quinta-feira, 22 de maio de 2014

Diário de Viagem - dia 5 - Châteauneuf-du-Pape (Parte 2 - Ogier)

Salut les amis!
Dando continuidade ao nosso diário de viagem, depois de nossa visita ao Château de Beaucastel no período da manhã, seguimos viagem por uns 7kms a sudoeste, para o centreville de Châteauneuf-du-Pape. Ali tínhamos uma visita marcada às 14 horas na Ogier, tradicional empresa négociant da região que também possuiu belos vinhedos, entre estes o Clos de l'Oratoire des Papes, de 25ha além de60ha na região de Ardèche, no Rhône setentrional. Uma empresa négociant é aquela que compra uvas ou vinho já fermentado de produtores da região, faz o processo de vinificação e maturação deste vinho, engarrafa e coloca no mercado com a sua etiqueta.
Paramos para almoçar numa pracinha, num bistrozinho chamado La Mule des Papes, e comemos muito bem - e barato! Comi uns filés de pato com polenta e ratatouille e a patroa comeu um risotto de saint-jacques, dois pratos deliciosos e com uma bela apresentação, tomamos água (!) e tomamos café e a conta saiu uns 30 e poucos euros. Quisera fosse sempre assim...


Ainda chegamos na sede da Ogier um pouco cedo e tivemos que esperar por um pequeno grupo de americanos que faria a visita às caves conosco. A guia nos explicou a natureza dos solos da região, que eles classificam em quatro tipos: os éclats calcaires, solo pedregoso de estratificação de rocha calcária, branca-amarelada, mais apropriado para o cultivo da cinsault, que lhe confere maior mineralidade e frescor. Les safres, o solo arenoso, mais apropriado para a mourvèdre; le grés rouge a areia argilosa vermelha, onde se cultiva principalmente syrah, e as galets, os grandes seixos rolados provenientes de um passado distante trazidos pelo degelo dos Alpes, adequadas ao cultivo da grenache, lhe proporcionando toda a maturação necessária para resultar num vinho redondo.


Quanto à vinificação, após a fermentação em cubas de concreto ou cubas tronco-cônicas de madeira de 115hl de capacidade, os vinhos passam pela assemblage e seguem para barricas de 300lts., demi-muids (barris de 600lts.), foudres de 6800 a 8500lts., ou mesmo permanecem nas cuves tronco-coniques para a maturação, onde ficam de 12 a 18 meses. O domaine utiliza cerca de 95%de carvalho francês sendo o restante americano ou austríaco. Para se ter uma idéia, um só foudre custa em torno de 20.000 euros, mas pode permanecer em uso por até 70 anos. As barriques geralmente são descartadas novas, sendo enviadas à Escócia para envelhecimento de whisky.




Em seguida degustamos alguns vinhos, o primeiro deles um Châteauneuf-du-Pape branco jovem, safra 2012, corte de grenache blanc, clairette, bourboulenc e roussanne, com aromas de pêssego, abacaxi, bom frescor e boa densidade na boca, um belo vinho. Depois foi a vez de um Côtes du Rhône 2012 de grenache, syrah e mourvèdre que mostrou geléia de fruta vermelha, ameixa e um surpreendente aroma de caramelo, com taninos finos e corpo leve, bem frutado e macio na boca. O Châteauneuf-du-Pape "Safres" 2010, 90% grenache, o restante de mourvèdre e cinsault mostrou mais complexidade como era de se esperar, com aromas de fruta madura, especiarias e couro. Mas foi o último vinho da degustação, o CDP Clos de l'Oratoire des Papes 2012 tinto que roubou a cena, com aromas de geléias de frutas vermelhas e negras, especiarias como pimenta, cravo e tomilho, couro e azeitona; na boca ainda mostra a aspereza dos taninos jovens, casados como uma acidez tal que faz pressupor que um vinho desse durará muitos anos na adega.


E depois de mais umas comprinhas - é lógico! - seguimos por mais uns 20 minutos de belas paisagens na estrada regional que liga Châteauneuf a Avignon, onde jantamos novamente na Place de  l'Horloge, seguindo cedo para o repouso merecido pois o próximo dia de viagem promete ainda mais - que venha l'Hermitage!
Santé! Au revoir!

3 comentários:

  1. Respostas
    1. Olá Rogério, obrigado pela visita ao blog e pelos compartilhamentos de meus posts!
      Abraço!

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    2. Carlos, talvez eu tenha que comentar como anônimo é que o alemdovinho tem plataforma de wordpress e as vezes há conflito. Pela publicação, principalmente pela facilidade, desde que estejamos lá, por certo, das visitas e dos passeios. Há pessoas que pensam que o mundo do vinho e seus proprietários são complicados. Nada disto. Um abraço Peter

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