quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Château de Villars Fontaine "Les Jiromées 2005" com lagosta

Salut les amis!
Havendo eu recebido o kit de vinhos do Château de Villars Fontaine, vindo pelo Emporio Mundo através do grupo de "Les Amis de Jean Claude", estava salivando só de pensar em abrir esta garrafa deste vinho que eu já havia degustado em um curso sobre vinhos da Bourgogne, sobre o qual já escrevi aqui.
E a oportunidade veio um dia desses, quando passei pelo mercadão e comprei umas lagostas lindinhas, que planejava cozinhar à moda do "Rufino's": no forno, sobre uma cama de batatas, regada com creme de leite e páprica. Tudo acompanhado com um risotinho ligeiramente temperado com chèvre e tomates-cereja. Depois tudo veio a se provar uma harmonização perfeita!

                 

Quanto ao vinho, a imagem de cima já diz muita coisa. De um dourado lindíssimo, aos olhos já encanta. O primeiro nariz demonstra aromas bem complexos, de frutas brancas - maçã, pera, pêssego - e cítricas, além da baunilha proveniente do velho e bom carvalho francês, elegantemente dosado (o vinho passa 18 meses em barricas novas). Em seguida os aromas se voltam mais para frutas tropicais ou cristalizadas, como abacaxi em calda, e minha mulher me atentou até para um laivo de pitanga! No final aparecem também as esperadas (para um grande bourgogne branco) notas de frutas secas e mel, e na boca o vinho é um deleite de tudo isso junto, com untuosidade e um perfeito equilíbrio entre fruta, acidez e madeira, deixando mais destacadas no retrogosto as notas de frutas maduras e a baunilha. Eu não sou de avaliar os vinhos numericamente, afinal não tenho nem técnica para isso, mas lá no meu livrinho anotei cinco estrelas para este "Les Jiromées" - ele merece!
Santé! Au revoir!

domingo, 27 de outubro de 2013

Boeuf bourguignon com Château des Villars Fontaine "Le Haut duVillage"1997

Salut les amis!
Mais uma experiência enogastronômica coroada de êxito para o meu livrinho de receitas! Para acompanhar um raríssimo vinho - um Château de Villars-Fontaine "le Haut du Village" safra 1997 produzido pelo método ancestral nas Hautes Côtes de Nuits - aceitei a sugestão do amigo Jean Claude Cara, que é o cicerone destes vinhos no Brasil, e decidi ir à cozinha fazer a também tradicional receita de bouef bourguignon. Junto aos kits de vinho propostos pelo amigo, que são importados pelo Emporio Mundo, ele sempre encaminha suas sugestões de receitas para harmonização. E eu não me canso de elogiar aqui ou em qualquer outro lugar este trabalho que eles vem fazendo, afinal um apaixonado por vinho francês como eu tem mais que agradecer mesmo o trabalho de garimpagem, importação e divulgação destas jóias que eles estão desenvolvendo aqui no Brasil.
Enfim, voltando a nosso assunto, a grosso modo o bouef é uma carne de panela cozida lentamente em vinho tinto - da Bourgogne, preferencialmente (mas como não tenho uma árvore de dinheiro apelei mesmo para um pinot noir chileno, já que foram quase 4 garrafas nesta preparação... rsrs) Para o prato precisamos de uma carne bem rija e com alguma gordura - na França eles utilizam um corte do dianteiro do boi, chamado paleron, mas aqui podemos utilizar o músculo mesmo. A carne deve marinar no vinho durante ao menos 12 horas junto com os temperos e depois disso passa horas no fogo brando, vai cenoura, champignon... Vocês não imaginam a delícia que é o perfume que exala da cozinha durante a preparação do prato...
Quanto ao vinho, ele é resultante de uma longa maceração de pinot noir de vinhas velhas das Hautes Côtes de Nuits (a região de encostas mais altas na porção norte da Côte d'Or, logo ao sul de Dijon, perto de Nuits-St.-Georges). Com uma bela cor rubi densa e muitas lágrimas densas e lentas, mesmo aos 16 anos ele não mostra visualmente sinais de evolução. Embora o tenha colocado para decantar bem antes da refeição, ainda mostrava um primeiro nariz fechado, e com mais algum tempo na taça começou abrir aromas de frutas vermelhas, sous bois, rosa, couro e especiarias. O Jean fala que eu tenho que abrir os vinhos de Villars Fontaine um dia antes, da próxima vez vou obedecer... Embora seja criado por muito tempo em barrica nova, os taninos bem integrados marcam boa presença e a madeira não deixa muitos vestígios. O longo tempo de élévage, neste caso (alguns vinhos deste château chegam a passar 48 meses no carvalho novo, sendo 200% de barrica nova, ou seja, 2 anos em barrica nova, depois trasfegado para outra barrica nova onde vai ficar por mais 2 anos). Encorpado, equilibrado, sem arestas. Final muito longo. Ainda tende a melhorar com mais alguns anos de garrafa, com o afinamento dos taninos e o reforço dos aromas terciários.



