quarta-feira, 28 de maio de 2014

Diário de Viagem - dia 7 - Do Rhône à Bourgogne

Salut les amis!
Começamos o nosso sétimo dia de viagem com uma visita ao Château des Papes, em Avignon, afinal nos dias anteriores mal havíamos parado nesta bela cidade par conhecê-la melhor. O castelo foi construído pelo Reinado de França por ocasião de um cisma que ocorreu entre este Estado e o Vaticano, por razões políticas, e, sendo este o maior e mais poderoso reino católico da época, resolveu nomear seus próprios Papas, por um período entre os séculos XIII e XIV. Embora seja grande e bonito, eu tenho para mim que estes Papas franceses tinham uma pontinha de dor de cotovelo dos seus colegas italianos, que viviam na pompa e luxo de Roma. Mas enfim... Valeu a visita!




Retornamos ao hotel para apanhar as malas e carregar o carro, afinal tínhamos uns 400km de viagem pela frente até chegar em Beaune, na Bourgogne, e tínhamos planos de parar para almoçar no caminho.
Novamente tomamos a Autoroute do Soleil, a A7, sentido norte, passando pelas belas paisagens vinícolas que conhecemos nos dias anteriores. Mas desta vez deixamos a colina de Hermitage para trás e, nos próximos 60km, a vinha novamente praticamente desapareceu de vista de quem segue pela estrada, embora estivéssemos passando pelas regiões de Crozes-Hermitage, na margem esquerda do Rhône, e St. Joseph, do outro lado. Neste trecho a vinha dá lugar a florestas e outras culturas, como frutas e a colza.
Mas chegando em Vienne a vinha ressurge soberana do outro lado do rio, na altura dos vilarejos de Condrieu e Ampuis. Resolvemos cruzar o rio e conhecer um pouco mais destes famosos vinhedos, seguindo para as vinhas do Château Grillet, tido por alguns como um dos cinco maiores vinhos brancos de França, ao lado de Montrachet, Sauternes, Coulée de Serrant e Château Châlon. No caminho passamos por um belo aire, uma área de descanso preparada para pique-nique e não tivemos dúvida: na volta passamos em um super-mercado, compramos pão, queijos, uma terrine de campagne, quiche e bebidas e paramos para almoçar ali, do ladinho do Rhône.



Seguimos depois para Côte Rôtie, passando no village de Ampuis pelas sedes de duas importantes empresas da região: a Guigal (tida por muitos como a principal maison do Rhône) e a Vidal-Fleurie (que atualmente também pertence à Guigal). Esta encosta recebe este nome por causa da sua ótima exposição ao sol e é sub-dividida em Côte Blonde (loira), de solo mais claro, calcário e Côte Brune (morena), de solo escuro, argiloso. Ali Guigal produz seus míticos vinho "la-la-la" - o La Mouline (Côte Blonde), o La Turque (Côte Brune) e o La Landonne, um assemblage. Esse vinhedo em terraços é impressionante.


Cruzamos novamente o rio, deixando os vinhedos do Vale do Rhône para trás e seguindo mais uns 30km até Lyon, a segunda metrópole francesa, que já tivemos oportunidade de conhecer em outra ocasião, e então desta vez passamos direto. Mas não sem antes pegar um bouchon (congestionamento), pois a estrada passa por dentro da cidade e precisávamos sair para o norte, agora pela Autoroute A6, que liga Lyon a Paris, passando por Beaune.
Logo na saída de Lyon já entramos na região do Beaujolais, este vinho que infelizmente virou sinônimo de vinho ordinário graças a produtores inescrupolosos que inundaram o mercado com vinho ruim tentando pegar a onda do Beaujolais Nouveau, um vinho produzido rapidamente após a colheita, pelo método de maceração carbônica e que é prontamente engarrafado para que chegue aos bistrots parisienses e bouchons (bistrots típicos) lyonnaises na terceira quinta-feira de novembro, data que se convencionou para uma grande campanha de marketing em cima deste vinho, que se tronou febre entre a juventude festiva por se tratar de um vinho facinho de beber, frutado e leve, ainda mais geladinho... A maceração carbônica é um processo pelo qual as uvas, lançadas em um tanque inox hermeticamente fechado, maceram pela ação do gás carbônico que liberam na fermentação dos bagos que vão se rompendo pela ação do seu próprio peso na cuba. Atualmente os bons produtores de Beaujolais, principalmente os dos dez crus de Beaujolais, que ficam mais ao norte da região, lutam para resgatar a reputação de seus vinhos, sempre feitos de gamay, mas que hoje, principalmente pelo fator do aquecimento global, podem gerar resultados bem interessantes - eu mesmo já tomei muito bons Beaujolais de Morgon e Fleurie.
Continuamos subindo sentido norte pela A6, chegando à Bourgogne primeiramente pelo Mâconnais, região conhecida também como Côte Mâconnaise, região que circunda o vilarejo de Cluny, do famoso mosteiro medieval, e que contêm as denominações de Pouilly-Fuissé, Pouilly-Vinzelles, Pouilly-Loché e St.-Véran, todas reconhecidas por um fresco e mineral vinho de chardonnay. Em seguida passamos pela Côte Chalonnaise, na face oposta da estrada à cidade de Châlon-sur-Saône, um pouco mais afastada da A6. Na margem da estrada vemos vários bosques e extensas plantações de colza, e apenas poucos vinhedos.
Enfim, depois de aproximadamente 90km e uma hora de estrada desde que passamos por Mâcon chegamos em Beaune! É muito bom conhecer novos lugares quando viajamos, como também voltar para aqueles que mais gostamos! Como da primeira vez, nos hospedamos na Hostellerie Le Cèdre, um ótimo hotel super bem localizado, na avenida periférica do centro da cidade, com acesso muito fácil de carro às estradas e à pé ao centreville. Fizemos o check-in, demos uma descansada - afinal ninguém é de ferro - e saímos para jantar no Le P'tit Paradis, um bistrozinho delicioso na Rue du Paradis. É, caro amigo, é preciso se acostumar que na Bourgogne os nomes são muito sugestivos...
Au revoir! Santé!






