terça-feira, 19 de julho de 2016

De volta de Orlando: vinhos e mais vinhos made in America, além de boa comida, of course!

Hi dear!
De volta da Florida Central, como prometido na última postagem (veja aqui), seguem minhas impressões sobre os caldos de uva que andamos tomando pelos lados de Orlando. Desta vez tive a oportunidade de conhecer a Total Wine & More, um verdadeiro hipermercado de bebidas, além de visitar novamente a Wine Room, ótimo bar à vins de Winter Park, além de provar bons rótulos durante os jantares (o lunch geralmente fazíamos nos parques ou durante as compras, então eu já me dava muito por satisfeito caso uma cerveja gelada estivesse disponível nestas ocasiões...)
Conforme relatado anteriormente, não notamos alteração dos preços em dólar em relação à nossa última visita - para um jantar para 4 pessoas, com um bom vinho, despendemos em média 100, 120 dólares. Infelizmente o câmbio para o real atualmente não está nada favorável para o turista, o que acaba prejudicando um pouco as compras em geral (o consumo dos brasileiros chegava à marca dos 40% do comércio em toda a Florida na época das vacas gordas!). No caso das bebidas, ainda compensa bastante comprar lá. E, como costumo dizer, quem converte não se diverte. A partir do momento que fechei o orçamento da viagem em dólares deixei de fazer contas.
No dia em que fomos ao Epcot Center (a cada vez eu gosto mais do Epcot, vocês perceberão o porquê nas próximas linhas), almoçamos no Coral Reef, e foi um belo almoço. Ao lado de um aquário enorme, o ambiente é agradável - e a comida, boa. Comi um bom prato de massa com uma brochette de frutos-do-mar ao molho de vinho. Entre boas opções de vinho em taça, escolhemos um gewurztraminer Trimbach 2011, que foi aberto na hora. Muito aromático, presentava nuances de damasco seco, pera cozida, muscaté e licor de flor de sabugueiro; denso e ceroso na taça, tinha um finalzinho apimentado, com gosto de anis. Muito bom começo.
Na área do parque caracterizada como os EUA, há um quiosquezinho de cervejas "artesanais" americanas. Com um calor infernal resolvemos parar para tomar uma e assistir um showzinho de um grupo que cantava à capela no palco. Bebi a Honor Warrior, uma indian pale ale forte e cítrica, além da Hazed Hoppy Session, outra IPA, um pouco mais leve mas mais amarga. Dois ótimos exemplares de cerveja americana, vindas da Virginia e do Colorado, respectivamente.
No jantar, fomos ao Chefs de France, outra das boas opções para se comer dentro dos parques em Orlando. Comi um menu fixo composto de uma entrada de sopa de cebola e boeuf bourguignon como prato principal. Bebemos um borgonha genérico da Bouchard Ainé, que acompanhou bem o jantar - leve, frutado e bem característico (boa acidez, frutas vermelhas frescas, mas sem muita complexidade). Cabe ressaltar que em uma loja ao lado existem boas opções de vinhos e algum champagne em taça, para quem quiser só experimentar a bebida (eu mesmo já havia tomada um copo do rosé de Miraval, um château provençal que foi comprado pelo casal Pitt-Jolie e que é vinificado pela tradicional família Perrin - bom vinho).
No dia seguinte, dedicado a algumas comprinhas, almoçamos na Cheesecake Factory do Mall at Millenia - o incontornável shrimp scampi acompanhado de uma taça de um bom chardonnay californiano. Mas o bom mesmo desta refeição foi a sobremesa - um cheesecake de caramel au beurre salé. Impagável!
No dia seguinte (um sábado) fomos a Winter Park, uma cidadezinha muito simpática a uns 20 minutos de carro de Downtown Orlando. Estava um dia ótimo, havia uma feirinha de produtos orgânicos na praça ao lado da charmosa estação ferroviária, os esquilos estavam tomando um solzinho nos gramados em volta dos pinus. Muito legal passear por ali, mas melhor ainda é entrar na Wine Room, carregar o cartão com umas dezenas de dólares e sair bebericando os diversos rótulos expostos nas eno-matics em volta do salão da loja. Uma ótima maneira de conhecer melhor os vinhos norte-americanos e, quem sabe, provar algum vinho ícone. A resenha dos vinhos que provei legenda as fotos abaixo.
Em um próximo post continuo a contar nossas peripécias enogastronômicas na Florida. 
See you buddies!


Na Wine Room, comecei por este sauvignon porque imaginava ser o mais leve na enomatic dos brancos, e realmente se mostrou um vinho fino e elegante, com aromas cítricos, de maçã verde e vegetais frescos, com um final condimentado de pimenta-branca e erva-doce.
Em seguida provei este chardonnay das "terras altas" de Santa Lucia (condado de Monterey, bem ao sul de San Francisco, lado oposto dos mais conhecidos terroirs de Napa Valley e Sonoma County). Demonstrou um bom equilíbrio entre frescor e notas amanteigadas de frutas brancas em calda (pêssegos e peras) e baunilha, com uma boa cremosidade na boca.
Até então não conhecia a Cakebread Cellars, mas este chardonnay do Napa trouxe a certeza de se tratar de uma bela vinícola. Vinho bem fresco, que nem parece ter passagem em barrica - estilo mais para o velho mundo, bem elegante. Com aromas cítricos e lácteos, é muito bem equilibrado na boca, e tem um final bem longo e frutado.
Este chardonnay "Far Niente", safra 2014, tem mais a cara a que estamos acostumados dos vinhos americanos: baunilha, frutas tropicais - manga, melão, abacaxi (eu já havia provado a safra 2011 deste vinho, e achei uma nota de degustação curiosa: epocler!) e pera em calda. Denso, amanteigado, redondão na boca.  
O vinho, a lenda, o mito... Acredito que longe da safra 73 que venceu vinhos da Borgonha na célebre degustação às cegas que ficou conhecida como "O julgamento de Paris", este Montelena 2013 sob minha ótica não passa agora dos 90 pontos. com aromas de maçã, pêssego e cítricos, é redondo e amanteigado na boca, com final seco e cítrico. Sua boa acidez e a cor, ainda com reflexos verdeias, demonstram que ainda pode evoluir bem.
Confesso: provei este vinho porque achei a garrafa chamativa, bonita (parece um trabalhinho de pintura a guache com as mãos que fazemos na pré-escola). É um merlot "Winemaker's Handprint Collection",  2012, da vinícola Meeker, localizada a meio-caminho entre Sonoma e Mendocino. É um belo merlot, com aromas complexos de frutas negras e vermelhas confitadas, bom corpo e equilíbrio na boca, boa passagem por madeira, que dá um caráter caramelado ao vinho. 14,5% de álcool e um baita equilíbrio - isso, a meu ver, seria um belo elogio!
Este foi outro vinho legendário que provei na Wine Room. Exuberante!!! Cor densa, impenetrável. Aromas de ameixa seca, geleia de amora, com um defumado intenso, aromas de cedro, de caixa de charuto, cacau, rosas murchas, alcaçuz. E nada muito exagerado, pelo contrário! Muito redondo na boca, aveludado, uma sensação de plenitude! Realmente é um vinhaço.