obrigação de ficar provando estas coisas!




Santé, les amis!



quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Visita à Concha y Toro

Salut les amis!
Nesta última viagem ao Chile fizemos uma visita à maior vinícola chilena, a Concha y Toro. Atualmente uma S.A., esta tradicional empresa, fundada no séc. XIX por Don Melchor de Concha y Toro, possui apenas um descendente seu em seu quadro societário, com apenas 4% das ações, que lhe rendem uns meros 12 milhões de dólares ao ano.


A vinícola possui cerca de 7800 hectares de vinhas por todo o Chile, e sua sede se encontra em Pirque, a uns 25km do centro de Santiago. Essa cidadezinha às margens do Rio Maipo, no chamado Vale Central, tem esse nome por causa das pircas, tradicionais mutretas de pedra feitas com as pedras roladas do rio, barro e telhas coloniais, e que ainda hoje separam muitas propriedades na região, tais como os clos franceses. 
Vindos da De Martino e a caminho da Almaviva, no meio do camino de volta à Santiago, fizemos esta visita à Concha y Toro, talvez a menos surpreendente visita entre estas três vinícolas. Digo isto posto o tamanho da empresa e sua preparação para receber tantos visitantes, esperávamos mesmo algo mais padrão turístico, ainda mais porque as visitas mais elaboradas, com acompanhamento dos enólogos e degustações mais elaboradas, não estavam disponíveis nesta data - a empresa retornava de um longo período de greve.

Como chegamos quase na hora do Almoço, aproveitamos o belo wine bar da vinícola, onde começamos pedindo uma bela porção de queijos variados. Lá eles servem todos os bons vinhos da casa, em dois tamanhos de taça. Comecei então pedindo uma taça do Amelia chardonnay, enquanto que a Alessandra pediu uma taça do Epu - o segundo vinho da Almaviva, que é uma joint venture da Concha y Toro com a francesa Baron Philippe de Rothschild. 

O Amelia, feito com uvas provenientes do vale de Cachapoal, safra 2011, elevado por 11 meses em barricas francesas de primeiro uso, se mostrou um vinho surpreendente, pois no nariz parecia um daqueles chardonnay bem ricos e amadeirados, com aromas doces de frutas tropicais e baunilha, mas na boca demonstrou uma acidez muito boa e um frutado cítrico bastante fresco. O Epu, também 2011, feito com carmenère do Vale do Maipo mesmo, se mostrou um vinho muito denso e maduro, com aromas de frutas negras e chocolate, muito concentrado e doce na boca, com taninos muito redondos e um final bem prolongado.
Tanto este vinho como o Carmím de Peumo que pedi depois combinaram muito bem com o prato que comemos: um corte alto de filé acompanhado por batatas e chips de algum tubérculo local, misto de mandioquinha e cenoura. 

O Carmím é o carmenère top da Concha y Toro, elaborado com uvas vindas da região de Peumo, tida como a melhor região chilena para o cultivo desta cepa, onde ela obtém a melhor maturação, e onde todas as grandes vinícolas procuram buscar parte das uvas para elaboração de seus rótulos "íconos", como costumam dizer por lá. No caso da safra em questão, 2008, este vinho foi cortado com um pouquinho das cabernets sauvignon e franc, o que certamente quebrou um pouco a doçura da carmenère deixando o conjunto mais elegante. O vinho demonstrou uma complexidade aromática muito grande, de frutas negras, ameixa seca, violeta, tabaco e chocolate amargo, além de especiarias doces. Um grande corpo, com taninos presentes mas bem finos. São todos vinhos com um alto grau de qualidade, mas me parecem produtos friamente projetados e elaborados para serem blockbusters e receberem grandes notas dos críticos especializados - na garrafa não parece ter parte do gosto e da alma de um vinhateiro, mas sim um projeto de um designer.
Depois desse belo almoço fizemos o tour pela vinícola acompanhados de um guia que iniciou nos mostrando a imensa casa de veraneio de Don Melchor, ao redor da qual foi plantado um enorme jardim em estilo vitoriano projetado por arquitetos franceses importados pelo aristocrata, então milionário do ramo da mineração.