Uma ótima pedida para quem gosta de um verdadeiro vinho, artesanal, saudável, no qual o amor do vinhateiro pelo que faz transparece na grande qualidade resultante.
Vocês podem conhecer melhor a história deste lendo estre outro post.
Santé! Au revoir! 

sábado, 26 de outubro de 2013

Conheça o Château des Villars-Fontaine - um porto seguro da tradição na Bourgogne

Salut, les amis!
Este château é mesmo algo de muito especial na Bourgogne. Conheci sua história através do amigo Jean Claude Cara, do Éléphant Rouge. É propriedade de M. Bernard Hudelot, um verdadeiro estudioso e purista na arte de fazer vinho. Na região este senhor é um guardião da tradição dos vinhos de longue garde, como dizem por lá, que são os vinhos de grande extração, longa maturação, que precisam de muito tempo em barril e garrafa para serem arredondados, mas que preservam todas as boas propriedades relacionadas à saúde humana no consumo do vinho. M. Hudelot já desenvolveu e publicou muitos estudos sobre o assunto vinho & saúde, e para manter seu château produzindo vinhos dentro desta antiga e saudável tradição, elaborou um processo de divisão dos seus vinhedos em sociedades agrícolas, através das quais os amantes de vinho podem comprar cotas e tornarem-se "vignerons du couer", ou seja, "vinhateiros do coração". Desta maneira o château vende seus vinhos en primeur para os associados e não precisa recorrer aos financiamentos e à pressão dos bancos, como a maioria dos produtores locais, visto que o tempo de retorno para o investimento em vins de garde é mais longo.
É uma história magnífica que você pode conhecer um pouco mais assistindo ao vídeo abaixo (se o seu dispositivo não abre janelas em flash, clique neste link).

                                        

Com certeza estarei presente nesta visita que M. Hudelot fará ao Brasil ainda em 2.013, e assim que possível vou visitar o Château de Vilars Fontaine, afinal já estou com saudades daquele pedaço de paraíso na terra que é a Bourgogne.
E em breve postarei aqui no blog algumas impressões sobre os ótimos vinhos de Villars-Fontaine que já tive o prazer de provar.
Santé! Au revoir!

sábado, 19 de outubro de 2013

Viagem ao Chile

Salut les amis!
Fizemos - eu, minha mulher e as crianças - um belo passeio pelo Chile. Por causa dos nossos filhos, um deles com menos de um ano, ficamos apenas pelas cercanias de Santiago, mas essa restrição não impediu de conhecermos ótimos lugares na capital e no Vale do Maipo. Foi uma viagem curta, aproveitando o feriado prolongado aqui de São Paulo, mas foi fascinante.
Ficamos hospedados na Providencia - na verdade a "cidade" de Santiago é formada de diversas comunas, que são tipo mega-bairros, com administração independente. Escolhemos o simpático Hotel Le Rêve, localizado na Orrego Luco, uma travessa da Av. Providencia, importante centro comercial da capital, próximo de ótimos restaurantes, das grandes lojas de departamento e do Costanera Center (um novo e imenso centro comercial que comporta além de um shopping center o mais alto edifício da América Latina, com cerca de 300 metros de altura). O local da hospedagem foi mesmo uma escolha felicíssima.

Nosso primeiro almoço foi no restaurante Baco, localizado em outra travessa da Av. Providencia. Com inúmeras opções de vinho em taça e ótima variedade de pratos, o rancho foi excelente. Para começo de conversa, pedimos um Casa Lapostolle Cuvée Alexandre chardonnay 2007 e um Orzada carignan da Odfjell 2010. De entrada, terrine de foie gras, acompanhado dos ótimos pãezinhos que os restaurantes chilenos quase sempre preparam na casa e levam à mesa ainda quentinhos e crocantes. O chardonnay é do tipo pesadão, criado em barrica, super dourado e encorpado com aromas doces de frutas tropicais em compota e mel, na boca é gordo e lembra muito abacaxi em calda - gosto de Epocler! Achei desiquilibrado, mas há quem goste deste estilo. Por outro lado, o carignan da Odfjell é bem fresco e suculento, com um misto de frutas vermelhas e negras frescas, muito gostoso.