terça-feira, 27 de maio de 2014

Diário de Viagem - dia 6 - Norte do Vale do Rhône (Parte 2 - Cornas - Jean Luc Colombo)

Salut les amis!
No caminho de volta de Tain l'Hermitage à Avignon paramos em Cornas, pois ali tínhamos visita marcada no domaine de Jean-Luc Colombo. Monsieur Colombo é daqueles franceses que preferem ser do que parecer, pois seu domaine é bem simples e despojado, tanto que sua cave nem é aberta a visitas porque não é muita arrumadinha, segundo diz seu próprio pessoal. Ele é amigo pessoal de Paul Bocuse, chef de cuisine mega-estrelado, e por sua dedicação à boa mesa e aos bons vinhos é um dos poucos "não-cozinheiros" pertencente ao grupo "Chefs des Chefs", congregação dos maiores nomes da cuisine française. É tão prestigiado que chega a atrair Bocuse e outros chefs para um festival que promove anualmente em sua propriedade em Cornas, ocasião em que ocorrem banquetes e até um concurso temático de sommelierie.
Aqui cabe um adendo: a cave não é arrumadinha mas é bem limpinha. Jean-Luc ganhou fama no vale do Rhône nos anos 80 justamente na sua atuação como enólogo-consultor de diversas vinícolas, onde constatou e corrigiu um grave problema de higiene que afetava a qualidade dos vinhos ali produzidos. Colombo vem do ramo farmacêutico, e ele e a esposa pertenceram à primeira turma com formação superior em enologia na França. Como o pessoal por ali utilizava os grandes foudres, muitas vezes por décadas, havia um problema de higienização, o que ele foi aos poucos abolindo com o uso mais intensivo do aço inox e das barricas pequenas, mais "descartáveis", digamos, que as grandes cubas e foudres de carvalho. Com o tempo ele foi adquirindo alguns vinhedos, outros ele contrata por comodato, e foi formando assim seu próprio domaine.



Foi a assistente pessoal de Colombo, Fanny, que nos acompanhou em uma visita ao vinhedo de Ruchets, uma escarpa bem íngreme da colina de Cornas, onde os vinhedos tem que ser trabalhados em terraços arrimados por muros de pedra para evitar a erosão. Ela nos explicou que o solo é de base granítica, de um estrato muito maleável e mesmo frágil e quebradiço nas mãos, o que forma na superfície uma areia que facilita a drenagem e estressa a vinha, que tem que procurar água nas camadas inferiores. Este vinhedo é orientado face sul e ela também nos explica que esta região está localizada no cruzamento do clima mediterrâneo com o clima continental, a uma altitude de 300 até 400m do nível do mar. Isso faz de Cornas, como Hermitage ou Côtes Rôtie, terroirs únicos extremos para a extração do que melhor a syrah pode produzir.  O nome Ruchets vem das colmeias de abelhas que existiam neste terreno antigamente, "les abeilles" que também estão presentes no nome de um Côtes du Rhône produzidos pela casa.
Desde que possui estes vinhedos, meados da década de 1980, Colombo conduz as vinhas da forma mais "biológica" possível, pois entende que a vinha deve interagir com o ambiente, com a garrigue, os animais silvestres, para exprimir bem o terroir. Mas apenas recentemente, quando sua esposa Anne e sua filha Laure passaram a conduzir mais de perto o negócio da família elas insistiram para que buscassem a certificação "bio", o que só ocorrerá na safra de 2015 pois deve ser decorrido um período mínimo de cinco anos observação para que essa certificação seja concedida pela autoridade francesa.


