sexta-feira, 13 de maio de 2016

Vamos para Orlando? Boa mesa e bons vinhos no mundo de Disney

Salut les amis! I'm back!!!
Volto depois de uma longa ausência aqui no blog, devida às agruras de viver neste país em que o sujeito tem que bater o escanteio, cabecear, defender e sair jogando... o hobby acaba caindo para quarto, quinto, sexto plano...
Estou em preparativos para uma viagem familiar à Orlando e, como não pode deixar de ser, organizando um roteirinho eno-gastronômico... rsrs. Será minha segunda viagem para lá, e bastante coisa vou aproveitar do que aprendi na primeira estada, há dois anos (nesta minha primeira viagem aos EUA as impressões foram muito positivas). 
A primeira falácia que muito se ouve, mas que pude constatar o contrário é que se come mal em Orlando, que por lá só existe junkie food. Bullshit. Come mal quem quer comer mal. Com exceção aos parques, onde são raras as boas opções, encontram-se inúmeras e variadas opções, incluindo-se aqui restaurantes de rede: Olive Garden (de influência italiana), Red Lobster (frutos-do-mar), Tony Roma's (influência italiana, tex-mex), The Cheesecake Factory, Bonefish Grill (steaks e frutos-do-mar - diria eu o mais legítimo restaurante americano que visitamos) - todos se mostraram com uma boa variedade de pratos, bons ingredientes e cuidado no preparo e atendimento. Todos também tem boas opções de vinhos, tanto em garrafa como em taça, dando preferência - é claro - aos norte-americanos da California, Washington e Oregon, mas contendo também algumas opções importadas, principalmente da França e Itália. E o preço, pelo menos para os padrões paulistas, nos pareceu muito mais justo. Minha família comia 4 pratos, tomávamos vinho, às vezes sobremesas (quando não estávamos completamente satisfeitos devido à fartura dos pratos) e não desembolsei mais que US$100 para pagar uma refeição (vá lá, com a cotação do dólar do jeito que anda não parece tão barato, mas isso é o que se gasta por aqui sem beber vinho). Recomendo ainda um restaurante italiano muito gostoso, o Maggiano's, na International Drive do ladinho da casa-de-ponta-cabeça - ambiente aconchegante e comida muito boa, tudo com um ótimo preço.Vou voltar lá certamente.
O único parêntese que faço sobre a comida local é o uso às vezes excessivo de pimenta. Pimenta-do-reino é ingrediente fundamental em tudo, e deve-se tomar certo cuidado quando o cardápio traz informações como hot pepper ou red pepper na composição dos pratos, pois eles não as usam com muita parcimônia não... Jalapeño também é bem comum por lá, até mesmo nos sanduíches. Por duas vezes não consegui comer por causa do excesso de pimenta!
Também com exceção ao interior dos parques, normalmente encontra-se lanchonetes muito boas por lá. Nos dias de compras recorríamos aos hambúrgueres e cachorros-quentes no almoço, e neste caso recomendo a rede Johnny Rockets (que neste meio-tempo já chegou ao Brasil), onde o atendimento é atencioso e os sanduíches muito saborosos.
Dentro dos parques, fizemos algumas boas refeições. No Sci Fi Dinner, uma lanchonete que imita um antigo cinema drive-in no Universal Studios, os sanduíches são saborosos e provei uma ótima cerveja artesanal local. No Epcot Center a oferta deste tipo de cerveja, de várias localidades dos EUA, é abundante, e como estava bastante calor no dia deste passeio aproveitei bastante... No pavilhão da França, brindamos com uma taça de champagne (no "Bar à Vins" são servidas algumas boas opções de vinho em taça), antes de jantarmos no Chefs de France, imitação quase perfeita de um bistrot parisiense (eles até mancharam os espelhos das paredes para parecerem envelhecidos). Comemos bons pratos de frutos-do-mar acompanhados por um bourgogne branco. O shrimp scampi (prato bem comum no local, uma massa com camarões e vieiras ao vinho branco), se mostrou como uma opção, como também costuma ser nos outros restaurantes. Na nossa última visita ao Magic Kingdom almoçamos no Be Our Guest, restaurante temático de "A Bela e a Fera", que parecia a maior furada (lugar enorme, fila quilométrica), mas até que foi gostoso. Comida de "inspiração" francesa: salada niçoisecroque monsieur... Nos parques a energia é tão boa que você às vezes precisa desapegar e dar um desconto...
Mas para mim o principal evento enológico desta primeira viagem foi durante a nossa visita a Winter Park (não sei exatamente se é uma cidadezinha ou um bairro próximo a Orlando Downtown), só sei que é um lugar muito agradável, tipo uma estância turística, uma "Campos do Jordão" de lá. Uma região de lagos, cujas margens são repletas de imensas mansões de figurões locais, jogadores do Orlando Magic e atores de Hollywood (Tom Hanks, por exemplo, tem uma casa por lá). Na Park Avenue, o "Capivari" de Winter Park, existe um wine bar, o Wine Room, com uma imensa oferta de vinhos em taça expostos nas enomatics, aquelas máquinas automáticas de servir que conservam as garrafas abertas com a injeção de gás inerte e também mantêm os vinhos na temperatura correta para consumo. Você carrega um cartão com a quantia que pretende beber e vai inserindo em cada máquina para se servir da quantidade e do vinho desejado. Ali pude conhecer bastante da vinicultura americana, partindo dos chardonnays californianos com gosto pesado de baunilha, passando pelos pinot noirs meio moles tanto da Califórnia como do Oregon e terminando nos merlots e zinfandels doces e concentrados (curiosamente não havia cabernets nas maquininhas...) Para zerar o saldo do cartãozinho provei um belíssimo châteauneuf-du-pape e encerrei com uma dose do Sassicaia, da safra mais nova no mercado - 2010, sem dúvida muito jovem ainda. Mas pelo que eu já tinha ouvido falar deste vinho "que só pode ser bebido depois de uns 15 anos, que quando jovem é muito austero, blá-blá-blá...", eu esperava um vinho muito duro, só que não... Estava delicioso! Guardei o cartão como lembrança, e pretendo recarregá-lo em breve!
Desta vez eu já programei uma manhã para visitar a Total Wine & More, uma grande loja de bebidas que me foi amplamente recomendada pelos meus amigos. Pelo que pude pesquisar, tem bastante coisa boa, com preço em média 40% mais barato que o free shop - em dólares! Ui! Acho que vou voltar com algumas boas garrafas na mala...
Em um próximo post eu vou dar um pouquinho mais de detalhes sobre os caldos que bebi por lá. Mas por enquanto vou salivando com algumas imagens que trouxe da primeira vez...
À bientôt! Santé!