terça-feira, 25 de outubro de 2016

Ainda sobre a viagem à Florida - restaurantes e loja de bebidas em Orlando

Hello buddies!
Ainda tem alguns pontos sobre minha última viagem à Orlando que gostaria de compartilhar aqui no blog, partindo de onde parei no meu último post (veja aqui).

Esta foto noturna do totem do Bonefish Grill na Central Florida Pkwy saiu bem ruinzinha - por isso está pequenininha...

Gostamos de comer em um restaurante chamado Bonefish Grill, de uma rede fundada ali na Florida mesmo e que já se expandiu pelos EUA. No nosso caso, que costumamos ficar hospedados no Marriot Residence Inn, no Westwood Blvd., pertinho da Sea World, o restaurante fica bem próximo, na esquina com a Central Florida Prky. Na volta dos passeios sempre paramos por ali para fazer compras na CVS, que fica no mesmo plaza que o restaurante, então em algumas oportunidades aproveitamos para jantar. Ali encontra-se boas opções de carnes, peixes e massas em um menu bem completo e uma carta de vinhos bem escolhida. Na primeira vez que jantamos ali comi um steak acompanhado de um pinot noir encorpadão chamado Meiomi, assemblage de três distintos terroirs californianos:
Sonoma fica ao norte de San Francisco, Monterey ao sul e Santa Barbara se localiza bem mais ao sul, já próxima a Los Angeles. Todas recebem uma forte influência marítima, sendo que em Monterey ocorre um clima mais ameno devido à proximidade com a baía, que proporciona mais umidade e um tempo maior de maturação às uvas. Por causa destas variáveis, o vinho apresenta um leque muito grande de características organolépticas: tem aromas de frutas vermelhas e negras, chocolate, violeta e tostado. Encorpado, com boa acidez e taninos presentes, bem integrados; com final de especiarias como cravo, canela e pimenta preta. Me pareceu um vinho bem "tecnológico". Atualmente este vinho está no catálogo da Mistral aqui no Brasil.
Certa vez jantamos no Trio, um "italiano" na praça de alimentação do Mall at Millenia. Estava uma noite agradável, quente, então resolvi pedir um prato de massa com frutos do mar e um chardonnay leve para acompanhar - infelizmente o prato estava tão apimentado, quase intragável... preferi só beber o vinho.



Cuidado com a pimenta nos restaurantes na Florida... Embora goste de pratos levemente picantes, eu sempre pergunto. Mas desta vez o garçom me enganou...
Este se mostrou um chardonnay californiano muito bem equilibrado, o que não é lá coisa muito comum. O vale do Russian River, composto principalmente de solos arenosos, se estende do condado de Sonoma, ao norte de SF, até a região do Mendocino, a uns 40km da costa do Pacífico, sofrendo portanto um pouco menos de influência marítima que os terroirs anteriormente citados, mas tem uma amplitude térmica muito grande durante o dia, com noites frescas, o que favorece a acidez correta das uvas no momento da colheita. Este vinho demonstrou aromas de frutas brancas (pera, pêssego) e toques cítricos de maçã verde, com um toque leve de baunilha indicando que passou por barricas. Com corpo médio, sem perder o frescor. Final longo e frutado.
Sempre vamos também ao Olive Garden, outra rede de restaurantes de acento italiano bem comum por lá. Tem bons pratos, ambiente gostoso e preço bom. Como na noite anterior, o repasto se resumiu a pasta com frutos do mar e vinho branco - desta vez, um italiano da boa azienda toscana Rocca delle Macìe.



Corte de chardonnay, vermentino, pinot griggio e trebbiano. Aromas florais, grapefruit, abacaxi. Mineral e "crocante" na boca, super-fresco. Caiu super-bem na noite quante de verão. 
No dia seguinte passamos, na volta de algum parque, pela Total Wine & More, um verdadeiro hipermercado de wine&spirits. Infelizmente ficamos pouco tempo por lá, pois estávamos exaustos, ainda assim deu para garimpar ótimas compras. O preço dos Bordeaux é bem atrativo, me chamou à atenção. Minha mulher disse que eu estava parecendo pinto no lixo, perdidinho em felicidade no meio daqueles corredores "temáticos" - a área de vinhos é toda dividida por região produtora, e quanto às demais bebidas cada uma tem um próprio setor - um corredor só de vodka, outro de rum, um de whisky (scotch de um lado, bourbon de outro)... Deus! é o Paraíso na Terra!