Retornando à Maison, Fanny conduziu uma degustação de seis vinhos, sendo o primeiro um Côtes du Rhône blanc Les Abeilles 2013. Os vinhos brancos da casa apelam para o frescor, a maioria é vinificada e elevada em inox e apenas a roussanne costuma passar algum tempo em foudre de madeira. Este vinho é um assemblage de clairette com pouca roussanne, o que resulta num vinho bem cítrico, maçã verde e frutas brancas. Ela conta que Colombo sempre elabora seus vinhos pensando em um prato para a harmonização, e este iria muito bem com ostras ou peixes delicados. O segundo vinho, um Côtes du Rhône blanc La Redonné 2013, assemblage de 70% viognier com 30% roussanne,  já é mais encorpado, tem aromas de pêssego, damasco e flores brancas, é um pouco mais gordo e já suporta acompanhar de um peixe mais gorduroso até carnes brancas. O vinho seguinte foi um Condrieu Amour de Dieu 2012  que tem mesmo um nome bem apropriado, porque é divino! De cor amarela com reflexos verdeais, tem aromas de damasco, pêssego, abacaxi em calda, florais, erva-doce. Na boca é super redondo, mas com uma fineza... Fanny disse que esse vinho, com cinco ou sete anos de idade, começa a amostrar deliciosos aromas de mel e amêndoas.
Partimos para os tintos degustando um Crozes-Hermitage Les Fées Brunes  2011, de uma profunda cor púrpura com bordas rubi, aromas de geléia de morango, framboesa, cravo, cedro e uma pontinha de chocolate. Na boca é caloroso mas bem arredondado, mostrando muita fruta e finalzinho apimentado. Fanny contou que o nome do vinho é homenagem a uma amiga de Colombo, a mesma que elabora os desenhos em aquarela para os rótulos de seus vinhos, todos belíssimos, diga-se en passant. Em seguida provamos o Cornas Terres Brulées 2011. Cornas na língua celta quer dizer terra laranja, terra queimada. E esse terroir pode ser mesmo comparado com Hermitage e a Côte Rôtie quanto a diversas características em comum, sendo considerados informalmente os três "grand crus" tintos do Rhône setentrional. Um vinho de cor profunda, aromas de frutas vermelhas e negras confitadas e especiarias, um vinho com grande estrutura e que certamente não se abrirá tão cedo, demorando uns bons 10 anos, talvez até mais, para atingir seu apogeu. E o último vinho da degustação foi um Cornas Les Ruchets 2008, vinho que, segundo Fanny, embora tenha sido produzido em um ano de má safra, foi um dos mais belos resultados da casa, pois houve um cuidado todo especial na colheita e na triagem dos bagos (só foram utilizados os menores), o que resultou num dos melhores vinhos do ano na região, demonstrando toda a diferença que faz a habilidade de um bom vinicultor. O vinho é muito estruturado, tem uma grande presença de taninos mas muito, muito bem equilibrada pela fruta e alto grau de acidez. Tem aromas de fruta negra, garrigue, tostado, e com certeza depois de alguns bons anos, vai se abrir e se revelar um vinho grandioso.
Concluímos a visita agradecendo toda a atenção de Fanny e sua equipe, e a ótima recepção que nos proporcionaram em Cornas. Realmente estes são vinhos que deveriam ser mais conhecidos do público brasileiro, afinal aliam o que este público gosta (fruta e calor), com a elegância que poucos terroirs do "Novo Mundo" proporcionam.
Au revoir! Santé!




segunda-feira, 26 de maio de 2014

Diário de Viagem - dia 6 - Norte do Vale do Rhône (Parte 1 - Hermitage - Paul Jaboulet Ainé)

Salut les amis!
Hoje o dia foi duro! Tivemos que acordar cedo para partir em viagem até Tain l'Hermitage e agora, já tarde da noite, tentarei transcrever aqui um pouco das experiências pelas quais passamos durante o dia, me desculpem se o cansaço me fizer atrapalhar com as letras...
De Avignon a Tain l'Hermitage levamos mais ou menos uma hora e meia para percorrer os 150km entre as duas cidades, transitando pela Autoroute A7, a auto-estrada que liga Marseille a Lyon, quase sempre margeando o Rhône em sua margem oriental, a rive gauche (esquerda), posto que o rio corre do norte para o sul. Ele nasce nos Alpes e vai desembocar no Mediterrâneo, ao sul.
Depois que passamos por Châteauneuf-du-Pape, de Montélimar até a altura da cidade de Valence a vinha praticamente desaparece da paisagem. Neste trecho vemos muitas florestas, indústrias e cultura de outras frutas, mas os vinhedos só reaparecem na margem direita do rio na apelação de St.-Péray. Em seguida vem Cornas, St.-Joseph e, no mesmo lado do rio que a auto-estrada, Crozes-Hermitage; até o ponto em que o Rhône faz uma curva abrupta e já podemos ver, da estrada mesmo, a imponente colina de Hermitage.
Havíamos marcado uma degustação às 10h30 na loja da Paul Jaboulet Ainé, chamada Vineum, uma mistura de bar-à-vins, restaurante e magasin desta tradicional Maison da região, que foi fundada em 1834. Hoje ela está sobre controle da família Frey, de Champagne, e é a jovem enóloga Caroline Frey que comanda este negócio, entre outros (por exemplo o Château La Lagune 3ème cru classé bordalês).