Prosseguimos indo conhecer os vinhedos, inclusive uma área "berçário" onde é feita a enxertia para multiplicação das vinhas. Em seguida visitamos os chais das barricas de carvalho, nas quais são elevadas as linhas de vinho superiores da vinícola.



E por último descemos à cave onde é elevado o Don Melchor, "ícono" da Concha y Toro, elaborado quase que totalmente com cabernet sauvignon ali do Maipo mesmo. Nesta cave, no escuro, há uma apresentação audiovisual da lenda do casillero del diablo, um espacinho reservado da adega onde o patrão guardava os melhores vinhos, reservados para consumo da sua família, ocasião em que ele teve que espalhar boatos que um demônio cuidava dessa adega para se preservar de empregados gatunos que subtraíam algumas garrafas. Essa lenda deu origem à linha de vinhos mais exportada pela empresa, talvez a mais difundida marca vinícola em todo o mundo.




Degustamos uns vinhos simples da casa, um sauvignon blanc e um cabernet sauvignon, e levamos as taças como regalo. Em seguida fizemos ótimas compras na boa loja da vinícola, que tem toda a linha de produtos a bons preços, além de muitos souvenirs e gadgets para amantes do vinho.
Em suma, ainda que não nos tivesse surpreendido, por se tratar de uma visita standardizada e em série, considero que valeu muito a pena termos visitado esta vinícola, por se tratar de um lugar muito bonito, cujos wine bar e loja são ótimos e - como disse um amigo - ir ao Chile e não conhecer o capetinha do casillero é como ir à Roma e não ver o Papa (!!!).
Santé! Au revoir! 




quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Côtes du Rhône blanc Domaine Roche-Audran

Salut les amis!
Hoje resolvi provar o risoto de abóbora e gorgonzola que a Alessandra inventou com este vinho, que o Didier do Emporio Mundo encaminhou junto com os vinhos do Château des Villars Fontaine do kit do grupo dos Les Amis do Jean Claude Cara. Da ultima vez que ela fez este risoto, harmonizamos com um jurançon doce, posto que ela acrescentou um pouco de mel à receita e na ocasião o casamento foi divino. Para acompanhar este vinho seco, resolvi então fazer umas adaptações, retirando o mel e substituindo parte do gorgonzola por chèvre, o que se mostrou providencial.
O vinho, corte de grenache blanc com viognier, tem uma cor amarela clara muito límpida e brilhante com lágrimas densas. Nariz de frutas brancas, pêssego, marmelo, lichia, muito floral e herbáceo, um fundinho lácteo; e eu, que não conhecia muito bem brancos do Rhône, lembrei um pouco dos torrontés argentinos, o que me fez esperar algum peso, muita fruta e doçura na boca. Pelo contrário, na boca tem corpo médio e ótima acidez e se foi criado em barrica só se percebe por esta característica láctea, que lembra iogurte; o herbáceo se abre em erva-doce e algo mais verde, tipo capim limão (!?). Enfim, é um vinho muito aromático, bem equilibrado e de final persistente, um belo vinho.
Belo trabalho que o pessoal do Emporio Mundo lá de Florianópolis tem feito, sorte a eles e que continuem trazendo estes achados pro Brasil!