Uma imensa adega climatizada abriga as garrafas mais valiosas da loja
Esta seção de Sauternes me deixou extasiado! Variedade de rótulos - e safras!

Galões de bourbon em promoção - menos de R$10 por litro!
Nosso último jantar em Orlando foi também no Bonefish, e desta vez pedimos ótimos pratos de camarão e um chardonnay do Coppola para acompanhar. Os pratos, como sempre, estavam deliciosos, e o vinho, também de Russian Valley, apresentou o corpo e as caracterísitcas mais esperadas para um chardonnay californiano.




Aromas de abacaxi, pêssego em calda e crème brulée. Boa cremosidade e boa mineralidade na boca, final de caramel au beurre salé, com uma pontinha cítirca...
E foi assim, meus amigos, nossa última visita à Orlando, uma gigantesca cidade das crianças onde os adultos também se divertem. Pois como diria Washington Olivetto, ali só os patetas comem mal...
See you!





terça-feira, 19 de julho de 2016

De volta de Orlando: vinhos e mais vinhos made in America, além de boa comida, of course!

Hi dear!
De volta da Florida Central, como prometido na última postagem (veja aqui), seguem minhas impressões sobre os caldos de uva que andamos tomando pelos lados de Orlando. Desta vez tive a oportunidade de conhecer a Total Wine & More, um verdadeiro hipermercado de bebidas, além de visitar novamente a Wine Room, ótimo bar à vins de Winter Park, além de provar bons rótulos durante os jantares (o lunch geralmente fazíamos nos parques ou durante as compras, então eu já me dava muito por satisfeito caso uma cerveja gelada estivesse disponível nestas ocasiões...)
Conforme relatado anteriormente, não notamos alteração dos preços em dólar em relação à nossa última visita - para um jantar para 4 pessoas, com um bom vinho, despendemos em média 100, 120 dólares. Infelizmente o câmbio para o real atualmente não está nada favorável para o turista, o que acaba prejudicando um pouco as compras em geral (o consumo dos brasileiros chegava à marca dos 40% do comércio em toda a Florida na época das vacas gordas!). No caso das bebidas, ainda compensa bastante comprar lá. E, como costumo dizer, quem converte não se diverte. A partir do momento que fechei o orçamento da viagem em dólares deixei de fazer contas.
No dia em que fomos ao Epcot Center (a cada vez eu gosto mais do Epcot, vocês perceberão o porquê nas próximas linhas), almoçamos no Coral Reef, e foi um belo almoço. Ao lado de um aquário enorme, o ambiente é agradável - e a comida, boa. Comi um bom prato de massa com uma brochette de frutos-do-mar ao molho de vinho. Entre boas opções de vinho em taça, escolhemos um gewurztraminer Trimbach 2011, que foi aberto na hora. Muito aromático, presentava nuances de damasco seco, pera cozida, muscaté e licor de flor de sabugueiro; denso e ceroso na taça, tinha um finalzinho apimentado, com gosto de anis. Muito bom começo.
Na área do parque caracterizada como os EUA, há um quiosquezinho de cervejas "artesanais" americanas. Com um calor infernal resolvemos parar para tomar uma e assistir um showzinho de um grupo que cantava à capela no palco. Bebi a Honor Warrior, uma indian pale ale forte e cítrica, além da Hazed Hoppy Session, outra IPA, um pouco mais leve mas mais amarga. Dois ótimos exemplares de cerveja americana, vindas da Virginia e do Colorado, respectivamente.
No jantar, fomos ao Chefs de France, outra das boas opções para se comer dentro dos parques em Orlando. Comi um menu fixo composto de uma entrada de sopa de cebola e boeuf bourguignon como prato principal. Bebemos um borgonha genérico da Bouchard Ainé, que acompanhou bem o jantar - leve, frutado e bem característico (boa acidez, frutas vermelhas frescas, mas sem muita complexidade). Cabe ressaltar que em uma loja ao lado existem boas opções de vinhos e algum champagne em taça, para quem quiser só experimentar a bebida (eu mesmo já havia tomada um copo do rosé de Miraval, um château provençal que foi comprado pelo casal Pitt-Jolie e que é vinificado pela tradicional família Perrin - bom vinho).
No dia seguinte, dedicado a algumas comprinhas, almoçamos na Cheesecake Factory do Mall at Millenia - o incontornável shrimp scampi acompanhado de uma taça de um bom chardonnay californiano. Mas o bom mesmo desta refeição foi a sobremesa - um cheesecake de caramel au beurre salé. Impagável!
No dia seguinte (um sábado) fomos a Winter Park, uma cidadezinha muito simpática a uns 20 minutos de carro de Downtown Orlando. Estava um dia ótimo, havia uma feirinha de produtos orgânicos na praça ao lado da charmosa estação ferroviária, os esquilos estavam tomando um solzinho nos gramados em volta dos pinus. Muito legal passear por ali, mas melhor ainda é entrar na Wine Room, carregar o cartão com umas dezenas de dólares e sair bebericando os diversos rótulos expostos nas eno-matics em volta do salão da loja. Uma ótima maneira de conhecer melhor os vinhos norte-americanos e, quem sabe, provar algum vinho ícone. A resenha dos vinhos que provei legenda as fotos abaixo.
Em um próximo post continuo a contar nossas peripécias enogastronômicas na Florida. 
See you buddies!


