sexta-feira, 29 de maio de 2015

Quando as estrelas tocam o chão - Dom Pérignon 2003

Salut les amis!
"Venez mes frères, je bois des étoiles!" - Venham meus irmãos, estou bebendo estrelas!
Reza a lenda que esta foi a frase proferida por Pierre Pérignon, jovem monge da abadia de Hautvillers, na região da Champagne, ao nordeste de Paris, ao "descobrir" o nectar espumante obtido através da segunda fermentação do vinho, acondicionado em garrafas reforçadas para aguentar a pressão, que tornou célebre essa região vinícola.
Outra lenda diz que algum tempo antes um pessoal que vivia mais ao sul da França, na região de Limoux, já fazia vinho espumante através desse método (que veio a ser chamado de champenoise, ou tradicional), e que os abades beneditinos apenas copiaram a ideia. Mas como estavam em uma importante rota comercial entre a cidade-luz e outros países da Europa, logo o champagne foi difundido para os Países Baixos, Grã-Bretanha, Rússia - e com as cortes e famílias reais como maiores "garotos-propaganda" dessa novidade, logo se tornaria sinônimo de requinte, luxo e exclusividade. Afinal, a produção desse vinho exige ainda hoje (imagine na época) grande investimento de recursos para se alcançar uma boa qualidade.
Muitas outras frases de efeito ficaram grudadas à reputação do champagne, "o vinho dos reis e o rei dos vinhos": Napoleão teria dito "quando eu venço, eu bebo champagne para celebrar, e eu o bebo nas derrotas, para me consolar". Na mesma onda, Churchill também dizia: "no sucesso você o merece, e no fracasso, você necessita dele"...
John Maynard Keynes, economista britânico, se lamentava que seu único arrependimento da vida era "não ter tomado mais champagne". É por isso que, embora existam hoje em dia muitas outras opções, mais abundantes e mais econômicas, ainda assim o champagne é fortemente ligado à imagem de celebração, de bien vivre. Na grande parte das vezes, quando posso e quando há um bom motivo para comemorar, é no champagne que vou. E não foi diferente dessa vez, quando abri uma garrafa de Dom Pérignon 2003, champagne vintage icônico produzido pela gigante Möet&Chandon com uvas chardonnay e pinot noir provenientes de vinhedos grand cru do entorno de Hautvillers.
Sem dúvida foi o melhor Champagne provado nesta minha breve existência, entre outros das grandes marques e alguns crus de pequenos produtores! Bela cor amarela com reflexos dourados, perlage finíssimo e interminável; aromas de brioche, frutas brancas (pêssego, pera), um toque de mel e cítricos. Na boca está redondinho, fresco e suave, uma nuance mineral salina e um pouquinho de açúcar residual - exuberante! - com o retrogosto de fermento e fruta branca sobressaindo, e um longuíssimo final. Aos doze anos de idade, é ainda muito jovem. Isso está me convencendo de que bons champagnes (mesmo os não safrados) podem - e devem - ficar algum tempo deitados na adega antes de serem apreciados.
Se quiserem saber um pouco mais sobre a Champagne e seu eminente vinho, podem ler alguns posts antigos que escrevi quando das minhas visitas a esta bela região campestre francesa: Champagne - um pouco de história e Visita a Reims.
À bientôt! Santé!

2 comentários:

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