quarta-feira, 28 de maio de 2014

Diário de Viagem - dia 7 - Do Rhône à Bourgogne

Salut les amis!
Começamos o nosso sétimo dia de viagem com uma visita ao Château des Papes, em Avignon, afinal nos dias anteriores mal havíamos parado nesta bela cidade par conhecê-la melhor. O castelo foi construído pelo Reinado de França por ocasião de um cisma que ocorreu entre este Estado e o Vaticano, por razões políticas, e, sendo este o maior e mais poderoso reino católico da época, resolveu nomear seus próprios Papas, por um período entre os séculos XIII e XIV. Embora seja grande e bonito, eu tenho para mim que estes Papas franceses tinham uma pontinha de dor de cotovelo dos seus colegas italianos, que viviam na pompa e luxo de Roma. Mas enfim... Valeu a visita!




Retornamos ao hotel para apanhar as malas e carregar o carro, afinal tínhamos uns 400km de viagem pela frente até chegar em Beaune, na Bourgogne, e tínhamos planos de parar para almoçar no caminho.
Novamente tomamos a Autoroute do Soleil, a A7, sentido norte, passando pelas belas paisagens vinícolas que conhecemos nos dias anteriores. Mas desta vez deixamos a colina de Hermitage para trás e, nos próximos 60km, a vinha novamente praticamente desapareceu de vista de quem segue pela estrada, embora estivéssemos passando pelas regiões de Crozes-Hermitage, na margem esquerda do Rhône, e St. Joseph, do outro lado. Neste trecho a vinha dá lugar a florestas e outras culturas, como frutas e a colza.
Mas chegando em Vienne a vinha ressurge soberana do outro lado do rio, na altura dos vilarejos de Condrieu e Ampuis. Resolvemos cruzar o rio e conhecer um pouco mais destes famosos vinhedos, seguindo para as vinhas do Château Grillet, tido por alguns como um dos cinco maiores vinhos brancos de França, ao lado de Montrachet, Sauternes, Coulée de Serrant e Château Châlon. No caminho passamos por um belo aire, uma área de descanso preparada para pique-nique e não tivemos dúvida: na volta passamos em um super-mercado, compramos pão, queijos, uma terrine de campagne, quiche e bebidas e paramos para almoçar ali, do ladinho do Rhône.



Seguimos depois para Côte Rôtie, passando no village de Ampuis pelas sedes de duas importantes empresas da região: a Guigal (tida por muitos como a principal maison do Rhône) e a Vidal-Fleurie (que atualmente também pertence à Guigal). Esta encosta recebe este nome por causa da sua ótima exposição ao sol e é sub-dividida em Côte Blonde (loira), de solo mais claro, calcário e Côte Brune (morena), de solo escuro, argiloso. Ali Guigal produz seus míticos vinho "la-la-la" - o La Mouline (Côte Blonde), o La Turque (Côte Brune) e o La Landonne, um assemblage. Esse vinhedo em terraços é impressionante.


Cruzamos novamente o rio, deixando os vinhedos do Vale do Rhône para trás e seguindo mais uns 30km até Lyon, a segunda metrópole francesa, que já tivemos oportunidade de conhecer em outra ocasião, e então desta vez passamos direto. Mas não sem antes pegar um bouchon (congestionamento), pois a estrada passa por dentro da cidade e precisávamos sair para o norte, agora pela Autoroute A6, que liga Lyon a Paris, passando por Beaune.
Logo na saída de Lyon já entramos na região do Beaujolais, este vinho que infelizmente virou sinônimo de vinho ordinário graças a produtores inescrupolosos que inundaram o mercado com vinho ruim tentando pegar a onda do Beaujolais Nouveau, um vinho produzido rapidamente após a colheita, pelo método de maceração carbônica e que é prontamente engarrafado para que chegue aos bistrots parisienses e bouchons (bistrots típicos) lyonnaises na terceira quinta-feira de novembro, data que se convencionou para uma grande campanha de marketing em cima deste vinho, que se tronou febre entre a juventude festiva por se tratar de um vinho facinho de beber, frutado e leve, ainda mais geladinho... A maceração carbônica é um processo pelo qual as uvas, lançadas em um tanque inox hermeticamente fechado, maceram pela ação do gás carbônico que liberam na fermentação dos bagos que vão se rompendo pela ação do seu próprio peso na cuba. Atualmente os bons produtores de Beaujolais, principalmente os dos dez crus de Beaujolais, que ficam mais ao norte da região, lutam para resgatar a reputação de seus vinhos, sempre feitos de gamay, mas que hoje, principalmente pelo fator do aquecimento global, podem gerar resultados bem interessantes - eu mesmo já tomei muito bons Beaujolais de Morgon e Fleurie.
Continuamos subindo sentido norte pela A6, chegando à Bourgogne primeiramente pelo Mâconnais, região conhecida também como Côte Mâconnaise, região que circunda o vilarejo de Cluny, do famoso mosteiro medieval, e que contêm as denominações de Pouilly-Fuissé, Pouilly-Vinzelles, Pouilly-Loché e St.-Véran, todas reconhecidas por um fresco e mineral vinho de chardonnay. Em seguida passamos pela Côte Chalonnaise, na face oposta da estrada à cidade de Châlon-sur-Saône, um pouco mais afastada da A6. Na margem da estrada vemos vários bosques e extensas plantações de colza, e apenas poucos vinhedos.
Enfim, depois de aproximadamente 90km e uma hora de estrada desde que passamos por Mâcon chegamos em Beaune! É muito bom conhecer novos lugares quando viajamos, como também voltar para aqueles que mais gostamos! Como da primeira vez, nos hospedamos na Hostellerie Le Cèdre, um ótimo hotel super bem localizado, na avenida periférica do centro da cidade, com acesso muito fácil de carro às estradas e à pé ao centreville. Fizemos o check-in, demos uma descansada - afinal ninguém é de ferro - e saímos para jantar no Le P'tit Paradis, um bistrozinho delicioso na Rue du Paradis. É, caro amigo, é preciso se acostumar que na Bourgogne os nomes são muito sugestivos...
Au revoir! Santé!






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