Na Wine Room, comecei por este sauvignon porque imaginava ser o mais leve na enomatic dos brancos, e realmente se mostrou um vinho fino e elegante, com aromas cítricos, de maçã verde e vegetais frescos, com um final condimentado de pimenta-branca e erva-doce.
Em seguida provei este chardonnay das "terras altas" de Santa Lucia (condado de Monterey, bem ao sul de San Francisco, lado oposto dos mais conhecidos terroirs de Napa Valley e Sonoma County). Demonstrou um bom equilíbrio entre frescor e notas amanteigadas de frutas brancas em calda (pêssegos e peras) e baunilha, com uma boa cremosidade na boca.
Até então não conhecia a Cakebread Cellars, mas este chardonnay do Napa trouxe a certeza de se tratar de uma bela vinícola. Vinho bem fresco, que nem parece ter passagem em barrica - estilo mais para o velho mundo, bem elegante. Com aromas cítricos e lácteos, é muito bem equilibrado na boca, e tem um final bem longo e frutado.
Este chardonnay "Far Niente", safra 2014, tem mais a cara a que estamos acostumados dos vinhos americanos: baunilha, frutas tropicais - manga, melão, abacaxi (eu já havia provado a safra 2011 deste vinho, e achei uma nota de degustação curiosa: epocler!) e pera em calda. Denso, amanteigado, redondão na boca.  
O vinho, a lenda, o mito... Acredito que longe da safra 73 que venceu vinhos da Borgonha na célebre degustação às cegas que ficou conhecida como "O julgamento de Paris", este Montelena 2013 sob minha ótica não passa agora dos 90 pontos. com aromas de maçã, pêssego e cítricos, é redondo e amanteigado na boca, com final seco e cítrico. Sua boa acidez e a cor, ainda com reflexos verdeias, demonstram que ainda pode evoluir bem.
Confesso: provei este vinho porque achei a garrafa chamativa, bonita (parece um trabalhinho de pintura a guache com as mãos que fazemos na pré-escola). É um merlot "Winemaker's Handprint Collection",  2012, da vinícola Meeker, localizada a meio-caminho entre Sonoma e Mendocino. É um belo merlot, com aromas complexos de frutas negras e vermelhas confitadas, bom corpo e equilíbrio na boca, boa passagem por madeira, que dá um caráter caramelado ao vinho. 14,5% de álcool e um baita equilíbrio - isso, a meu ver, seria um belo elogio!
Este foi outro vinho legendário que provei na Wine Room. Exuberante!!! Cor densa, impenetrável. Aromas de ameixa seca, geleia de amora, com um defumado intenso, aromas de cedro, de caixa de charuto, cacau, rosas murchas, alcaçuz. E nada muito exagerado, pelo contrário! Muito redondo na boca, aveludado, uma sensação de plenitude! Realmente é um vinhaço. 