Fomos muito bem recebidos pelo sommelier da casa, o simpático Guillaume, que nos contou um pouco da história da Maison e conduziu uma degustação de seis vinhos. Enquanto servia o primeiro vinho, o Châteuneuf-du-Pape blanc Domaine de Terre Ferme 2010, ele nos contava que Paul Jaboulet Ainé possui 120ha de vinhas, a maioria no norte do Rhône, repartidos entre Hermitage, Crozes-Hermitage, Cornas, St.-Joseph, como também alguns hectares no Sul, nas apelações de Côtes du Rhône e mais recentemente Châteauneuf. Explicou ainda que a Maison adotou um estilo mais fresco nos vinhos brancos, fazendo sua vinificação em cubas de inox ou de concreto, de forma oval, o que facilita a suspensão das borras do vinho (les lies), auxiliando a transmissão aromática das partículas sólidas para o vinho. De fato, o vinho servido, de bela cor amarela com reflexos dourados, ainda dá boa mostra de frescor, com aromas de pêssego, damasco e abacaxi, abrindo depois um pouco de mel e manga, com corpo médio, boa densidade e acidez ainda bem presente, o que leva a crer que é um vinho que suporta uns 10 anos de guarda. É uma assemblage de 80% grenache blanc e 20% clairette.
O segundo vinho provado foi um Condrieu Domaine des Grands Amandiers 2012, 100% viognier como determina a apelação, amarelo palha, com aromas de pêssego branco, damasco, maracujá e flores brancas; boca fresca com um pouco de mineralidade, um pouquinho de açúcar residual, com um final bastante perfumado e um pouco cítrico. 
Enquanto servia o terceiro vinho, o Hermitage blanc Chevalier de Stérimberg 2011, o sommelier nos deu uma aula de história, contando que o vinho, assim como a colina, recebe este nome em homenagem a um cavaleiro que, retornando da cruzada albigense, que no século XII combateu os hereges cátaros na região do Languedoc a mando do papado de Avignon, transformou este território em seu eremitério, ali construindo uma capela que dá nome ao mítico vinho que já foi considerado um dos dez maiores da história - o Hermitage La Chapelle safra 1961. Explicou ainda que a Maison possui em Hermitage 28ha de vinhas, sendo 23ha de syrah e 5ha de cepas brancas. O corte do vinho branco é de 2/3 de marsanne para 1/3 de roussanne, o que resulta em um vinho amarelo dourado, com lágrimas densas, e que abre aromas de abacaxi em calda, pêssego e mel, e segundo o sommelier com o tempo mostra nozes, amêndoas e aromas oxidativos. Ainda jovem, tem um caráter fresco, com bom corpo e retrogosto de mel, bastante longo. Sugere-se uma guarda de dez anos.


Partimos para os tintos com um Châteauneuf-du-Pape Domaine de Terre Ferme rouge 2009, um vinho de cor rubi bem profunda com reflexos violeta, aromas de geléia de frutas vermelhas e negras, ameixa fresca, pimenta e azeitona preta, bastante caloroso na boca, com taninos bem marcados, boa acidez e final especiado, apimentado. Este vinho é uma assemblage de 80% grenache e 20% mourvèdre, que passa por extração lenta em tanques de inox e matura por um ano em fûts (barricas de 225lts.) de carvalho francês, russo e americano, de 20 a 25% novos e o restante de segundo ou terceiro usos. A Maison Jaboulet só utiliza os tradicionais foudres e cubas tronco-cônicas de maior capacidade para seus vinhos de entrada.
O quinto vinho provado foi um Côtes Rôtie Domaine des Pierrelles 2009 - 100% syrah. A apelação toda tem apenas 130ha de vinhas, dois quais Jaboulet possui somente 3, desde esta safra de 2009. O surpreendente nesta apelação é que ela permite que os vinhos sejam suavizados com até 20% de viognier. De cor rubi muito profunda com reflexos violeta, que apresenta aromas de fruta negra, cedro, chocolate, cravo, herbáceo (é difícil definir este aroma sem antes ter conhecido um bosquezinho - a garrigue - desta região sul da França ou uma épicerie da Provence, onde os aromas de carvalho, alecrim, lavanda, tomilho, pinheiro, entre outros se misturam...). Na boca é caloroso mas aveludado, com taninos bem presentes e final especiado, prolongado. Esta safra foi muito quente, o que ficou claro nestes dois últimos vinhos, bem encorpados e com taninos firmes. Guillaume disse que a colheita teve que ser feita muito rapidamente para que se mantivesse um bom nível de acidez, o que faz pressupor a guarda destes vinhos para mais de quinze anos, quando poderão despertar aromas terciarios de cacau, café e estrebaria.
O último vinho da degustação foi o Hermitage La Petite Chapelle 2007, o "segundo vinho" da Maison produzido comunas provenientes da colina. Em alguns maus anos, o La Chapelle nem é produzido e toda a colheita vai para o La Petite. Este vinho mostrou uma bela cor rubi/granada, com lágrimas lentas, densas e coloridas. Os aromas são parecidos com o vinho anterior, mas bem mais concentrados, mostrando fruta mais madura, um pouco de cedro e baunilha, defumado e já um pouco de couro. Muito encorpado e maduro na boca, aveludado, com um longo e apimentado final. Este vinho passa de 15 a18 meses em barrica. A Maison possui diversas parcelas em Hermitage, o que pudemos conferir à tarde quando subimos à colina, com diversas características de solo, drenagem e insolação, e esses dois vinhos são assemblages dessas diferentes parcelas.