A Alessandra pediu um prato de camarões e continuou no chardonnay, enquanto eu fui no bouef bourguignon e pedi um Ventisquero Pangea 2008 para acompanhar. Escolha muito feliz, pois o prato veio apimentadinho (depois percebi que é normal por ali o uso de umas pimentas bem saborosas) e harmonizou perfeitamente com este vinho proveniente de Apalta que entrega tudo o que a cepa tem de bom. Púrpura, denso, frutado e especiado, com gostosas notas de chocolate e pimenta. Madeira e álcool muito bem integrados, redondo e gastronômico. Um almoço de muito boas-vindas ao Chile!
Nesse primeiro dia, ainda passeamos pelo Costanera Center, e após uma volta ao hotel para recarregar as baterias jantamos no Le Flaubert, um simpático bistrozinho perto do hotel.  Comi ceviche de camarões com um chardonnay Santa Ema (não podiam faltar os nomes de santa...). Simplesinho, baratinho e gostosinho. Fresco, com aromas de frutas cítricas e tropicais e ótima acidez, caiu muito bem com o ceviche e com o arroz de lula e saint-jacques que comi depois. A Alessandra mandou um ótimo coq au vin e de sobremesa um crepe suzette. O único problema do restaurante é que era pequenininho demais para uma família barulhenta como a nossa, com um bebê de dez meses num carrinho... mas justamente por ter poucos clientes a comida vem muito rápido, então com crianças, isso é um grande ponto positivo!
No dia seguinte fizemos um city tour pela capital, conhecendo locais como Paris-Londres (a vila com grandes casarões de influencia europeia), o Joquey Club, o centro histórico, a Plaza de Armas, a catedral, o palácio presidencial de La Moneda e o mercado municipal, que é um arremedo em comparação com o mercadão de São Paulo. De interessante ali os mais variados tipos de frutos-do-mar e os restaurantes desta especialidade com as gigantescas centollas expostas nas vitrines, junto com camisas de clubes de futebol. Por último conhecemos o Cerro Santa Lucía, um morro no meio da capital, antigo forte espanhol e que hoje é uma bela área verde. Nos chamou atenção, aliás, o belo paisagismo e a arborização da cidade, que tem a finalidade de combater um pouco a baixa umidade e a concentração da poluição causadas pela proximidade da Cordilheira.




Almoçamos no Giratorio, um restaurante giratório mesmo com uma bela vista panorâmica da cidade de Santiago, com os Andes, o Cerro São Cristóbal  e a comuna da Providencia emoldurando a paisagem. A comida também era muito boa, mas de novo senti a dificuldade pedir um bom branco para acompanhar um polvo grelhado. Estes restaurantes mais tradicionais sempre tem ótimos tintos na carta, mas não brancos... Acabei pedindo um San Pedro Castillo di Molina chardonnay (com nome de santo homem eu ainda não conhecia nenhum), que acabou se mostrando muito leve para o prato, que também continha pimentões, azeite e o tradicional mix de pimentas.


À noite fomos ao Parque Arauco, um mega-shopping center muito bem instalado, com um mix enorme de lojas, inclusive de grifes sofisticadas e restaurantes em uma bela área aberta, tipo boulevard. Jantamos em um restaurante de rede, novamente bons pratos puxadinhos nas pimentas.



No dia seguinte, acordamos bem cedo para fazer um tour por algumas vinícolas no Vale do Maipo (leia aqui no blog sobre nossas visitas à De Martino, Concha y Toro e Almaviva) e à noite fizemos nossa última refeição no Chile, em um ótimo bistrô chamado Del Cocinero, cujo proprietário e chef, muito simpático por sinal, é um ex-executivo que trabalhou durante muito tempo no Rio de Janeiro, por isso fala um português muito bom. A filhota comeu uma omelete de camarões deliciosa, minha mulher foi num prato de vieiras à la crème e eu mandei um ceviche de salmão com alcachofras e depois um ótimo spaghetti com frutos-do-mar, tudo acompanhado por um simples mas gostoso chardonnay Santa Ema, bem fresco e frutado.




No dia seguinte voltamos para o Brasil com a melhor impressão possível deste país de lindas paisagens e povo simpático e civilizado. 
No caminho para o aeroporto cruzamos com a comitiva presidencial, o motorista do taxi nos alertou: um Honda Civic escoltado por dois batedores em motocicletas. "Aqui não é como no Brasil", disse ele. "Os políticos aqui existem para servir ao Chile e seu povo, e não a si próprios, como ocorre no seu país. Estamos acompanhando pelos jornais o que está acontecendo lá, tomara que dê resultado para vocês" - disse sobre as manifestações de junho, apontando um jornal no bolso lateral da porta do carro: uma edição do Financial Times. Em inglês.
Meditemos.
Santé!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Château Labadie Gombaud Médoc 2010