quinta-feira, 9 de junho de 2016

A. et P. de Villaine Rully "Les Saint Jacques" 2002

Salut les amis!
Volto a escrever sobre um ótimo vinho por aqui: o Rully "Les Saint Jacques", safra 2002, produzido na côte Chalonnaise (ao sul da Côte d'Or, na Borgonha), pelo nosso grande amigo Aubert de Villaine. Ele mesmo - o mito! - co-proprietário do Domaine de la Romanée Conti, talvez a mais reputada propriedade vinícola borgonhesa.
Eis que o casal de Villaine não mora em Vosne-Romanée, sede do DRC, mas sim em Bouzeron - um vilarejo mais ao sul, onde inclusive ele já foi o maire, ou seja, prefeito. Ali ele produz um ótimo aligoté que já tive algumas oportunidades de provar, assim como o Mercurey que ele produz ali perto (saiba sobre este vinho aqui), além desse Rully do qual agora vos escrevo - o outro pinot noir que ele vinifica, o Santenay, ainda não encontrei no Brasil - aliás, são todos meio difíceis de achar. Fica a dica: sempre que encontrarem um rótulo desse tal de Villaine, comprem!
Estes dias tive a vontade de fazer um jantarzinho gostoso (fazia tempo que não ia para a cozinha...), cheguei em  casa e a assistente do lar já tinha colocado um franguinho no forno. Estava com vontade de beber vinho branco, procurei na adega alguma coisa que combinasse e - voilá! - um borgonhazinho branco quase sempre vai bem com frango. Para caprichar, preparei umas batatas bravas com páprica e alecrim, tudo com um molho de mostarda Dijon (para harmonizar "geograficamente", como diria um amigo meu) e um risoto de cogumelos frescos com um pouquinho de roquefort como acompanhamento. Ficou supimpa! rsrs


E o vinho, então... devido aos anos de garrafa, apresentava uma bela cor amarelo-dourada que por si só já é um deleite... denso e glicerinado, as numerosas e densas lágrimas escorriam preguiçosas pela taça. No primeiro nariz, aromas de abacaxi e frutas brancas, com um toque cítrico de maçã verde e mel de laranjeira. Depois foi abrindo um especiado bem interessante - anis, erva-doce, flores brancas... complexo e intrigante. Na boca estava com uma densidade cerosa, amanteigado mas fresco, com as nuances cítricas voltando no final. Harmonizou muito bem com o prato, a escolha do molho de mostarda se mostrou muito acertada, fez um casamento perfeito! 
Esse M. de Villaine tem mesmo mãos de fada para fazer vinho. E, como é impossível beber os vinhos do DRC, vou bebendo estes do domaine particular dele... c'est la vie...
Até a próxima! 
Santé!