Santé!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Visita à De Martino

Salut les amis!
Em minha recente visita à Santiago demos uma volta pelo Vale do Maipo a fim de conhecermos três vinícolas e a primeira escolhida foi a De Martino, localizada a uns 50km a sudoeste da capital. Marcamos esta visita logo pela manhã, às nove horas, pois no caminho de volta, durante o dia, ainda passaríamos por Concha y Toro e Almaviva. Posso dizer que a visita a esta vinícola de origem italiana foi a mais surpreendente das três.
Há 75 anos no Chile sob a direção de uma mesma família de origem italiana (já é a quarta geração que começa a comandar a vinícola), recentemente a De Martino deu uma reviravolta na sua vitivinicultura e, a partir de 2004, sob a batuta de Marcelo Retamal e sua equipe de enólogos, adotou uma condução mais natural do vinhedo que, aliadas à outras práticas na cantina, buscam resultar em vinhos mais puros e representativos do terroir. Tal trabalho teve o auxílio imprescindível de Pedro Parra, o "Dr. Terroir", geólogo consultor que há tempos escava poços no Chile estudando a composição do solo para melhor adaptação das cepas ao terreno.
Calicata no vinhedo de Santa Inês
Chegando à propriedade de Santa Inês, sede da vinícola, na localidade de Isla de Maipo, fomos atendidos por Maria Jesús, que primeiramente nos conduziu a um vinhedo de sangiovese. Ali ela nos demonstrou a calicata, um poço escavado através do qual o Dr. Parra estuda a composição do sub-solo. Neste caso, um solo aluvional bastante profundo, com grandes seixos rolados, do tamanho de uma grande pedra-de-mão (nós, pedreiros, chamávamos outrora de pedra-de-mão aquela utilizada nas antigas paredes de cantaria, quando o companheiro segurava a pedra bruta a ser assentada com uma das mãos e a trolha com argamassa na outra). Isso se deve ao fato de uma grande parte do vale do Maipo ter sido antigamente leito do rio, que corria em meandros pela região rolando as rochas vulcânicas provenientes da Cordilheira dos Andes. Como este solo praticamente não retém água, é necessária a irrigação por gotejamento, duas vezes por semana, durante dez horas cada vez. A mangueira de irrigação é amarrada nas estacas sob o arame inferior de condução das vinhas, que são podadas em lira. 
Vinha de sangiovese conduzida em lira
A guia explicou ainda que no Chile os vinhedos são plantados nas direções norte-sul ou leste-oeste, de acordo com outras características do terroir como inclinação e exposição ao vento e que este vinhedo particularmente foi originalmente plantado, há uns dez anos atrás, em uma direção errada (norte-sul). Depois fiquei sabendo que a intenção da vinícola era colher a sangiovese sobremadura para fazer um vinho doce tipo vin santo mas os bagos não atingem o grau de maturação adequado para isso neste vinhedo. A De Martino atualmente trabalha para converter seus vinhedos em orgânicos, e o primeiro passo foi utilizar apenas adubo proveniente de compostagem de matéria orgânica (o material mais escuro no pé das vinhas na foto acima). O vinhedo é bonito, entremeado com plantação de flores, que tem o intuito de antecipar a ocorrência de doenças como o míldio, que afeta antes as flores que as vinhas, possibilitando assim um tratamento natural, reduzindo ou até eliminando o uso de defensivos químicos.
Em seguida fomos conhecer o processo de produção do vinho, com destaque para a minuciosa seleção dos bagos, que passa por duas esteiras de triagem e seleção dos bagos maiores com utilização de um soprador de ar. Bagos pequenos, que resultam em mais açúcar, cor e tanino ao vinho, são descartados (!) e seguem junto com os engaços para a compostagem. Segundo Maria Jesús, a política da empresa é deixar de fazer vinhos "Pamela Anderson" - exuberantes mas artificiais - para elaborar vinhos tipo "Natalie Portman", de beleza e elegância intrínsecas e naturais.
Esteiras de triagem 

