sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Sassoaloro 2008 e Barbaresco Livio Pavese 2005 - dois clássicos italianos!

Salut les amis!
Quem leu minha última postagem deve ter entendido que a última degustação que participei, de vinhos italianos (veja aqui), atiçou meu paladar para os vinhos da velha bota. Afinal, sendo de descendência daquelas bandas, minhas recordações afetivas com o vinho iniciam com meu velho nonno tascando vinho colonial na comida da criançada e falando: Fa bene!!! Vinho com água e açúcar era o nosso refresco e me lembro uma vez que, com uns 4 ou 5 anos de idade, meu primo comeu tanto sagu com vinho que começou a rir e falar enrolado sem parar... coisas de criança! Hoje em dia, adultos, continuamos rindo e falando besteira sem parar, mas só depois da primeira garrafa sorvida... ; )
Nos últimos dias tive oportunidade de preparar umas gracinhas na cozinha e, ao fuçar a adega para achar uma garrafa adequada, não tive dúvidas: vamos de italiano!
Para acompanhar um ossobuco com risotto alla milanese, abri um Sassoaloro 2008, um toscano elaborado por Biondi Santi com uvas sangiovese grosso. O vinho tem aromas frutados de amoras, ameixa, caramelo, e amadeirados de grafite e cedro, bem elegantes, fruto de uma passagem bem dosada por barrica de carvalho francês bem tostada, além de especiarias doces (cravo, alcaçuz): muito boa complexidade aromática. Na boca é encorpado, aveludado e muito equilibrado. Costumo dizer que estes vinhos - suculentos, frutados e com boa acidez - são "gulosos": nunca dá vontade de parar de bebê-los! Casou muito bem com a carne untuosa cozida lentamente em molho de tomate e cenoura com especiarias, com o tutano e o risoto cremoso, arrematado com queijo pecorino. Foi um jantar daqueles!


Meu ossobuco alla piatto di muratori - prato de pedreiro! rsrs
Dias depois tive vontade de fazer uma pannacotta para a sobremesa, logo resolvemos pedir uma boa pizza, logo resolvi abrir outro clássico italiano (uma coisa puxa a outra...). E o escolhido desta vez foi o Barbaresco 2005 de Livio Pavese, tradicional produtor do Piemonte, região famosa pela uva nebbiolo e pelo primo mais famoso do Barbaresco, o Barolo, que é feito com a mesma uva. De cor rubi translúcida já bem evoluída para o granada, com muitas lágrimas densas e coloridas na taça. Com aromas de carne de caça, cogumelos, sous bois e defumado sobre uma cama de geleia de frutas vermelhas, cereja madura e kirsch, muito complexo. Na boca tem acidez marcante e taninos bem presentes, que se harmonizam perfeitamente com os 14o de álcool, acompanhando a comida (era pizza de pepperoni bem condimentada) muito bem. Tem um final quente, especiado, trufado, meio terroso, muito longo. Sempre que provei um vinho desta casta, me veio à cabeça fazr um paralelo com um pinot noir da Bourgogne. Acho que são as uvas que melhor exprimem as diferenças de terroir, indo de vinhos translúcidos, com toque de framboesa, sedosos, até os mais densos, complexos, terrosos e encorpados. Ambos, quando bem elaborados, melhoram muito com o tempo... 


Mas minha pannacotta ficou bem bonitinha...
Até a próxima meus amigos!
Santé!!!

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