Terminada a degustação, almoçamos ali na Vineum também, com um menu harmonizado com os vinhos. Para o aperitivo, foi servido um amuse bouche à base de beterraba, acompanhado do St.-Joseph blanc Le Grand Pompée 2012, 100% marsanne. A entrada de gazpacho e o prato, filé com molho cremoso de manteiga e erva-doce foi harmonizado com um Crozes-Hermitage tinto Domaine de Thalabert 2010, mas a surpresa veio no final: para acompanhar um prato de queijos regionais, Guillaume apareceu com uma garrafa do La Chapelle 2001, simplesmente divino, a quintessência da syrah. Sem mais comentários.


Depois do almoço fizemos umas comprinhas e subimos à colina de Hermitage, afinal não podíamos deixar de registrar nossa visita em uma das mais icônicas paisagens do universo do vinho. E seguimos viagem, pois os cães ladram e a caravana não para...
Santé les amis! Au revoir! 










quinta-feira, 22 de maio de 2014

Diário de Viagem - dia 5 - Châteauneuf-du-Pape (Parte 2 - Ogier)

Salut les amis!
Dando continuidade ao nosso diário de viagem, depois de nossa visita ao Château de Beaucastel no período da manhã, seguimos viagem por uns 7kms a sudoeste, para o centreville de Châteauneuf-du-Pape. Ali tínhamos uma visita marcada às 14 horas na Ogier, tradicional empresa négociant da região que também possuiu belos vinhedos, entre estes o Clos de l'Oratoire des Papes, de 25ha além de60ha na região de Ardèche, no Rhône setentrional. Uma empresa négociant é aquela que compra uvas ou vinho já fermentado de produtores da região, faz o processo de vinificação e maturação deste vinho, engarrafa e coloca no mercado com a sua etiqueta.
Paramos para almoçar numa pracinha, num bistrozinho chamado La Mule des Papes, e comemos muito bem - e barato! Comi uns filés de pato com polenta e ratatouille e a patroa comeu um risotto de saint-jacques, dois pratos deliciosos e com uma bela apresentação, tomamos água (!) e tomamos café e a conta saiu uns 30 e poucos euros. Quisera fosse sempre assim...


Ainda chegamos na sede da Ogier um pouco cedo e tivemos que esperar por um pequeno grupo de americanos que faria a visita às caves conosco. A guia nos explicou a natureza dos solos da região, que eles classificam em quatro tipos: os éclats calcaires, solo pedregoso de estratificação de rocha calcária, branca-amarelada, mais apropriado para o cultivo da cinsault, que lhe confere maior mineralidade e frescor. Les safres, o solo arenoso, mais apropriado para a mourvèdre; le grés rouge a areia argilosa vermelha, onde se cultiva principalmente syrah, e as galets, os grandes seixos rolados provenientes de um passado distante trazidos pelo degelo dos Alpes, adequadas ao cultivo da grenache, lhe proporcionando toda a maturação necessária para resultar num vinho redondo.


Quanto à vinificação, após a fermentação em cubas de concreto ou cubas tronco-cônicas de madeira de 115hl de capacidade, os vinhos passam pela assemblage e seguem para barricas de 300lts., demi-muids (barris de 600lts.), foudres de 6800 a 8500lts., ou mesmo permanecem nas cuves tronco-coniques para a maturação, onde ficam de 12 a 18 meses. O domaine utiliza cerca de 95%de carvalho francês sendo o restante americano ou austríaco. Para se ter uma idéia, um só foudre custa em torno de 20.000 euros, mas pode permanecer em uso por até 70 anos. As barriques geralmente são descartadas novas, sendo enviadas à Escócia para envelhecimento de whisky.




Em seguida degustamos alguns vinhos, o primeiro deles um Châteauneuf-du-Pape branco jovem, safra 2012, corte de grenache blanc, clairette, bourboulenc e roussanne, com aromas de pêssego, abacaxi, bom frescor e boa densidade na boca, um belo vinho. Depois foi a vez de um Côtes du Rhône 2012 de grenache, syrah e mourvèdre que mostrou geléia de fruta vermelha, ameixa e um surpreendente aroma de caramelo, com taninos finos e corpo leve, bem frutado e macio na boca. O Châteauneuf-du-Pape "Safres" 2010, 90% grenache, o restante de mourvèdre e cinsault mostrou mais complexidade como era de se esperar, com aromas de fruta madura, especiarias e couro. Mas foi o último vinho da degustação, o CDP Clos de l'Oratoire des Papes 2012 tinto que roubou a cena, com aromas de geléias de frutas vermelhas e negras, especiarias como pimenta, cravo e tomilho, couro e azeitona; na boca ainda mostra a aspereza dos taninos jovens, casados como uma acidez tal que faz pressupor que um vinho desse durará muitos anos na adega.


E depois de mais umas comprinhas - é lógico! - seguimos por mais uns 20 minutos de belas paisagens na estrada regional que liga Châteauneuf a Avignon, onde jantamos novamente na Place de  l'Horloge, seguindo cedo para o repouso merecido pois o próximo dia de viagem promete ainda mais - que venha l'Hermitage!
Santé! Au revoir!