sexta-feira, 13 de maio de 2016

Vamos para Orlando? Boa mesa e bons vinhos no mundo de Disney

Salut les amis! I'm back!!!
Volto depois de uma longa ausência aqui no blog, devida às agruras de viver neste país em que o sujeito tem que bater o escanteio, cabecear, defender e sair jogando... o hobby acaba caindo para quarto, quinto, sexto plano...
Estou em preparativos para uma viagem familiar à Orlando e, como não pode deixar de ser, organizando um roteirinho eno-gastronômico... rsrs. Será minha segunda viagem para lá, e bastante coisa vou aproveitar do que aprendi na primeira estada, há dois anos (nesta minha primeira viagem aos EUA as impressões foram muito positivas). 
A primeira falácia que muito se ouve, mas que pude constatar o contrário é que se come mal em Orlando, que por lá só existe junkie food. Bullshit. Come mal quem quer comer mal. Com exceção aos parques, onde são raras as boas opções, encontram-se inúmeras e variadas opções, incluindo-se aqui restaurantes de rede: Olive Garden (de influência italiana), Red Lobster (frutos-do-mar), Tony Roma's (influência italiana, tex-mex), The Cheesecake Factory, Bonefish Grill (steaks e frutos-do-mar - diria eu o mais legítimo restaurante americano que visitamos) - todos se mostraram com uma boa variedade de pratos, bons ingredientes e cuidado no preparo e atendimento. Todos também tem boas opções de vinhos, tanto em garrafa como em taça, dando preferência - é claro - aos norte-americanos da California, Washington e Oregon, mas contendo também algumas opções importadas, principalmente da França e Itália. E o preço, pelo menos para os padrões paulistas, nos pareceu muito mais justo. Minha família comia 4 pratos, tomávamos vinho, às vezes sobremesas (quando não estávamos completamente satisfeitos devido à fartura dos pratos) e não desembolsei mais que US$100 para pagar uma refeição (vá lá, com a cotação do dólar do jeito que anda não parece tão barato, mas isso é o que se gasta por aqui sem beber vinho). Recomendo ainda um restaurante italiano muito gostoso, o Maggiano's, na International Drive do ladinho da casa-de-ponta-cabeça - ambiente aconchegante e comida muito boa, tudo com um ótimo preço.Vou voltar lá certamente.
O único parêntese que faço sobre a comida local é o uso às vezes excessivo de pimenta. Pimenta-do-reino é ingrediente fundamental em tudo, e deve-se tomar certo cuidado quando o cardápio traz informações como hot pepper ou red pepper na composição dos pratos, pois eles não as usam com muita parcimônia não... Jalapeño também é bem comum por lá, até mesmo nos sanduíches. Por duas vezes não consegui comer por causa do excesso de pimenta!
Também com exceção ao interior dos parques, normalmente encontra-se lanchonetes muito boas por lá. Nos dias de compras recorríamos aos hambúrgueres e cachorros-quentes no almoço, e neste caso recomendo a rede Johnny Rockets (que neste meio-tempo já chegou ao Brasil), onde o atendimento é atencioso e os sanduíches muito saborosos.
Dentro dos parques, fizemos algumas boas refeições. No Sci Fi Dinner, uma lanchonete que imita um antigo cinema drive-in no Universal Studios, os sanduíches são saborosos e provei uma ótima cerveja artesanal local. No Epcot Center a oferta deste tipo de cerveja, de várias localidades dos EUA, é abundante, e como estava bastante calor no dia deste passeio aproveitei bastante... No pavilhão da França, brindamos com uma taça de champagne (no "Bar à Vins" são servidas algumas boas opções de vinho em taça), antes de jantarmos no Chefs de France, imitação quase perfeita de um bistrot parisiense (eles até mancharam os espelhos das paredes para parecerem envelhecidos). Comemos bons pratos de frutos-do-mar acompanhados por um bourgogne branco. O shrimp scampi (prato bem comum no local, uma massa com camarões e vieiras ao vinho branco), se mostrou como uma opção, como também costuma ser nos outros restaurantes. Na nossa última visita ao Magic Kingdom almoçamos no Be Our Guest, restaurante temático de "A Bela e a Fera", que parecia a maior furada (lugar enorme, fila quilométrica), mas até que foi gostoso. Comida de "inspiração" francesa: salada niçoisecroque monsieur... Nos parques a energia é tão boa que você às vezes precisa desapegar e dar um desconto...
Mas para mim o principal evento enológico desta primeira viagem foi durante a nossa visita a Winter Park (não sei exatamente se é uma cidadezinha ou um bairro próximo a Orlando Downtown), só sei que é um lugar muito agradável, tipo uma estância turística, uma "Campos do Jordão" de lá. Uma região de lagos, cujas margens são repletas de imensas mansões de figurões locais, jogadores do Orlando Magic e atores de Hollywood (Tom Hanks, por exemplo, tem uma casa por lá). Na Park Avenue, o "Capivari" de Winter Park, existe um wine bar, o Wine Room, com uma imensa oferta de vinhos em taça expostos nas enomatics, aquelas máquinas automáticas de servir que conservam as garrafas abertas com a injeção de gás inerte e também mantêm os vinhos na temperatura correta para consumo. Você carrega um cartão com a quantia que pretende beber e vai inserindo em cada máquina para se servir da quantidade e do vinho desejado. Ali pude conhecer bastante da vinicultura americana, partindo dos chardonnays californianos com gosto pesado de baunilha, passando pelos pinot noirs meio moles tanto da Califórnia como do Oregon e terminando nos merlots e zinfandels doces e concentrados (curiosamente não havia cabernets nas maquininhas...) Para zerar o saldo do cartãozinho provei um belíssimo châteauneuf-du-pape e encerrei com uma dose do Sassicaia, da safra mais nova no mercado - 2010, sem dúvida muito jovem ainda. Mas pelo que eu já tinha ouvido falar deste vinho "que só pode ser bebido depois de uns 15 anos, que quando jovem é muito austero, blá-blá-blá...", eu esperava um vinho muito duro, só que não... Estava delicioso! Guardei o cartão como lembrança, e pretendo recarregá-lo em breve!
Desta vez eu já programei uma manhã para visitar a Total Wine & More, uma grande loja de bebidas que me foi amplamente recomendada pelos meus amigos. Pelo que pude pesquisar, tem bastante coisa boa, com preço em média 40% mais barato que o free shop - em dólares! Ui! Acho que vou voltar com algumas boas garrafas na mala...
Em um próximo post eu vou dar um pouquinho mais de detalhes sobre os caldos que bebi por lá. Mas por enquanto vou salivando com algumas imagens que trouxe da primeira vez...
À bientôt! Santé!















quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Vinícola Guaspari: os intrépidos bandeirantes paulistas estão de volta!

Salut les amis!
Eu já havia ouvido falar (e bem) destes vinhos, então num dia desses, em uma visita ao St.Marché, eis que eles estavam lá, com uma ação de marketing de ponto-de-venda até meio agressiva, com uma etiqueta dizendo, mais ou menos assim: "prove e descubra porque estes vinhos brasileiros estão na prateleira dos franceses", além de umas menções de medalhas em concursos no exterior... bem, vamos lá! Passe uma garrafa do branco (sauvignon) e do tinto (syrah) pra cá que vou experimentar. O preço é meio salgado para um vinho nacional, mas a curiosidade matou o guarda... Afinal, estes vinhos são provenientes de um local meio inusitado (Espírito Santo do Pinhal, na porção paulista da Mantiqueira). E paulista sabe fazer bom vinho? rsrs
O governador Alckmin presenteou Nicolas Sarkozy, em sua visita ao Brasil, com vinhos da Guaspari (cometeu dessa forma uma pequena gafe, porque Sarkô não bebe - deve ser o único francês que não bebe vinho - inclusive leiloou muita coisa da adega do Palácio do Eliseu quando presidente). E não é raro ver na imprensa fotos de personalidades com uma garrafa desta vinícola na mão. Fazem um bom trabalho de divulgação, story telling e RP.
Provei primeiro o sauvignon, da safra 2012. De uma cor amarela clara e brilhante, o vinho tem uma certa complexidade aromática: cítricos (limão siciliano), herbáceos (aspargos, erva-doce), sobre uma cama mineral e um fundinho intrigante, torrado. Na boca tem um pouco de densidade, mas é refrescante como - na minha opinião - todo sauvignon deveria ser, com boa acidez e um equilíbrio muito bom. Me lembrou os vinhos de uma obscura região francesa, os Saint-Bris, que, embora localizem-se geograficamente na Borgonha, produzem apenas varietais de Sauvignon, em um clima mais frio que a Côte d'Or. Entendi então o porque dos prêmios na França - lá eles preferem um sauvignon mais austero, mais crocante, sem a exuberância da fruta madura (maracujá, lima) tão encontrada nos vinhos do Novo Mundo, principalmente no Chile e na Nova Zelândia. Tomei este vinho como aperitivo, ele cai muito bem com canapés, mas fiquei com vontade de prová-lo com frutos do mar.


Dias depois abri o tinto, um syrah "Vista da Serra", safra 2011. Sempre falei pra patroa que, se um dia eu fosse plantar uva lá pelos lados do nosso cafofo na mantiqueira, a cepa escolhida seria a syrah. O solo granítico pobre, as grandes inclinações, o sol acachapante de dia e o friozinho à noite... Essa paisagem e esse clima fazem lembrar demais o vale do Rhône! E eu também acho que foi este o estilo pretendido na vinificação deste tinto. Austero, sem exageros ou arestas, um syrah muito correto. Na sua cor rubi-púrpura bem densa e profunda, nos aromas de geleia de frutas vermelhas, amora e ameixa, com um fundinho de copo com café, defumado e um vegetal, tipo resina. Na boca é direto e elegante, com taninos bem apontados e bastante equilibrado, com boa acidez. Final especiado de pimenta preta, com um toque de cravo. Bebi acompanhado de pizza, mas também iria bem com massas, carnes grelhadas ou preparações com cogumelos. Interessante notar nos dois vinhos as notas de café, torrefação, lembrando o passado cafeeiro da região.