Salut les amis!
Surpreendente é o mínimo que se pode falar desse grand vin de Bordeaux importado pelo Emporio Mundo através do grupo de Les Amis de Jean Claude.
Corte de merlot, cabernet sauvignon e cabernet franc, ao servi-lo na taça já pensei num chiste a fazer com os amigos Didier e Jean Claude: "vocês agora importam vinho do Novo Mundo?" - zombaria eu.
Só que não!!!
A cor densa e o primeiro nariz frutado, adocicado, enganam demais, porque depois da primeira volta do líquido na boca os aromas explodem (fruta negra madura, geleia, ameixa seca, depois especiarias), os taninos - finos - se apresentam, a acidez implora por um novo gole e o final, com um toque especiado, apimentado, faz um delicioso e elegante contraponto com a doçura da fruta e dos 14% de álcool. 
É produzido em Bégadan, comuna do baixo Médoc, próxima ao estuário do Gironde - região que recebe maior influência atlântica e que produz vinhos um pouco mais rústicos, segundo Hugh Johnson em seu Atlas Mundial, que nas apelações mais ao sul, de onde saem os Crus Classés da margem esquerda.
Vendido no site da importadora a R$100, eu considero uma boa relação preço/prazer.
E ao contrário dos vinhos alcoólicos e concentrados principalmente encontrados deste lado do Atlântico, é fácil enxugar uma garrafa deste Labadie Gombaud - e depois escrever uma resenha sobre ele bem alegre!!!


Santé! À la prochaine!

domingo, 6 de outubro de 2013

Domaine Rotier L'Âme Gaillac 2009

Salut les amis!
Há bastante tempo não escrevia aqui, já estava sentindo a falta!
E o que me inspirou desta vez foi mais um belo vinho francês trazido pelo Emporio Mundo através do clube dos Amis de Jean Claude. Sempre espero ansioso a chegada destes kits, porque sempre vem uma pérola depois da outra. E para um jantarzinho gostoso de sábado à noite eu escolhi este tinto quente e suculento, afinal já havia conhecido outro vinho deste Domaine (leia) e sabia que o L'Âme é seu principal produto, la tête de cuvée.
Ele é elaborado com as aqui obscuras cepas braucol e duras, tradicionais no sudoeste francês, um território ainda pouco conhecido dos brasileiros, embora produza jóias vinícolas às margens do Garonne, a montante de Bordeaux (Jurançon, Madiran e Cahors, por exemplo, são outras apelações do sudoeste, próximas a Gaillac). A AOC Gaillac localiza-se na histórica região de Albi, no Tarn, afluente do Rio Garonne, que por sua vez forma o Gironde na região de Bordeaux. Consultando o Atlas Mundial do Vinho e o Guide de Cépages de Oz Clarke, descobri que a braucol (que também pode ser chamada de fer servadou) e a duras são notáveis pela intensidade e aromas especiados, sendo a braucol um pouco mais rústica.
O vinho é de uma cor púrpura impenetrável, com bordas puxando para o rubi rosado demonstrando sua juventude, que depois se confirmou; forma lágrimas densas e lentas na taça, que fazem intuir a presença dos 14,5% de álcool. Abrem-se aromas de frutas vermelhas e negras, talvez destacando um pouco mais o aroma da groselha, e logo em seguida vem um golpe de pimenta negra, um pouco de cravo, tomilho ou outras ervas, o que o rende muito "elegante" no nariz. O uso de madeira é muito comedido, só se faz perceber por uma pontinha de tostado, esfumaçado. Na boca o equilíbrio é surpreendente, embora o álcool faça dele um vinho muito caloroso, a fruta e acidez marcante o fazem com uma textura aveludada, densa mas redonda. Com final prolongado e retrogosto especiado, eu adorei este vinho! 
E ainda por cima vem com um " brinde" no belo rótulo: uma poesia de Charles Baudelaire.


L'Ame du Vin

Un soir, l'âme du vin chantait dans les bouteilles:
«Homme, vers toi je pousse, ô cher déshérité,
Sous ma prison de verre et mes cires vermeilles,
Un chant plein de lumière et de fraternité!

Je sais combien il faut, sur la colline en flamme,
De peine, de sueur et de soleil cuisant
Pour engendrer ma vie et pour me donner l'âme;
Mais je ne serai point ingrat ni malfaisant,

Car j'éprouve une joie immense quand je tombe
Dans le gosier d'un homme usé par ses travaux,
Et sa chaude poitrine est une douce tombe
Où je me plais bien mieux que dans mes froids caveaux.

Entends-tu retentir les refrains des dimanches
Et l'espoir qui gazouille en mon sein palpitant?
Les coudes sur la table et retroussant tes manches,
Tu me glorifieras et tu seras content;

J'allumerai les yeux de ta femme ravie;
À ton fils je rendrai sa force et ses couleurs
Et serai pour ce frêle athlète de la vie
L'huile qui raffermit les muscles des lutteurs.

En toi je tomberai, végétale ambroisie,
Grain précieux jeté par l'éternel Semeur,
Pour que de notre amour naisse la poésie
Qui jaillira vers Dieu comme une rare fleur!»

— Charles Baudelaire

Santé!