Diário de Viagem - dia 5 - Châteauneuf-du-Pape (Parte 1 - Château du Beaucastel)

Salut les amis!
Hoje saímos cedo do hotel com destino à Courthézon, um village a aproximadamente 30km ao norte de Avignon, fazendo o percurso pela auto-estrada A7, a Autoroute du Soleil, que liga Marseille à Lyon. Às 10 horas tínhamos visita marcada no Château de Beaucastel. Chegamos adiantados e ficamos esperando um pequeno grupo de turistas alemães que iriam fazer a visita conosco. O guia, Gabriel, se desdobrou para falar em francês e em um inglês impecável também... 


Começou explicando que é funcionário da 5.a geração da família Perrin, proprietária do château. Beaucastel domina sobre 100ha de vinhedos nesta região, dos quais 75ha estão classificados como Châteauneuf-du-Pape e 25ha como Côtes-du-Rhône. Na hierarquia das apelações na região do Rhône, Côtes-du-Rhône são a base da pirâmide, depois temos os Côtes-du-Rhône villages (que destacam no rótulo a localidade de proveniência), e no topo os "crus", entre os quais está Châteauneuf-du-Pape. Praticamente tudo que vimos a oeste da estrada entre Avignon e Châteauneuf é AOC (apelação de origem controlada) Châteauneuf-du-Pape.


Gabriel explicou que Jacques Perrin, patriarca da família, foi um pioneiro no cultivo biológico, depois biodinâmico na região, desde a década de 50. Neste dia pudemos presenciar, visitando o vinhedo,  um dos fenômenos que permite a adoção deste tipo de cultivo no vale: o mistral - vento violento e seco que sopra a partir dos Alpes nesta época do ano e que mantêm as vinhas livres de fungos em um período crítico, da floração ao crescimento e amadurecimento dos bagos. Também foi ele que reintroduziu no Rhône meridional a mourvèdre, uma cepa tradicional na assemblage (corte, mistura) do CDP mas considerada difícil para a região. Na costa do Mediterrâneo ela atinge a maturidade com perfeição e dá bons rosés como em Bandol, mas no vale do Rhône, só como comparação, enquanto colhem syrah em agosto, a mourvèdre só é colhida em meados de outubro. M. Perrin também teria reinvestido na plantação de roussanne, uma cepa branca que entra tanto na assemblage dos Châteauneuf tintos como brancos.



Beaucastel utiliza todas as treze cépages (cepas) permitidas no corte de seus Châteauneuf-du-Pape, quais sejam: as tintas grenache, syrah, mourvèdre, cinsault, counoise, muscardin, terret noir e vaccarèse e as brancas grenache blanc, clairette, bourboulenc, picardin, picpoul e a roussanne (a grenache tanto tinta como branca são contadas uma só vez - mas na verdade são catorze uvas diferentes...). Elas são vinificadas separadamente em cubas de concreto ou carvalho, depois passam pela assemblage e pela élévage (criação, amadurecimento) em foudres (grandes barris) de carvalho. Ali os vinhos passam em torno de um ano, sendo então engarrafados e guardados por mais um ano antes de ir para o mercado.
O vinho Côtes-du-Rhône, em Beaucastel chamado de Coudoulet, passa praticamente pelo mesmo processo, se diferenciando do Châteauneuf por ser proveniente daqueles 25ha de vinhedos não classificados e ser feito com menos cepas, principalmente grenache, syrah, mourvèdre e cinsault, e de vinhas mais novas que as utilizadas para o Châteauneuf, que tem entre 45 e 85 anos! Com as vinhas novas da região de CDP, Beaucastel produz uma cuvée especial "famille Perrin", envelhecida em barricas pequenas de carvalho.


Em seguida, em visita à cave, degustamos 6 vinhos, sendo o primeiro um Châteauneuf-du-Pape branco, jovem (safra 2012), assemblage das cepas brancas permitidas para este vinho, que estava bem fresco, com frutas brancas e mineralidade, e sinceramente foi engolido pela segunda amostra: um CDP mono-varietal (de uma só uva), roussanne, velhas vinhas (45 a 85 anos!), que demonstrava aromas de frutas de caroço e tropicais - abacaxi, manga, damasco - e uma densidade volumosa na boca, uma delícia! Enquanto o primeiro cairia bem com um peixinho mais delicado, no máximo uns saint-jacques, o último deve ser uma beleza acompanhando mariscos, lagosta...


Nos tintos começamos pelo Coudoulet 2011, um vinho leve e redondinho, com aromas de geléia de frutas vermelhas, ameixa e pimenta, com taninos bem finos. O Châteauneuf-du-Pape 2011 já ajunta aromas mais concentrados de frutas vermelhas, ameixa seca, chocolate, tomilho e alcaçuz, mas ainda está na mais tenra infância... O exemplar da safra 2006 mostrava tanino ainda mais presente que o 2011, com mais caráter de fruta madura e mais especiarias, o que nos faz deduzir um ano muito quente; esse vai longe, e Gabriel confirma dizendo que estes CDP atingem o auge entre 10 e 25 anos de idade, mas recentemente ele tomou um 1964 que ainda estava bem vivo! Em seguida fez uma brincadeira e abriu uma garrafa de CDP sem rótulo, muito fresco e frutado, para que adivinhássemos o ano da colheita. Ninguém acertou que era um 2001...