A considerar estas duas amostras, o projeto é bastante promissor, merece e parece que vai evoluir. O syrah é bem caro, de uma relação qualidade/preço complicada, pois encontramos ótimas opções importadas a um preço mais baixo. Torçamos para que a vinícola encontre um ponto de equilíbrio melhor nesta questão para que mais enófilos brasileiros possam provar deste terroir inusitado.
Fora isso, lamento ainda não poder fazer uma visita aos vinhedos da Guaspari. Estávamos - eu e um grupo de amigos - interessados em dar um pulo lá para conhecer, mas ao entrar em contato com a vinícola recebemos a informação que eles tem planos de preparar instalações mais adequadas ao "eno-turismo", mas não agora... uma pena! Mantiqueira e vinho combinam muito bem!
À bientôt!


domingo, 3 de janeiro de 2016

Dica de Leitura - Vinhos da Borgonha

Salut les amis!
Hoje escrevo um post para resenhar um livro incontornável para os amantes do vinho em geral e da Bourgogne em particular: "Vinhos da Borgonha - História, Tradição e Cultura", de Jean Claude Cara e Lígia Maria Salomão, uma grande pedida que a Editora Melhoramentos acaba de lançar em língua portuguesa. 
O livro se destina mais diretamente para iniciados no mundo dos mistérios de Baco, embora o enófilo iniciante também o possa desfrutar com deleite, se tiver a calma e disposição necessárias para pesquisar mais a fundo os temas que lhe fugirem do domínio. Para esse leitor o livro contém as necessárias seções sobre generalidades das uvas e dos vinhos, vinificação e serviço da bebida.
Por sair da mesmice e das óbvias generalizações tão conhecidas da "mídia especializada" em vinhos no Brasil (Volnays são femininos e Pommards são masculinos...), entrando mais a fundo nas especificidades de cada village bourguignon (embora seja de linguagem simples e leitura fácil para o amador de vinhos), seria desejável que o leitor já tivesse um pouco em mente o patchwork dos climats borgonheses, para o risco de não deixar se perder sobre os inúmeros nomes de vinhedos e localizações geográficas. E aqui vai uma dica para a próxima edição: a inclusão de mapas mais detalhados de cada vilarejo com o posicionamento de cada vinhedo seria de grande valia para o leitor leigo, ou para aquele não conhece in loco os terroirs bourguignons. Outro ponto em que se nota também uma opção editorial no mínimo controversa é o capitulo destinado ao guia de vinícolas: seria necessária uma enciclopédia - ao menos um volume inteiro - para se retratar de forma mais completa a grande variedade de domaines vinícolas, de forma que se conseguisse demonstrar um amplo painel da região - muita coisa boa ficou de fora, certamente por limitação de espaço. Por outro lado, a inclusão de um capítulo (quase como um apêndice) sobre o turismo na região - relacionando acomodações, gastronomia e atrações imperdíveis - é de grande valia para quem certamente se seduzirá pelos encantos borgonheses e quiser no futuro desfrutar de suas delícias. Traz também dicas de harmonização de vinhos com pratos da deliciosa cozinha regional.
Ademais, o livro é fruto de um grande trabalho de pesquisa em boa bibliografia em língua francesa, bem ilustrado e bem organizado, com belas fotografias e ótima diagramação. É uma edição luxuosa, ótima opção de presente para um enófilo - custa bem menos que uma garrafa de um bom premier cru - ainda mais por tratar-se no pioneiro livro exclusivamente sobre a Borgonha e seus vinhos aqui no Brasil. E para harmonizar com a leitura, não vou propor uma garrafa de Bourgogne, pois sua degustação é muito mais efêmera que a apreciação deste livro (ainda que um bom Bourgogne nos deixe impressões indeléveis na alma...), mas como a leitura é extensa, aconselho harmonizar com pequenas doses de marc de Bourgogne  ou, ainda melhor, de ratafia - duas bebidas típicas deliciosas provenientes dos efluxos do vinho borgonhês.
Depois que estive pela primeira vez na Borgonha, fui até fazer um curso de francês para estudar um pouco mais sobre os vinhos franceses, tamanha era a dificuldade de encontrar livros como "Vinhos da Borgonha" no Brasil. Se estivessem escrito este livro antes, Jean Claude e Ligoa teriam me poupado um trabalhão...
Santé! Au revoir!