Prensa hidráulica
Das mesas e triagem em diante os bagos são conduzidos por uma tubulação resfriada por uma solução refrigerante (glicol), a fim de se evitar a oxidação e manter o frescor da uva. Depois de prensados, os bagos maceram em cubas de inox e algumas linhas de vinhos descansam depois em carvalho. Barricas bordalesas usadas ainda são muito utilizadas com o intuito de amaciar o vinho pela microoxigenação - os enólogos não desejam uma interferência notável da madeira nas características organolépticas do vinho. Tanto que ultimamente compraram uma boa quantidade de foudres, enormes barris austríacos de carvalho alemão com 5000 litros de capacidade, com a intenção de diminuir a superfície de contato do vinho com o barril.
Foudres
Vista geral do chai de barricas
Visitamos depois o chai onde são guardadas as tinajas - grandes ânforas de barro que a De Martino comprou nos rincões do Chile, onde também descobriu vinhas velhas de cinsault, no Vale do Itata, com as quais produziram um vinho pelo método ancestral. Os cachos são lançados dentro da ânfora, que é lacrada com filme plástico, e lá dentro sofrem a maceração carbônica disparada pelo peso próprio dos bagos. Depois os sólidos são separados do mosto em fermentação, que volta para maturar nas tinajas, agora lacradas com barro. Eu já havia provado este vinho no Brasil, mas nesta visita tivemos a oportunidade de degustar um "Viejas Tinajas" Edición Especial, safra 2012, corte de cinsault com carignan provenientes do vale do Maule, e na ultima safra também vinificaram um branco de moscato. São mesmo vinhos surpreendentes - embora este tipo de maceração proporcione vinhos frutados e muitas vezes leves (caso de muitos beaujolais, por exemplo), neste caso o vinho tem um corpo muito bom e uma textura licorosa na boca, mesclando muito bem a fruta com o gostinho terroso proporcionado pelas tinajas.
Vinho em fermentação nas tinajas
Na degustação após a visita à produção degustamos também um ótimo chardonnay da linha Legado,  um gran reserva do Vale del Limarí, safra 2011, que demonstra o frescor deste vale, que embora seja mais ao norte do Valle Central é mais frio, pois se encontra onde a cordilheira da Costa perde altitude e permite que o vento frio vindo do oceano, resfriado pela corrente de Humboldt, crie um terroir mais fresco onde as uvas tem maior dificuldade de atingir uma sobrematuração, mantendo bastante acidez. Este vale também foi área oceânica num passado distante, então o solo, além dos aluviões, também é composto por muita matéria calcária proveniente de fósseis marinhos. Isso confere ao vinho um caráter mineral muito intenso, gosto de giz, aliado a aromas de frutas cítricas e tropicais, terminando em um pouquinho de mel. Uma delícia. 
Provamos também um inusitado corte de cerca de 60% malbec, 30% carmenère e o restante de diversas uvas, de um single vineyard chamado Las Cruces, no Vale do Cachapoal. Digo inusitado porque esta porcentagem é aproximada, visto que o vinhedo foi plantado com várias cepas juntas, aleatoriamente, então a colheita e a vinificação é feita toda junta e misturada. Vinho de grandes nuances aromáticas, e boa estrutura. Todos estes vinhos tem uma ótima relação qualidade/preço, e estão disponíveis para venda no Brasil (são importados pela Decanter).
E para terminar a visita, pudemos faz nossa própria assemblage, utilizando três vinhos da linha 347 Vineyards - um syrah, um carmenère e um cabernet sauvignon. Até que o meu corte ficou gostosinho, um blend de syrah com cabernet sauvignon com uma pitada de carmenère para dar uma "adoçada" no conjunto. Engarrafamos, arrolhamos, colocamos a cápsula e a etiqueta e voilà! Criamos cada um de nós uma garrafa do "Mio", que trouxemos para casa, junto com mais algumas garrafas e souvenirs da simpática lojinha da vinícola, entre esses uma miniatura de tinaja.
A Alessandra fazendo sua assemblage

Colocando a rolha utilizando uma ferramenta antiga
Digo que esta visita foi a mais surpreendente que fiz à vinícolas chilenas pois esperava algo antigo, tradicional, mas logo que chegamos vimos instalações modernas, galpões novos, novíssimas cubas de inox e foudres de carvalho, com uma produção de 16 milhões de garrafas/ano, mais de 90% voltadas à exportação, além de que pudemos constatar uma mentalidade inovadora, com o propósito de chacoalhar o cenário vinícola chileno em busca de identidades locais, e não apenas em busca de blockbusters, como fazem outras tantas vinícolas chilenas.
Au revoir! Santé!