Terminamos a visita a este belo château com umas comprinhas - afinal ninguém é de ferro - e nos dirigimos rapidamente para o centreville, pois tínhamos outra visita marcada para depois do almoço.
Santé, les amis! Au revoir!




Diário de Viagem - dia 4 - Nice/Cannes/Aix-en-Provence/Avignon - ufa!

Salut, les amis!!!
O dia de hoje foi meio corrido, mas não por isso deixou de ser bem gostoso.
Saímos de Nice logo cedo com destino a Avignon, mas resolvemos fazer o caminho da borda do mar e parar em Cannes para aproveitar um pouco da aura de glamour desta cidade praiana, afinal está acontecendo o famoso Festival de Cinema e a cidade está fervilhando... Mas como chegamos cedo, não vimos nenhuma estrela no tapete vermelho do Palais des Festivals, só valeu mesmo para dar uma caminhada e observar um pouco do movimento dos fissurados pela sétima arte - o que, confesso, não é o meu caso...


Seguimos viagem pela auto-estrada A8, La Provençale, passando por diversos vinhedos da Côte de Provence e pelas belas paisagens proporcionadas pelas montanhas de la Sainte-Baume e Sainte-Victoire, chegando em Aix-en-Provence, uma bela cidade com o ar bem provençal, onde o antigo das construções em pedra amarela se une a uma moderna urbanização e uma população bem jovem graças às suas universidades.


Almoçamos no Café Deux Garçons, onde a história diz que Paul Cézanne se encontrava diariamente com Émile Zola, em seus tempos de liceu de artes. Comemos muito bem, sempre acompanhados por vinhos das Côtes de Provence, é lógico! 


Depois de umas comprinhas, partimos novamente, agora com destino ao nosso ponto final (ao menos de hoje) - Avignon, no sul do vale do Rhône. Essa cidade que foi a casa dos papas franceses, quando houve a cisão do Rei de França com o Vaticano, na Idade Média, será nossa base para nossos passeios pelo vale nos próximos dias. Foi só o tempo de fazer o check-in no Mercure Pont de Avignon e sair para comer alguma coisa, afinal já passavam das 7 da noite e todo o resto do comércio já estava fechado. Passamos pelo Palais, caminhamos pela Rue de la Republique e paramos para jantar no La Grillée, na Place de l'Horloge. Para o apéro, experimentei o pastis, licor de anis tradicional, e a patroa foi de kir, uma mistura de vinho branco com licor de cassis. Comemos uma salada com queijo de chèvre quente e entrecôte au beurre persilée (contra-filé com manteiga e salsa), e bebemos um belo tinto de Gigondas. 
E voltamos para o hotel cedo, afinal nossa estada no Rhône prometia...
Au revoir! Santé!

terça-feira, 20 de maio de 2014

Diário de Viagem - Dia 3 - Nice

Salut les amis!
Hoje o dia prometia: depois de tomar um belo café da manhã no Mercure Promenade des Anglais (o  é bom mesmo, acima dos padrões tradicionais franceses - tem vários tipos de queijo, ovos e frios, pães, frutas, legumes, geléias, sucos, cafés, chás entre outras coisinhas), o roteiro de viagem marcava uma visita ao Principado de Mônaco e, consequentemente, ao circuito de Monte Carlo, afinal no próximo final de semana acontece o Grand Prix de Fórmula 1.
O trajeto de Nice a Mônaco, pela costa do Mediterrâneo é lindo,  passando por Vilefranche, Beaulieu, Cap Ferrat, Èze e Cap d'Ail.


A chegada a Mônaco foi maio tumultuada, afinal imaginem um grande prêmio de Fórmula 1 sendo montado no centro de uma cidade (no caso, um principado...). Mas conseguimos estacionar nosso carro - modesto ao lado de tantas Ferraris, Lamborghinis, Maseratis e Porshes - perto do "olho do furacão" - a região onde está sendo montado o paddock, perto da marina. Dali partimos para um tour a pé pelo circuito e pudemos conhecer aqueles lugares que o Galvão Bueno tanto destaca em suas narrações - a Sainte Devote, o hairpin, o túnel, a linha de chegada... Se você não sabe, o Galvão tem residência fixa aqui, é quase um monegasco!



Almoçamos no Café de Paris, na curva do Casino, e para variar começamos com uma salade niçoise e vinho rosé Côtes de Provence. Depois eu continuei leve com um tartar de salmão, mas a patroa foi num spaghetti à bolognaise com um tinto provençal - delicioso, digo en passant. Depois de comprar uns souvenirs, seguimos viagem meio sem destino.



Resolvemos para na cidadela medieval de Èze, e não nós arrependemos nem um pouco, pelo contrário - que lugar lindo! A subida até os jardins exotiques foi um pouco sofrida, afinal já estávamos um pouco exaustos de tanto andar em Monte Carlo, mas valeu muito a pena. O vilarejo é uma graça, repleto de lojinhas de artesanato, bares e restaurantes, e a vista de cima da montanha é magnífica, com as ruínas do château se sobrepondo ao belíssimo jardim, as construções do vilarejo e o Mediterrâneo ao fundo, com as rivieras de Èze e Cap Ferrat em primeiro plano, Vilefranche e Nice ao fundo. Imagens para ficarem gravadas na retina.



Retornando a Nice, ainda deu tempo para curtir um pouquinho da praia, afinal estava um calorzinho gostoso. Voltamos para um refresh no hotel e saímos para jantar uma bela de uma pizza em um restaurante italiano gostosinho, chamado La Massara, na Rue Halévy, mesma rua do hotel. Comemos belas pizzas e bebemos um maravilhoso Valpolicella Ripasso Campolieti Luigi Righetti 2011. Um vinho realmente muito bom! De cor rubi bem profunda com reflexos violeta, aromas de fruta negra, anis, baunilha e estábulo. Boca aveludada, redonda e final prolongado. Acompanhou com gabardia uma pizza de molho vermelho, muzzarela, lingüiça, funghi porcini e pimenta calabresa, para ser sincero um pouco demais apimentada para o meu gosto. Mas não posso reclamar de nada hoje, afinal o dia foi ótimo!
E depois de tudo o que vi no dia de hoje, mes amis, eu não posso deixar de compartilhar uma impressão: se Deus é mesmo brasileiro, Ele deve estar de brincadeira conosco!!!
Santé! Au revoir!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Diário de Viagem - dia 2 - Nice

Salut les amis!
Para não esquecer os momentos que estamos passando em França, resolvi traçar aqui no blog estas mal escritas linhas, espero sempre ter um tempinho disponível para compartilhar nossas travessuras por aqui.
Como é bom chegar de avião em Nice, passando por cima da Côte d'Azur, com aquele Mediterrâneo turquesa lá embaixo! Na verdade é até um pouco assustador quando o avião inicia a descida para a aterrissagem, parece que vai esbarrar no mar... Mas a vista vale muito a pena!
Ficamos hospedados numa travessa da Promenade des Anglais, a avenida à beira-mar, e a vista da sacada do nosso quarto é sensacional.
Come-se e bebe-se muito bem por aqui. Frutos do mar são abundantes e muito bem acompanhados pelos vinhos provençais. Ontem, depois de passear pelo calçadão à beira da praia, jantamos no Le Siècle, na Promenade. Comemos linguini com frutos do mar e risoto de saint jacques, bebemos um Côtes de Provence rosé Château des Demoiselles 2013 muito fresco, aromático, delicioso. Esta propriedade é bem famosa por aqui porque já foi dos Grimaldi, aquele povo que manda no principado de Mônaco.
Hoje o tempo amanheceu bem nublado, então aproveitamos para caminhar bastante e fazer umas comprinhas pelo centro velho, Place Masséna, Avenue Jean Médecin, onde ficam as lojas mais badaladas, o Nicetoile - um belo shopping center - e a filial da Galleries Lafayette. Também fomos no Monoprix, onde compramos comidinhas e bebidinhas para levar (o preço do vinho nacional é ridículo para os nossos padrões!).
Almoçamos no La Petite Maison, na Rue St. François de Paule, que foi indicação da Mme. Victorine Babe, do Mas de Daumas Gassac, com quem conversei no ultimo encontro Mistral. O atendimento é um pouco "brusco", mas a comida é boa - comemos uma bela salada niçoise e frutos do mar fresquíssimos, mas a bouillabaisse que acompanhava o prato demorou para vir, o que nos irritou um pouco (o pessoal era meio lento, ou será que a gente é que é muito pilhado?). Tomamos outro belo vinho rosé da região, o Bandol Moulin de la Roque Grande Reserva 2012, 100% mourvèdre, mais encorpado que os delicados e fragrantes Côtes de Provence.
E depois de passear mais um pouco e voltar para o hotel para um descansinho, saímos para jantar no Les Caves du Bubbles, uma proposta legal de bar à vins/restaurante com uma grande oferta de champagnes e de vinhos em taça. Iniciamos com um assiète (prato) de salmão defumado, acompanhado pelo ótimo Laurent Perrier rosé. Depois minha mulher pediu um risotto aux cèpes, que ela decidiu acompanhar com um pinot noir da borgonha e eu fui de conchiglie foie gras aux artichauts et crème trufée (que na verdade era um penne, com molho branco trufado, com alcachofras e foie gras) - delicioso! Pode parecer estranho, mas a garçonete me aconselhou a harmonizar com um Pouilly Fumé Baron de Ladoucette, e o casamento foi perfeito. Acho que estamos muito acostumados com os vinhos mais tropicais de sauvignon blanc, demasiado frutados e "crocantes". Por outro lado, este vinho do vale do Louire tem mais equilíbrio, o frutado puxa mais para maçã ou pêra, o caráter vegetal é mais maduro, enfim, resulta em um vinho mais "gordo" que acompanhou muito bem o prato. E para terminar, dividimos uma pannacota aux fruits rouges. 
Bom, e tem ainda uns champagnezinhos gelando no frigobar, afinal hoje é o meu aniversário...
Santé! Au revoir!